UE pode obrigar Meta a desativar scroll infinito e autoplay no Facebook e Instagram
A UE aponta que scroll infinito, autoplay e notificações do Facebook e Instagram violam o DSA e podem obrigar a Meta a redesenhar as plataformas.

Pile of 3D Instagram Logos
A União Europeia resolveu mirar no coração do que faz o Facebook e o Instagram serem tão difíceis de largar. A Comissão Europeia divulgou conclusões preliminares apontando que as duas plataformas da Meta podem estar violando o Regulamento dos Serviços Digitais, o DSA, por causa de escolhas de design que, segundo os reguladores, empurram os usuários para um estado de uso automático e compulsivo.
Na prática, o que está na mira são recursos que qualquer pessoa reconhece na própria experiência: o scroll infinito que nunca chega ao fim, os vídeos que começam a tocar sozinhos, as notificações que puxam o usuário de volta ao app a toda hora e os algoritmos de recomendação calibrados para manter a atenção por mais tempo. Juntos, esses mecanismos podem criar padrões de uso prejudiciais, especialmente para adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade, segundo o comunicado oficial da Comissão Europeia.
O que os reguladores europeus estão questionando
A Comissão argumenta que a Meta não avaliou adequadamente os riscos criados pelas próprias escolhas de design do Facebook e do Instagram, nem tomou medidas suficientes para reduzi-los. O scroll infinito carrega novos conteúdos sem parar. O autoplay dispara vídeos sem que o usuário precise fazer nada. As notificações funcionam como chamados constantes. E os algoritmos aprendem, com precisão crescente, o que mantém cada pessoa colada na tela por mais tempo.
O resultado é familiar para quase todo mundo: você abre o Instagram para ver uma mensagem rápida e, dez ou vinte minutos depois, percebe que estava rolando o feed no piloto automático. Para os reguladores europeus, isso não é coincidência nem fraqueza do usuário. É o produto de decisões deliberadas de engenharia que as plataformas têm obrigação legal de revisar.
As ferramentas atuais da Meta não convencem a UE
A Meta já oferece lembretes de tempo de tela, configurações específicas para adolescentes, controles parentais e acesso a recursos de saúde mental. A Comissão Europeia, porém, avalia que essas salvaguardas ficam aquém do necessário.
Segundo os reguladores, os avisos de tempo de uso são fáceis demais de dispensar com um toque. Os controles parentais, por sua vez, exigem um nível de conhecimento técnico que boa parte dos pais simplesmente não tem. Além disso, a Comissão afirma que a Meta não conduziu uma avaliação adequada sobre como o design das plataformas afeta o bem-estar físico e mental dos usuários.
Do ponto de vista regulatório, o argumento central é mais amplo do que simplesmente dizer que o Instagram é viciante demais. A UE está estabelecendo que grandes plataformas têm a obrigação ativa de reduzir os riscos gerados por suas próprias decisões de design — uma pressão que cresce em paralelo aos movimentos legislativos que reacenderam projetos de lei contra big techs em outras partes do mundo. Jogar alguns controles opcionais no canto das configurações e chamar isso de solução não é suficiente.
O que pode mudar no Facebook e no Instagram na Europa
Se as conclusões preliminares se confirmarem, a Meta pode ser obrigada a redesenhar partes do Facebook e do Instagram para o mercado europeu. Isso poderia significar desativar o autoplay e o scroll infinito como configuração padrão, tornar os alertas de pausa mais difíceis de ignorar e ajustar os sistemas de recomendação para que deixem de priorizar o engajamento máximo acima de tudo.
Em outras palavras, as plataformas poderiam se tornar menos agressivas na disputa pela atenção dos usuários europeus. Não é uma mudança pequena: esses recursos estão no centro do modelo de negócio que mantém as pessoas dentro dos apps por mais tempo e, consequentemente, expostas a mais anúncios.
Vale deixar claro que ainda não há uma decisão final. A Meta tem o direito de analisar as conclusões da Comissão, examinar as evidências e apresentar sua resposta por escrito. O Conselho Europeu para os Serviços Digitais também será consultado antes de qualquer resolução definitiva.
Se a violação for confirmada, a multa pode chegar a 6% do faturamento anual global da empresa, com o valor dependendo da gravidade e da duração da infração. Considerando a receita da Meta — que segue investindo pesado em infraestrutura, inclusive negociando contratos bilionários para fabricar chips de IA de próxima geração —, esse percentual representa uma quantia que faz qualquer CFO perder o sono.
📲 Essa disputa entre a UE e a Meta ainda tem muitos capítulos pela frente, e cada desdobramento pode mudar a forma como você usa as redes sociais. Para não perder nenhuma atualização, entra no Canal do TS no WhatsApp, onde a notícia chega antes de virar assunto no feed.
O próximo passo agora é acompanhar a resposta da Meta à Comissão e o parecer do Conselho Europeu para os Serviços Digitais. A decisão final pode estabelecer um precedente que vai muito além da Europa, pressionando outras regiões do mundo a discutir os mesmos limites para o design de plataformas digitais.
Fonte: SammyGuru
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