TecStudio
- Publicidade -

Tesla com FSD ativo colide em viatura na Califórnia: motorista dormia e dois policiais feridos

Tesla com FSD ativo colide em viatura da CHP nos EUA. Motorista dormiu, dois policiais feridos. O histórico de acidentes e os riscos do sistema Full Self-Driving da Tesla.

Rockweew
Rockweew
6 min
Tesla

Na madrugada de 13 de outubro, um Tesla com o sistema Full Self-Driving (FSD) ativo colidiu contra uma viatura da Polícia Rodoviária da Califórnia (CHP) em Fairfield, na interestadual 80. O motorista, de 22 anos, disse aos investigadores que estava dormindo no momento do impacto. Dois policiais que estavam dentro do carro sofreram ferimentos graves.

Resumo

  • Motorista dormia quando Tesla com FSD ativo colidiu em viatura na Califórnia.
  • Dois policiais ficaram gravemente feridos no acidente em Fairfield.
  • Sistema de monitoramento do FSD pode ser burlado, levantando dúvidas sobre segurança.
  • Acidente é mais um em série de cinco anos de Teslas batendo em veículos de emergência.
- Publicidade -

Imagens da câmera de bordo da viatura, divulgadas pela CHP na quinta-feira (15), mostram o Tesla avançando em velocidade de rodovia por um trecho fechado com cones e sinalizadores. O acidente é o episódio mais recente de uma série que já dura cinco anos: Teslas equipados com sistemas de direção assistida batendo em veículos de emergência parados em cenas de acidente.

O cenário do acidente

O local já estava isolado. Quatro pistas estavam bloqueadas com cones e sinalizadores porque, cerca de uma hora antes, uma batida fatal havia sido registrada no mesmo trecho. Um jovem de 19 anos morreu após perder o controle do Honda Civic e ser atingido por um Chevrolet Tahoe. Os policiais da CHP trabalhavam na ocorrência quando o Tesla surgiu em velocidade de rodovia e atingiu a traseira do Dodge Charger onde eles estavam. O motorista do Tesla saiu com ferimentos leves.

O caso se junta a uma sequência de incidentes que levantam dúvidas sobre a segurança dos sistemas de direção assistida da Tesla. Em junho de 2024, um Tesla com FSD colidiu com uma viatura estacionada em Fullerton – também durante um atendimento de acidente fatal. Naquela ocasião, o motorista admitiu estar usando o celular. Esse padrão de complacência já foi analisado em detalhe aqui no TS.

O problema do monitoramento do motorista

O FSD (Supervisionado) usa a câmera interna para verificar se o motorista está prestando atenção na estrada. O sistema emite alertas sonoros e pode desativar o piloto automático se o motorista desvia o olhar por muito tempo. Um motorista dormindo deveria, em tese, ser detectado rapidamente. Mas não foi o que aconteceu em Fairfield.

O que é FSD (Full Self-Driving)? Sistema de direção assistida avançado da Tesla que exige supervisão constante do motorista.

A CHP ainda não divulgou qual versão do software estava rodando no Tesla nem o modelo exato do veículo. Os registros internos do carro – os logs de telemetria – serão a peça-chave para saber se o sistema realmente estava ligado e por que não detectou o sono do motorista.

Há indícios de que o sistema de monitoramento pode ser facilmente burlado. Em agosto de 2026, reportagens mostraram que basta um objeto simples, como uma nota de dólar sobre a câmera, para enganar o sistema. O próprio Elon Musk declarou em dezembro de 2025 que os motoristas já poderiam “enviar mensagens e dirigir” com o FSD, dependendo do contexto – algo que é ilegal em vários estados, inclusive na Califórnia.

Cinco anos de Teslas colidindo com viaturas

A NHTSA, agência de segurança de trânsito dos EUA, abriu uma investigação sobre o assunto em agosto de 2021, depois de uma série de acidentes semelhantes com o Autopilot – o sistema predecessor do FSD. O caso terminou com o recall de mais de 2 milhões de veículos em dezembro de 2023, corrigido com uma atualização de software que reforçou os alertas de atenção.

O FSD, que no papel é mais avançado, não resolveu o problema. A cena de Fairfield – uma rodovia à noite, com cones, sinalizadores e pistas fechadas – é um sinal claro de perigo que qualquer motorista atento reconheceria. O Tesla passou direto.

O que isso significa para o Brasil

O Full Self-Driving da Tesla não está disponível oficialmente no Brasil. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Contran ainda discutem regras para veículos autônomos no país, e nenhum sistema de nível 3 ou superior foi homologado por aqui. Mas o debate sobre os riscos dessas tecnologias é global.

Acidentes como o de Fairfield servem de alerta para os órgãos reguladores brasileiros. Se o FSD um dia chegar ao mercado nacional, o sistema de monitoramento do motorista terá que ser robusto o suficiente para evitar o tipo de complacência que já causou ferimentos graves nos Estados Unidos. Além disso, a propaganda enganosa – vender um sistema como “direção autônoma total” quando ele exige supervisão constante – é um problema que a justiça brasileira já enfrenta em outros setores.

A responsabilidade da Tesla

O motorista é, sem dúvida, o responsável por não dirigir. Se ele dormiu ao volante a 100 km/h, quase matou dois policiais que já estavam lidando com uma tragédia. A CHP tem razão ao afirmar que a tecnologia não exime ninguém de dirigir com atenção.

Mas a Tesla não sai ilesa. A empresa chama o sistema de “Full Self-Driving” – nome que até a Europa considerou enganoso. Na Alemanha, o nome foi banido para vendas. O CEO incentiva publicamente o uso do sistema para atividades como enviar mensagens. Quando a propaganda diz que o carro dirige sozinho, uma parcela dos motoristas acredita. E um jovem de 22 anos voltando para casa à meia-noite é exatamente o perfil que acredita.

A Justiça americana já começou a entender isso. Em fevereiro de 2026, um júri na Flórida condenou a Tesla a pagar US$ 243 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) em um acidente com o Autopilot, colocando um terço da culpa na fabricante. No Texas, outro caso em junho mostrou o mesmo padrão de complacência. Culpa do motorista e culpa da empresa não são mutuamente excludentes.

O que ainda está em aberto

A investigação da CHP segue em andamento. Os logs do Tesla vão determinar se o FSD estava mesmo ligado e qual versão do software estava em uso. Também não se sabe se o motorista enfrentará acusações criminais. A NHTSA pode reabrir a investigação sobre o sistema de monitoramento, principalmente depois da facilidade de burlá-lo que foi exposta em agosto.

Para quem acompanha o setor, o caso de Fairfield é mais um capítulo de uma história que está longe do fim: sistemas de direção assistida que ficam melhores – e por isso mesmo criam mais complacência – sem que a responsabilidade legal e a regulação acompanhem.

Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 16/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,08). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.

📲 A segurança de carros autônomos é um tema que não sai do radar. Para receber as atualizações sobre investigações e decisões judiciais que podem impactar o mercado brasileiro, entre no Canal do TS no WhatsApp.

- Publicidade -
Rockweew

Escrito por

Rockweew

Vivi a era Habbo, Orkut e afins... claramente a melhor fase pop da internet. Aqui tento noticiar o diverso mundo mobile, mas não se surpreenda se eu publicar algo sobre música, entretenimento e tecnologia em geral.