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Embraer 170 é usado para testar novo sistema de navegação magnética com sensores quânticos e supera GPS

Embraer E170

O GPS, que virou referência para navegação aérea, está cada vez mais vulnerável a interferências e falsificações de sinais. Para resolver isso, pesquisadores estão testando uma tecnologia que “lê” o campo magnético da Terra, sem depender de nenhum satélite. A chamada navegação magnética acaba de passar por um voo de quase quatro horas e meia sem GPS, e os resultados animaram os envolvidos.

O voo ocorreu em um avião teste Embraer 170 (orgulhosamente Made in Brasil), pilotado pela Honeywell em parceria com o Pentágono. A aeronave sobrevoou o Pacífico de Puget Sound até o sul do Alasca e voltou. Durante todo o trajeto, o sistema de navegação magnética manteve a precisão 89% melhor do que os sistemas inerciais tradicionais, segundo os dados divulgados no início de setembro de 2026.

Como funciona a navegação magnética

A técnica usa sensores quânticos ultrapreciosos, capazes de captar variações minúsculas no campo magnético gerado por diferentes tipos de rocha na crosta terrestre. Essas variações formam uma espécie de impressão digital magnética do planeta. O sistema compara essas leituras com um mapa magnético armazenado a bordo e, com isso, determina a posição da aeronave.

O coração dos sensores é um magnetômetro quântico. No caso do sistema desenvolvido pela australiana Q-CTRL, os sensores usam átomos de rubídio para medir o campo magnético. O processamento dos dados é feito por computadores convencionais, então não é necessário um computador quântico dentro do avião. A empresa publicou um artigo científico descrevendo o funcionamento do equipamento.

Embraer
Foto mostra avião da Embraer usado em testes de novo sistema de navegação e geoposicionamento. Reprodução.

Teste da Honeywell e do Pentágono

O voo de demonstração, realizado pela Honeywell em parceria com a Defense Innovation Unit (DIU) do Pentágono, durou quatro horas e 23 minutos. A aeronave partiu da região de Puget Sound, na costa oeste dos EUA, voou rumo ao sul do Alasca e retornou. Segundo a DIU, o sistema de navegação magnética forneceu dados de posição com uma melhora de 89% na acurácia quando comparado ao método inercial tradicional. Os pilotos visualizaram as informações de navegação em tablets comuns, o que mostra a simplicidade da interface.

Atualmente, aeronaves comerciais e militares já contam com sistemas de navegação inercial (INS), que calculam a posição a partir de um ponto conhecido usando acelerômetros e giroscópios. O problema é que pequenos erros de medição se acumulam ao longo do tempo, fazendo a posição calculada se distanciar da real. A navegação magnética corrige essa deriva sem precisar de GPS.

Avanços da Q-CTRL em parceria com a Airbus

A Q-CTRL, empresa australiana especializada em tecnologia quântica, também avançou nessa área. Em julho de 2026, anunciou que seu sistema Ironstone Opal recebeu a certificação de segurança de voo DO-160, padrão internacional da aviação. A empresa também reportou testes de voo nos quais a navegação magnética manteve a posição com erro inferior a 0,3 milhas náuticas (cerca de 550 metros) em 95% do percurso.

A tecnologia não se restringe a grandes aeronaves. A Q-CTRL já testou o equipamento em um Cessna Grand Caravan e desenvolveu uma versão menor para drones. A empresa colabora com a Airbus desde 2024 para avaliar o uso da navegação quântica na aviação comercial. Nenhuma das duas companhias divulgou preços para uma instalação completa em aeronaves.

O que falta para chegar ao Brasil

Por enquanto, não há informações sobre testes ou planos de adoção da navegação magnética no Brasil. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) não se manifestou sobre o tema. A tecnologia ainda enfrenta desafios: os próprios aviões geram campos magnéticos que podem interferir na medição, e o software precisa filtrar esse ruído. Especialistas comparam o desafio a tentar ouvir uma conversa baixa ao lado de um motor de jato.

Além disso, os mapas magnéticos disponíveis hoje ainda têm lacunas de detalhamento e consistência, como apontou um estudo de junho de 2026. Para que a navegação magnética se torne uma realidade na aviação civil brasileira, será necessário investir em mapeamento do subsolo nacional e em certificação junto às autoridades reguladoras.

O que ainda está em aberto

A Honeywell e a DIU planejam uma nova demonstração ainda em 2026, desta vez a bordo de um C-17 Globemaster III, cargueiro militar. O objetivo é provar que a tecnologia funciona em diferentes tipos de aeronave e condições de voo. A comercialização para aviação comercial ainda não tem data, mas os resultados até agora indicam que a navegação magnética pode se tornar um plano B confiável para quando o GPS falhar.

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Com os avanços da Honeywell e da Q-CTRL, a aviação pode em breve contar com um sistema de navegação à prova de jammers. O voo sobre o Pacífico mostrou que a ideia saiu do laboratório e já tem rodas de pouso no mundo real.

Fonte: AeroTime

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