Apple processa OpenAI, dona do ChatGPT por roubo de segredos industriais e acusa empresa de recrutar mais de 400 ex-funcionários
Apple entrou na Justiça contra a OpenAI acusando a empresa de roubar segredos industriais sobre dispositivos de IA com mais de 400 ex-funcionários recrutados.

Imagem: CNET
A Apple decidiu que já chega. Depois de ver a OpenAI contratar mais de 400 ex-funcionários seus, incluindo nomes do time central de design, a empresa de Cupertino entrou na Justiça com uma ação civil pesada, acusando a criadora do ChatGPT de roubar segredos industriais ligados a uma série de dispositivos de IA que ainda nem foram anunciados. O processo foi protocolado no Tribunal Federal do Distrito Norte da Califórnia e, além da OpenAI, coloca no banco dos réus a startup io, de Jony Ive, adquirida pela OpenAI no ano passado por 6,5 bilhões de dólares.
Dois ex-executivos da Apple aparecem nominalmente na ação: Tang Tan, ex-vice-presidente de Design, e Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos. A Apple afirma ter encontrado evidências de que eles saíram da empresa levando consigo informações que nunca deveriam ter saído de lá.
O que a Apple alega na ação contra a OpenAI
O documento judicial, disponível publicamente, detalha uma série de acusações que pintam um quadro bem específico de como a OpenAI teria operado para sugar informações confidenciais da Apple durante o processo de recrutamento.
Segundo a Apple, Tang Tan usava o conhecimento que tinha dos projetos internos da empresa para interrogar candidatos vindos de Cupertino durante as entrevistas. Mais do que isso: ele pedia que esses candidatos trouxessem amostras físicas de hardware e componentes da Apple para sessões de “show and tell”, como se fossem apresentações informais.
A empresa dá um exemplo concreto do que chama de “padrão estabelecido”: um candidato a uma vaga na OpenAI começou a tirar screenshots e baixar arquivos de um projeto altamente confidencial da Apple poucas horas antes de uma entrevista com Tan. Depois da conversa, Tan ainda incentivou o candidato a trazer mais informações sobre o projeto.
No caso de Chang Liu, a acusação é ainda mais direta. A Apple diz que ele explorou uma falha de segurança para baixar arquivos de engenharia confidenciais que somavam mais de mil páginas, incluindo informações sobre placas de circuito de dispositivos, e fez isso depois de já ter saído da empresa.
As demais acusações listadas no processo são:
- A Apple identificou um padrão de funcionários que, ao deixar a empresa rumo à OpenAI, tomavam medidas deliberadas para driblar os sistemas de segurança criados para proteger informações confidenciais.
- A OpenAI teria enganado um “parceiro de confiança” para que ele fizesse uma demonstração de uma técnica proprietária de acabamento em metal usada pela Apple.
- A OpenAI contratou mais de 400 ex-funcionários da Apple ao longo desse processo.
Em nota citada pelo The Wall Street Journal, a Apple afirmou: “Recentemente, evidências significativas surgiram sugerindo que indivíduos empregados pela OpenAI tomaram indevidamente informações secretas e confidenciais da Apple sobre nossas tecnologias, processos e produtos ainda não lançados.”
O que a Apple quer com o processo
A empresa pede três coisas ao tribunal: uma liminar para barrar o uso das informações roubadas, indenização pelos danos causados pelo roubo de segredos industriais e a destruição de todo o material proprietário da Apple que esteja em posse da OpenAI. Além disso, a Apple quer que os produtos de hardware que a OpenAI está desenvolvendo sejam redesenhados para não infringir sua tecnologia.
Na prática, isso pode travar o lançamento de pelo menos dois dispositivos que a OpenAI tem em desenvolvimento: um fone de ouvido com IA que internamente atende pelo codinome “Sweetpea” e pode chegar ao mercado como “Dime”, e um gadget em formato de caneta com o codinome “Gumdrop”.
A disputa de talentos que virou guerra jurídica
Essa ação não surgiu do nada. A OpenAI vem recrutando engenheiros e designers da Apple de forma agressiva desde que fechou a compra da io, a startup de Jony Ive. Em 2025, outros veículos especializados já reportavam que a empresa havia contratado dezenas de engenheiros da Apple, entre eles Matt Theobald, especialista em design de manufatura, e Cyrus Daniel Irani, que liderava o time de design de interface humana em Cupertino.
Para segurar quem ainda estava dentro de casa, a Apple passou a oferecer bônus anuais entre 200 mil e 400 mil dólares para os membros-chave do time de design, com o valor variando conforme o desempenho das ações da empresa. A disputa estava pegando fogo bem antes de chegar aos tribunais.
Do ponto de vista do mercado, o que está em jogo vai além de alguns engenheiros e arquivos. A OpenAI quer construir um dispositivo de consumo que dispute espaço com o iPhone. A Apple, por sua vez, está apostando pesado em IA embarcada nos seus próprios produtos. Se as acusações do processo se sustentarem, a OpenAI pode ter um problema sério antes mesmo de lançar seu primeiro hardware.
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O próximo capítulo dessa história deve ser a resposta da OpenAI ao processo, que ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações. A data de audiência inicial no Tribunal Federal da Califórnia ainda não foi divulgada.
Fonte: Wccftech
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