Amd acende alerta: briga por memória entre ia e celular vai encarecer smartphones

A AMD colocou um balde de água fria em quem achava que os preços dos celulares já tinham subido o suficiente. Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre, realizada na terça-feira (3), a CEO Lisa Su soltou um aviso que ecoa direto no bolso de quem compra smartphone: a demanda por memória está maior que a oferta, e isso vai empurrar os preços para cima.
US$ 8,5 bilhões
Receita de data centers da AMD no 3º tri
Fonte: AMD
Não é só a conta da AMD. O problema é que os chips de IA e os celulares disputam o mesmo tipo de memória, fabricada por um punhado de empresas. Quando um lado puxa tanto quanto os data centers de inteligência artificial estão puxando, o outro lado sobra com a fatura mais salgada.
O recado da AMD sobre a memória que falta
A teleconferência com analistas depois do balanço do 3º trimestre deixou claro que a AMD virou uma empresa de IA. Só a divisão de data centers gerou US$ 8,5 bilhões (cerca de R$ 46,6 bilhões) em receita no trimestre, mais da metade do faturamento total e 97% a mais que no mesmo período do ano passado. A empresa reportou US$ 13,4 bilhões no trimestre, alta de 45%.
“A demanda é maior que a oferta agora, e isso está empurrando os preços para cima em muitos componentes”, disse Lisa Su. A CFO Jean Hu completou o quadro: HBM (High Bandwidth Memory, a memória de alta largura usada em servidores de IA) e outros componentes continuam com oferta apertada, o que pode frear a velocidade com que a AMD entrega seus sistemas de inteligência artificial.
Para tentar se adiantar, a AMD disse que trabalhou “para garantir os wafers, substratos, empacotamento avançado e memória” de que precisa, com planos de “aumentar substancialmente a oferta em 2027”. A companhia é uma das maiores compradoras de memória do mundo e, se ela está com dificuldade, o resto do mercado sofre junto.
Por que a briga pela memória sobra no seu celular
A ligação entre data centers e celulares não é óbvia, mas é direta. Os chips de IA usam HBM, um tipo de memória de altíssimo desempenho. Só que HBM e a RAM dos smartphones saem das mesmas fábricas. Samsung, SK Hynix e Micron controlam cerca de 90% da oferta mundial de memória, e o HBM vende com margens tão altas que essas empresas não têm incentivo para desviar capacidade para a memória comum de celulares.
É oferta e demanda pura: sobra menos capacidade para a RAM de smartphones, o que encarece o componente. E a AMD é cliente grande demais para ser ignorada. Na semana passada, a Samsung Foundry fechou um acordo para produzir a base dos chips HBM da AMD no Texas, ocupando praticamente toda a capacidade de uma fábrica inteira. Não sobra quase nada para o resto.
A exceção, segundo a análise, fica com Apple e Samsung, que têm contratos próprios de memória e escala para se proteger. Para o resto da indústria de Android, o cenário é mais apertado.
O que esperar dos preços dos celulares em 2027
O Android Headlines não crava números exatos, mas faz uma aposta: o veículo diz que ficaria surpreso se não houvesse mais um aumento de US$ 100 (cerca de R$ 548) (cerca de R$ 548) ou mais nos celulares Android de 2027. O próprio texto lembra que já vimos reajustes em praticamente todos os lançamentos deste ano, inclusive com aumentos depois que os aparelhos chegaram às lojas. A tendência, segundo a AMD, é que isso continue.
Se a promessa de aumentar a oferta de memória se concretizar em 2027, o alívio pode vir na segunda metade do ano. Até lá, a conta do data center chega na gaveta de quem só quer trocar de celular.
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A AMD deixou claro que está tentando se antecipar, mas o problema não se resolve da noite para o dia. Enquanto a oferta de memória não acompanha a demanda, a briga entre IA e celulares pelos mesmos componentes segue esquentando e o consumidor fica no meio do fogo cruzado.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 04/11/2026 (US$ 1 = R$ 5,48). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: Android Headlines
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