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Adeus ARM e AMD: Samsung quer CPU e GPU próprias no Exynos 2800 de 2027

Felipe Victor4 min de leitura
Exynos 2600

Samsung está pronta para sair da sua zona de conforto. Segundo o Android Headlines, a fabricante sul-coreana planeja lançar em 2027 o Exynos 2800, seu primeiro chip flagship com CPU e GPU totalmente desenvolvidas internamente. Se der certo, a estratégia pode mudar o jogo de performance, autonomia e até o preço dos futuros Galaxy — inclusive aqui no Brasil.

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Depois de usar projetos da ARM e da parceira AMD, a meta agora é verticalizar tudo: controlar hardware e software desde a fundação. É um passo ousado para bater de frente com o domínio dos chips da Apple e colocar pressão sobre Qualcomm e MediaTek.

De Mongoose a vanilla: o histórico que ensina

Entre 2016 e 2020, a Samsung apostou alto nas CPU “Mongoose”, desenvolvidas pelo time de Austin (EUA). A ideia era criar núcleos exclusivos, mais rápidos que os da ARM. Mas, na prática, o resultado foi quente demais: consumo de bateria maior e eficiência aquém dos concorrentes.

A derrota custou caro. O time americano foi fechado, e a Samsung voltou aos núcleos “vanilla” da ARM, os mesmos usados por quase toda a indústria Android. O recuo fez muita gente duvidar da capacidade de design interno da fabricante.

Por que 2027 é o ano da virada

Segundo o tipster Smart Chip Guide no Weibo, o Exynos 2800 vai abandonar de vez os designs prontos da ARM. A promessa é ter:

  • Arquitetura de CPU customizada, sem depender mais dos “Cortex” da ARM;
  • GPU própria, no lugar da parceria com a AMD e sua tecnologia RDNA;
  • Foco total em inteligência artificial, gaming e eficiência energética.

Com total controle sobre cada transistor, a Samsung espera extrair o máximo de performance e autonomia, sem ficar limitada por licenciamento ou roadmap de terceiros.

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Os riscos de brincar de arquiteto de chips

Reinventar a roda exige investimento e paciência. No passado, o esforço com Mongoose gerou resultados modestos e prejuízo em tempo e reputação. Agora, a Samsung conta com:

  • Maior expertise acumulada após anos de parceria com a ARM;
  • Recursos bilionários para P&D, incluindo novos laboratórios de semicondutores;
  • Pressão do mercado, onde Apple ditou padrões de eficiência com a série M.

Mesmo assim, não há garantia de sucesso. Se a customização não entregar ganhos claros em consumo de energia e calor, a Samsung pode repetir os erros de 2016.

O que muda para o Brasil?

Por aqui, o impacto pode ser duplo. De um lado, um chip mais eficiente e potente deixa os Galaxy mais atraentes para quem consome muita mídia, joga no celular ou usa apps de IA no dia a dia. De outro, há chance de o custo final subir: desenvolvimento interno pesa no preço de venda.

Em mercados como o nosso, com impostos que ultrapassam 60% em eletrônicos, qualquer alta de custo de produção tende a refletir no valor sugerido. Então, se o Exynos 2800 chegou a custar US$ 150 nos EUA, espere aparelhos com valor bem acima do esperado ao desembarcar no Brasil.

Quem ganha e quem perde

  • Samsung: pode liderar em desempenho e eficiência, mas arrisca falhar de novo.
  • Apple: perde um pouco do brilho exclusivo da verticalização dos rivais Android.
  • Qualcomm e MediaTek: sentem pressão para inovar ou repensar parcerias.
  • Consumidor brasileiro: ganha tecnologia de ponta, mas pode pagar mais caro.

Para ficar de olho

O desenvolvimento do Exynos 2800 ainda está no estágio inicial, e só saberemos se a Samsung entregará a autonomia prometida quando os primeiros benchmarks aparecerem, lá por 2027. Enquanto isso, vale acompanhar o avanço dos concorrentes e a evolução dos rivais da Qualcomm.

Então, fique ligado: se a Samsung fizer direito, o próximo Galaxy pode vir com um “motor” tão exclusivo quanto os chips da Apple. E aqui no Brasil, a briga por performance, autonomia e preço vai ficar ainda mais acirrada.

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