EUA banem Deepseek do governo; China protesta e acusa hipocrisia por bloquear IAs rivais
Os EUA proibiram o Deepseek em órgãos federais, e a China reagiu com duras críticas. No entanto, Pequim mantém um cerco ainda mais duro contra ChatGPT, Claude e Gemini no país.

Os Estados Unidos decidiram banir o Deepseek, o chatbot chinês de inteligência artificial, de todos os sistemas do governo federal civil. A ordem partiu do Departamento de Segurança Interna (DHS) e atinge também qualquer software construído sobre os modelos de código aberto da empresa. A China reagiu com força: o Ministério das Relações Exteriores chamou a medida de discriminação, e o Ministério do Comércio exigiu que o banimento seja suspenso, prometendo contramedidas.
Resumo
- EUA baniram o Deepseek de todos os sistemas do governo federal civil.
- China protestou e acusou hipocrisia, mas bloqueia IAs ocidentais no país.
- Pequim exige revisão e conformidade política para serviços de IA desde 2023.
- Ambos os países usam segurança nacional para proteger mercados e tecnologias.
O argumento de Washington é que Pequim pode ter acesso a dados sensíveis por meio do Deepseek. A China, porém, está em terreno frágil para reclamar. Enquanto protesta contra o bloqueio americano, o país mantém um cerco ainda mais rigoroso contra as IAs ocidentais. ChatGPT, Claude e Gemini, por exemplo, não são aprovados para uso na China.
Desde 2023, a Administração do Ciberespaço chinesa exige que todos os serviços de IA passem por uma revisão e estejam em conformidade com as diretrizes políticas do Partido Comunista. A regra vale para o mercado inteiro, não apenas para órgãos públicos. Além disso, órgãos estatais e empresas controladas pelo governo são orientados a substituir gradualmente hardware e software estrangeiros por equivalentes nacionais. Relatos apontam até restrições ao uso de iPhones por funcionários públicos.
O bloqueio chinês é mais amplo e explícito que o americano
A indignação de Pequim soa vazia, mas não é apenas teatro. O governo chinês também propôs, na semana passada, controles próprios de exportação e licenciamento para tecnologias de IA, num movimento similar ao dos EUA. Enquanto Washington mira em um país, a China fecha o mercado inteiro para concorrentes estrangeiros.
O que é DHS (Departamento de Segurança Interna)? Agência federal dos EUA responsável por segurança nacional e imigração.
Há ainda um fundamento concreto para as preocupações americanas. A Lei de Inteligência Nacional de 2017 obriga empresas e cidadãos chineses a cooperar com os serviços de inteligência do país. Modelos de IA chineses carregam viés político: evitam tópicos sensíveis e repetem a propaganda estatal com menos crítica que os modelos ocidentais. E, no campo econômico, agências dos EUA, como o FBI, acusam empresas chinesas de copiar modelos americanos em escala industrial — acusação que Pequim nega.
Curiosamente, apesar do discurso de autossuficiência, gigantes chinesas de tecnologia seguem investindo pesadamente em hardware da Nvidia, mesmo com o risco de interrupção no fornecimento. Ou seja, na prática, a dependência do ecossistema americano continua.
Protesto tem alvo político, não moral
O protesto chinês serve a vários propósitos internos e externos. Mostra às empresas locais que o governo está disposto a defendê-las. Reforça, para outros países, a narrativa de que os EUA querem monopolizar a indústria de IA. E, acima de tudo, prepara o terreno para retaliações futuras, que Pequim poderá apresentar como meras respostas ao ataque americano.
No fim, tanto EUA quanto China invocam segurança nacional para proteger seus mercados e tecnologias. Washington já faz isso com controles rígidos de exportação de chips. A indignação de Pequim pode não ser crível, mas o sinal político por trás dela merece atenção.
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Fonte: The Decoder
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