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Apple lança MacBook Pro com tela touch 16 anos depois de chamar a ideia de “torradeira-geladeira”

Depois de 16 anos dizendo que touchscreen não fazia sentido num Mac, a Apple lança o MacBook Pro com tela touch por US$ 2.899.

Por Redação TecStudio
5 min
Macbook OLED

Por 16 anos, a Apple tratou a ideia de um Mac com tela touch como piada de mau gosto. Tim Cook disse em 2012 que juntar um tablet e um notebook era o mesmo que “combinar uma torradeira com uma geladeira”, e que ninguém ia gostar do resultado.

Resumo

  • Apple sempre disse que touch não fazia sentido num Mac, agora vende o MacBook Pro com tela touch
  • A página do produto ensina gestos como scroll e pinch como se fossem novidade
  • John Ternus, que em 2021 chamou o iPad de 'melhor computador touch', agora diz que 'você precisa tocar pra acreditar'
  • Touchscreen em PCs Windows existe desde 2009
  • Preço começa em US$ 2.899 (cerca de R$ 15.486)
Apple's new touchscreen MacBook Pro with PROLED XDR Display
O novo MacBook Pro com PROLED XDR Display, o primeiro Mac a ter tela touch em 16 anos de história da empresa Imagem: Windows Latest
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Pois bem. No dia 28 de outubro de 2026, a Apple começou a vender exatamente essa torradeira-geladeira: o MacBook Pro com PROLED XDR Display, o primeiro Mac com tela touch da história, por US$ 2.899 (cerca de R$ 15.486).

E, pelo visto, agora a torradeira ficou deliciosa.

De “nunca” a “você precisa tocar para acreditar”

A lista de executivos da Apple que enterraram a tela touch no Mac é longa. Steve Jobs disse em 2010 que “superfícies táteis não funcionam na vertical” e que “seu braço cai”. Craig Federighi, chefe de software, chamou os touchscreens em laptops de “experimentos” em 2018 e disse que “levantar o braço para cutucar a tela é muito cansativo”.

Meme about how the Apple folks thought for 15 years about how people use touchscreens on laptops
Meme resume os 15 anos em que executivos da Apple explicaram por que touch não servia para o Mac Imagem: Windows Latest

John Ternus, hoje CEO da Apple, foi ainda mais direto em 2021: “Fazemos o melhor computador touch do mundo, que é o iPad. O Mac é otimizado para entrada indireta. Não vimos motivo para mudar isso.”

Agora, Ternus mudou de ideia. Em entrevista ao WIRED, ele disse sobre o touch no Mac: “Quem sabia?” E completou: “O Mac é, antes de tudo, um dispositivo de entrada indireta, construído em torno do trackpad e do teclado. Mas acho que há momentos em que é confortável e prático ter o toque.” A frase que a Apple escolheu para a campanha é dele mesmo: “Você precisa tocar para acreditar.”

A diferença entre as duas declarações? Cinco anos exatos.

Apple ensina o usuário a scrollar como se fosse 2007

Se a virada de discurso já é constrangedora, a forma como a Apple está vendendo o recurso é ainda mais. A página do produto tem uma seção inteira dedicada a explicar gestos de toque como se fossem uma descoberta científica: “Scroll é mover o conteúdo deslizando o dedo pela tela”. “Zoom é beliscar a tela para ampliar fotos, documentos e páginas web.” O título da seção? “Mágica ao toque.”

O que é Preemptive claim? Tática de marketing em que uma empresa destaca uma característica comum como se fosse exclusiva, antes que os concorrentes o façam.

Apple teaching users how to use touchscreens on a laptop in 2026
A Apple ensina gestos básicos de toque como scroll e pinch na página do produto, como se fossem uma novidade revolucionária Imagem: Windows Latest

É um marketing que os publicitários chamam de preemptive claim: pegar uma característica que todo mundo já tem e fingir que é sua. PCs com Windows rodam touchscreen desde 2009, com o Windows 7. A Microsoft construiu o Windows 8 inteiro em torno do toque em 2012. Hoje, touch em notebook é tão banal que a própria Microsoft menciona a “PixelSense Ultra touchscreen” do Surface Laptop Ultra de passagem, como quem diz que o teclado tem teclas.

A Apple, por outro lado, trata o toque como se estivesse revelando a roda. Na página de apoio, o touch sensor é descrito como “integrado diretamente ao painel da tela, não sobreposto a ele”, uma tecnologia que a Samsung Display já oferecia a fabricantes de laptops em 2023.

O display é lindo, mas o preço é de outro planeta

Dito isso, o hardware do novo MacBook Pro não é alvo de piada. O painel PROLED XDR é um tandem OLED que atinge 2.000 nits de pico e contraste de 10.000.000:1. O notebook ficou mais fino e leve, mesmo ganhando a camada touch. Tem seis alto-falantes com woofers de cancelamento de força e câmera Center Stage de 12 MP.

O problema é que, segundo a Bloomberg, a Apple aposta em recursos premium para justificar preços ainda mais altos. O MacBook Pro com tela touch começa em US$ 2.899 (cerca de R$ 15.486), e, para contexto, o MacBook Pro 14 com chip M6 lançado na véspera manteve o mesmo preço de entrada da geração anterior.

O que a Microsoft já sabia (e a Apple fingiu não ver)

Tim Cook que se cuide, porque o passado voltou para assombrá-lo. Na apresentação do Surface Pro 4 em 2015, o então chefe do Surface, Panos Panay, exibiu um modelo 3D de uma torradeira acoplada a uma geladeira, uma provocação direta à frase de Cook. Na plateia, todo mundo entendeu.

Hoje, a provocação virou realidade: a Apple está vendendo a torradeira-geladeira por quase três mil dólares. E, por mais que o hardware seja excelente, o discurso de quem passou década e meia dizendo que aquilo não prestava está fazendo a empresa parecer que acabou de descobrir a roda.

Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 28/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,34). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.

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Anos que a Apple passou criticando a tela touch no Mac

Fonte: Apple/Windows Latest

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Fonte: Windows Latest

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