Samsung vê divisão de celulares lucrar 1% do que semicondutores faturam
Divisão de celulares da Samsung deve lucrar apenas 1% do que os semicondutores faturam no 2º trimestre de 2026. Abismo nos bônus e chipflation explicam o cenário.

Imagem: Reprodução CNET
A diferença entre o peso de cada braço da Samsung dentro de casa virou um abismo. Enquanto a divisão de semicondutores da companhia vive uma fase de vacas gordas, o setor de celulares patina e deve amargar um lucro equivalente a mísero 1% do que a unidade de chips vai embolsar neste trimestre.
O número foi revelado pelo vazador Ice Universe, conhecido por antecipar movimentos da gigante sul-coreana. Segundo ele, a projeção para o segundo trimestre de 2026 mostra que o lucro operacional da divisão mobile da Samsung pode ser quase irrelevante diante do que a divisão de semicondutores deve reportar no mesmo período.
Abismo nos bônus escancara a desigualdade interna
A disparidade não aparece só nos balanços. Ela bate no bolso dos funcionários de forma brutal. Com a expectativa de que a Samsung feche o ano com um lucro operacional de cerca de 300 trilhões de won, cada funcionário da área de semicondutores pode embolsar até 600 milhões de won em bônus — o equivalente a mais de R$ 2 milhões.
Esse valor é resultado de um acordo que destina 10,5% do lucro operacional anual da companhia para um bônus especial de desempenho dos trabalhadores da memória. Do outro lado, quem trabalha com celulares na Samsung vai levar para casa apenas 6 milhões de won em bônus neste ano, algo em torno de R$ 20 mil. A diferença é de cem vezes.
Chipflation aperta e empurra preços para cima
O principal motivo para o sufoco da divisão mobile é o que os analistas chamam de chipflation — a inflação no preço das memórias. O encarecimento dos componentes já fez até a Apple admitir que os valores se tornaram insustentáveis e que reajustes são inevitáveis.
Na prática, a Samsung está sendo forçada a repassar esses custos para o consumidor. A empresa já confirmou que a linha Galaxy Z Fold 8, que inclui o modelo Ultra, vai chegar mais cara. Os mercados mais afetados devem ser Europa e Ásia, e o Z Fold 8 Ultra pode ultrapassar a barreira dos 1.999 euros. O movimento preocupa porque pode derrubar ainda mais a demanda por dobráveis, que já enfrentam um mercado mais cauteloso.
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Com o lançamento dos novos dobráveis marcado para julho, o próximo passo da Samsung será convencer o público de que o preço mais salgado faz sentido. Em um cenário onde o custo dos componentes só sobe e a divisão mobile perde fôlego, a aposta em celulares premium pode ser tanto uma saída quanto um risco.
Fonte: Wccftech
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