Xbox não pode ser plataforma e maior publisher do mundo, alertam ex-executivos
Ex-executivos da Sony e Microsoft alertam que o Xbox precisa escolher entre ser plataforma ou maior publisher do mundo. Crise já custou 3.200 demissões.

A divisão Xbox da Microsoft enfrenta uma crise de identidade que já custou mais de 3.200 demissões, fechamento de estúdios e a perda de milhões de assinantes do Game Pass. No centro do problema está uma pergunta que a empresa ainda não conseguiu responder: afinal, o que é o Xbox? Uma plataforma de consoles ou a maior editora de jogos do mundo?
Dois ex-executivos de peso, um vindo da Sony e outro da própria Microsoft, cravaram a mesma resposta: a empresa precisa escolher um caminho, porque tentar seguir os dois ao mesmo tempo está destruindo a marca.
Shawn Layden: as duas estradas não convergem
Shawn Layden, que passou mais de trinta anos na Sony como presidente e CEO da PlayStation America e depois chairman da Sony Worldwide Studios, disse ao site Eurogamer que a Microsoft está diante de uma encruzilhada inevitável.
“Há duas estradas. Ser um rival de plataforma competitivo no mercado contra a PlayStation, ou ser a maior publisher de jogos do mundo, o que, com base em todas as aquisições que fez, já está perto de ser. Mas essas duas estradas não convergem. Elas necessariamente divergem”, afirmou Layden.
Para ele, uma plataforma de sucesso precisa de conteúdo exclusivo, como a Nintendo tem com Mario e Zelda e a PlayStation tem com God of War e Horizon — franquias que devem ganhar um novo capítulo em breve, com God of War Laufey podendo chegar no primeiro semestre de 2027. Já uma publisher que quer ser a maior do mundo precisa levar seus jogos para todas as plataformas. “Como first-party de uma plataforma, meu trabalho não era ser a maior publisher do mundo. Na verdade, era contra o meu interesse começar a tomar espaço dos meus parceiros”, explicou.
Jon Kimmich: Xbox não pode ser tudo ao mesmo tempo
Na mesma linha, Jon Kimmich, que foi lead product planner da Microsoft Games Studios durante a concepção do primeiro Xbox e ajudou a trazer franquias como Halo (Bungie) e BattleTech (FASA) para a empresa, escreveu um artigo no GamesBeat defendendo que a Microsoft precisa estabelecer uma hierarquia clara de prioridades.
“Xbox precisa decidir o que é. Uma plataforma? Uma publisher? Um serviço de assinatura? Um negócio de hardware? Um ecossistema de entretenimento? Pode ser mais de uma coisa, mas não pode ser tudo ao mesmo tempo, se comportando como se todas essas missões fossem igualmente verdadeiras o tempo todo”, escreveu Kimmich.
Segundo ele, a empresa não pode ser simultaneamente a Netflix dos jogos (com o Game Pass), uma plataforma de console no estilo Sony, um concorrente da Steam (com o aplicativo Xbox no PC), uma entrante no mercado de nuvem e uma publisher de escala da Disney sem decidir qual desses negócios paga pelos outros.
Uma crise de identidade que custa caro
O problema, segundo os dois executivos, não é que a Microsoft precise abandonar completamente publishing, assinaturas, PC, nuvem ou hardware. A questão é que a empresa nunca estabeleceu uma hierarquia de prioridades. Cada pivô estratégico foi apresentado como aditivo, sem explicar como objetivos conflitantes coexistem sem se prejudicar mutuamente.
Exclusivos importam, até que não importam mais. Consoles importam, mas todo dispositivo é um Xbox. O Game Pass é o futuro, mas vendas premium de jogos e publishing multiplataforma também são o futuro. A Microsoft nunca convenceu jogadores, desenvolvedores ou parceiros de como essas prioridades se encaixam — especialmente depois de a própria Xbox admitir que o negócio não está saudável e que o futuro dos exclusivos pode mudar.
Asha Sharma, a atual CEO do Xbox, herdou uma divisão que precisa desesperadamente dessa resposta. Cortar estúdios e demitir milhares de funcionários pode melhorar uma planilha no curto prazo, mas não diz a ninguém por que o Xbox existe. Enquanto a Microsoft não decidir se o Xbox é uma plataforma construída em torno de hardware e conteúdo exclusivo ou uma publisher que precisa estar em todo lugar, a marca vai continuar presa em uma crise de identidade que custa dinheiro e talento humano.
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O diagnóstico está dado. Agora resta saber se a Microsoft terá coragem de fazer a escolha que Layden e Kimmich apontam como inevitável.
Fonte: Wccftech
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