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O que é Computação Quântica: um guia fácil para entender os computadores do futuro

Felipe Victor13 min de leituraVersão completa
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Você já deve ter ouvido falar sobre Computação Quântica e o quanto ela pode revolucionar o que conhecemos de computadores no futuro. Entretanto, como o assunto ainda é um nicho e permeia mais entre a comunidade ciêntifica do que na sociedade em geral, sobretudo por sua complexidade teórica e prática, decidimos construir um guia fácil para que você possa entender de uma vez por todas o futuro dos computadores.

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Para começar a entender um computador quântico, é preciso retomar a teoria do funcionamento de um computador tradicional, esse mesmo que você está usando para ler este artigo. Esse computador tradicional pode ser seu telefone, seu notebook, seu PC de mesa, seu relógio inteligente, enfim, o fato é que todos eles possuem algo em comum: o processamento de bits.

Como funciona o processamento de bits da computação tradicional

O processamento de bits 0 e 1 em computadores tradicionais é como um jogo de luzes. Imagine que cada bit é uma lâmpada que pode estar apagada ou acesa. Quando a lâmpada está apagada, isso representa o número 0, e quando está acesa, representa o número 1.

Os computadores usam muitos desses bits, juntos, para guardar e processar informações, assim como em um jogo onde você pode montar combinações diferentes de lâmpadas acesas e apagadas para criar imagens, sons ou textos. Então, tudo que você vê no computador, como desenhos, vídeos e jogos, é feito usando muitos bailarinos (bits) que se acendem e apagam para formar a dança da informação.

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O processamento de bits em computadores tradicionais utiliza a combinação de bits 0 e 1, cada um representando uma lâmpada apagada ou acesa. Essa variação permite a representação de informações complexas. Quando reunidos em arranjos específicos, esses bits podem formar:

Combinando esses bits, os computadores conseguem criar e processar uma diversidade absurda de tipos de dados, tudo isso orquestrado em uma “dança de luzes” que dá vida ao que vemos e ouvimos e que partem de 0’s e 1’s.

Processamento na Computação Quântica: Esqueça o bits e vamos para os Qubits

Na computação tradicional, como já falamos, tudo gira em torno dos bits, que são como pequenas lâmpadas que podem estar apagadas (0) ou acesas (1). Agora, quando falamos sobre computação quântica, entramos em um mundo totalmente diferente, que é como se saíssemos do nível das lâmpadas e fôssemos brincar diretamente com as partes menores que compõem essas lâmpadas: os átomos e suas partículas.

O que são Qubits?

Os “bits quânticos”, ou Qubits, são a base da computação quântica, e eles funcionam de uma maneira mágica! Enquanto um bit tradicional pode estar em um estado de 0 ou 1, um qubit pode ser 0, 1 ou, o mais legal de tudo, pode estar na mistura dos dois estados ao mesmo tempo! Imagine que, em vez de lâmpadas que estão apenas ligadas ou desligadas, você tem lâmpadas que podem brilhar em várias cores ao mesmo tempo, como um arco-íris!

Comparação com a Computação Tradicional

A magia da superposição

Quando você junta muitos qubits, eles podem representar muitas combinações de 0 e 1 ao mesmo tempo, como muitas lâmpadas brilhando de formas diferentes ao mesmo tempo. Isso significa que, ao contrário dos computadores tradicionais, que precisam analisar uma coisa de cada vez, os computadores quânticos podem explorar várias possibilidades simultaneamente!

O que mais os Qubits podem fazer?

Os qubits também têm outra habilidade incrível chamada entrelaçamento. Isso significa que qubits podem se conectar uns aos outros de uma forma que, se você mudar um, o outro muda instantaneamente, não importa o quanto eles estejam distantes um do outro. É quase como ter uma lâmpada que, quando você a apaga, apaga uma outra lâmpada que está do outro lado do mundo. Sim!! É isso mesmo que você pensou: teletransporte. Mas isso fica para um outro artigo, beleza!?

Então, enquanto os computadores tradicionais funcionam como uma dança simples de lâmpadas ligadas e desligadas, os computadores quânticos dançam em um espetáculo de luzes e cores, onde as lâmpadas podem estar em vários estados ao mesmo tempo e até se comunicar instantaneamente. Isso abre um mundo novo e emocionante de possibilidades para a tecnologia que estamos apenas começando a explorar!

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Computação quântica vs Computação tradicional

CaracterísticaComputação Tradicional (Bits)Computação Quântica (Qubits)
Estado0 ou 10, 1 ou ambos ao mesmo tempo (superposição)
RepresentaçãoLâmpadas apagadas ou acesasLâmpadas que podem brilhar em várias cores
ProcessamentoUm cálculo de cada vezVários cálculos ao mesmo tempo
Conexão entre dadosIndependentesEntrelaçados (mudanças instantâneas)
Eficiência em problemas complexosMenos eficiente em certos casosMais rápido para resolver problemas complexos

O poder da computação quântica é como ter superpoderes para resolver problemas muito difíceis! Vamos imaginar que a computação quântica é como uma super-equipe de super-heróis.

Quando você tem um computador tradicional, ele é como um herói que pode fazer uma tarefa de cada vez. Se você pedir para ele encontrar o caminho de volta para casa, ele vai fazer isso seguindo cada caminho, um de cada vez. Isso pode demorar um pouco, especialmente se houver muitos caminhos.

Agora, com a computação quântica, é como se a nossa super-equipe de heróis pudesse explorar todos os caminhos ao mesmo tempo! Eles podem usar uma mágica chamada “superposição”, que permite que eles estejam em muitos lugares ao mesmo tempo, investigando todos os caminhos diferentes para encontrar a melhor solução rapidamente.

E tem mais! Esses heróis quânticos também têm uma habilidade especial de se comunicar entre si, mesmo que estejam longe, como amigos que podem falar telepaticamente. Isso significa que se um herói descobrir algo, todos os outros podem saber instantaneamente!

Então, a computação quântica é importante porque pode nos ajudar a resolver problemas grandes e complicados, como descobrir novos medicamentos, entender o clima, ou até mesmo criar jogos e imagens incríveis, muito mais rápido e eficientemente do que os computadores tradicionais. É como ter um herói em sua equipe, pronto para enfrentar qualquer desafio!

Na computação tradicional, também podemos processar “vários” desses caminhos de uma só vez, mas precisamos usar paralelismo para otimizar o desempenho. O paralelismo permite que múltiplas operações sejam executadas simultaneamente, o que é crucial em cenários onde a velocidade de processamento é vital.

Isso é especialmente útil em tarefas complexas, como análise de grandes volumes de dados ou renderização de gráficos. Ao dividir as tarefas em subtarefas que podem ser realizadas ao mesmo tempo, os sistemas aproveitam melhor os recursos disponíveis, resultando em eficiência e redução do tempo de espera.

Entretanto, esbarramos em alguns limites físicos da computação tradicional, como a Lei de Moore, que prevê que a quantidade de transistores em um microchip dobraria aproximadamente a cada dois anos, mas que, nos últimos tempos, tem encontrado barreiras significativas na miniaturização dos circuitos.

Esses limites físicos não apenas dificultam a criação de processadores mais rápidos e eficientes, mas também impõem restrições em relação ao consumo de energia e à dissipação de calor, tornando cada vez mais desafiador o avanço tecnológico em áreas como inteligência artificial e computação em nuvem. À medida que a demanda por maior capacidade de processamento cresce, a indústria se vê obrigada a explorar alternativas, como a computação quântica e novos materiais, a fim de superar esses obstáculos e continuar a inovar.

Comparação matemática: Qubits vs Bits

QubitsBits
12
24
38
416

Nesta tabela, cada Qubit adicionado dobra a quantidade de Bits que podem ser representados, mostrando a capacidade exponencial dos Qubits em comparação com os Bits tradicionais. É muito simples fazer esse cálculo. Basta elevar o número de Qubits à base 2. Então, suponha que você queira saber quantos Bits equivalem a 20 Qubits. Nesse caso, você faz 2^20, que é o mesmo que 2 multiplicado por si mesmo 20 vezes.

Com essa brincadeira matemática, é que os números vão crescendo exponencialmente, e aí a gente abre a proposta do futuro: a computação quântica é tão poderosa, que consegue resolver problemas que a computação tradicional levaria centena de milhares de anos, permitindo assim que possamos abordar questões complexas em áreas como a medicina, a otimização de processos industriais e a segurança da informação.

Essa tecnologia emergente promete revolucionar não apenas a forma como processamos dados, mas também como entendemos e interagimos com o mundo ao nosso redor, abrindo caminho para inovações que antes pareciam impossíveis e ampliando nossas capacidades cognitivas a limites nunca antes imaginados.

Imagem: Chip quântico ‘Majorana 1’ desenvolvido pela Microsoft. Reprodução The New York Times

Exemplos de áreas onde a Computação Quântica deve ser fundamental

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O que ainda falta para a Computação Quântica se tornar comercial?

Embora a computação quântica prometa revolucionar o mundo da tecnologia, existem vários desafios que precisam ser superados antes que ela se torne comercialmente viável. Um dos principais obstáculos está relacionado à alta sensibilidade dos qubits a erros.

Sensibilidade e erros nos Qubits

Os qubits são extremamente sensíveis a perturbações externas, como ruídos térmicos e interferências magnéticas. Esse fenômeno é conhecido como decoerência, que ocorre quando um qubit perde sua propriedade quântica devido à interação com o ambiente.

Como resultado, as informações processadas podem ficar corrompidas, levando a erros nos cálculos. Esse problema é desafiador, pois, enquanto os computadores tradicionais podem ter protocolos de correção de erros eficazes, a correção de erros quânticos é complexa e ainda está em fase de pesquisa.

Avanços e progresso no segmento

Nos últimos anos, houve avanços significativos na área de computação quântica. Pesquisadores e empresas têm trabalhado incansavelmente para desenvolver qubits mais estáveis e resistentes a erros.

Por exemplo, algumas abordagens incluem a implementação de qubits topológicos, que têm o potencial de reduzir a sensibilidade a ruídos externos, e a utilização de algoritmos de correção de erros quânticos, que poderiam ajudar a reparar falhas durante os cálculos.

Além disso, várias grandes empresas e instituições de pesquisa começaram a investir pesado em infraestrutura, tecnologia e talentos na área de computação quântica. Isso inclui a criação de plataformas de computação quântica na nuvem, tornando mais acessível o uso dessa tecnologia para pesquisadores e empresas que desejam explorar suas capacidades.

O caminho a seguir

Para que a computação quântica avance e se torne uma realidade comercial, ainda há alguns aspectos que precisam ser abordados:

  1. Desenvolvimento de Hardware: Criar qubits com maior estabilidade e resistência a erros é essencial para viabilizar computações quânticas em larga escala.
  2. Melhorias em algoritmos: O desenvolvimento de novos algoritmos quânticos que possam explorar efetivamente a superposição e o entrelaçamento dos qubits será crucial.
  3. Escalabilidade: É preciso encontrar maneiras de aumentar o número de qubits em um chip quântico, mantendo a conexão e a orquestração necessária entre eles para que funcionem de maneira eficaz.
  4. Formação de Talentos: A formação de uma nova geração de cientistas, engenheiros e profissionais com conhecimentos em computação quântica e tecnologias correlatas é fundamental para impulsionar a pesquisa e a implementação dessa tecnologia.

À medida que esses desafios forem superados, a computação quântica poderá não apenas complementar, mas em muitos casos, substituir a computação tradicional em tarefas complexas, trazendo benefícios que hoje estão além da nossa compreensão. O futuro é empolgante, e à medida que a pesquisa avança, as portas se abrirão para uma nova era de inovações tecnológicas.

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