TecStudio
- Publicidade -

Runware planeja fábrica que produz data centers de IA em linha de montagem

Por Redação TecStudio
4 min
- Publicidade -
Tesla AI5
Imagem: Getty Images

Construir um data center do zero leva anos. E se desse para fabricá-lo como um carro, em linha de montagem, e entregá-lo pronto em dois dias? É exatamente isso que a Runware, startup de infraestrutura de IA, está tentando fazer.

30

megawatts de capacidade de data center por dia até 2028

Fonte: Runware

- Publicidade -

Em entrevista ao TechCrunch nesta quinta-feira (30), a empresa revelou o plano de construir uma fábrica em sua sede na Romênia que monta data centers modulares em série. O objetivo é atingir 30 megawatts de capacidade instalada por dia até 2028, o equivalente a quase 1 gigawatt por mês. No mesmo ritmo, a Runware produziria em um ano o que os Estados Unidos inteiros devem adicionar de potência em data centers em 2026: cerca de 10 gigawatts.

A ideia não é exatamente inédita. Empresas como Crusoe e Schneider Electric já vendem pods pré-fabricados. A diferença, segundo a Runware, está na velocidade: a empresa diz que consegue instalar e deixar cada unidade funcionando em até 48 horas.

Como funciona a fábrica de data centers da Runware

A Runware já tem duas instalações na Romênia: uma que usa há alguns anos para montar os pods, e uma segunda que começou a construir no início de 2026 e deve ficar pronta em alguns meses, entrando em operação no começo de 2027. A novidade é que a produção vai acontecer em uma linha de montagem de verdade, parecida com a de uma fábrica de automóveis.

Os pods têm um design padrão, mas podem ser configurados conforme a necessidade do cliente e adaptados para as GPUs mais recentes. Como os chips demoram para chegar depois de encomendados, a Runware diz que consegue usar esse tempo para ajustar a infraestrutura ao hardware encomendado. “Nossa equipe interna de hardware consegue projetar, construir e testar componentes por conta própria, o que nos permite nos adaptar rápido”, disse Flaviu Radulescu, cofundador e CEO da Runware, ao TechCrunch.

O cliente pode fornecer o próprio terreno para instalar os pods, ou a Runware encontra um local. A empresa também oferece duas opções de negócio: o cliente aluga poder de processamento diretamente da Runware, ou fornece suas próprias GPUs e paga uma taxa mensal pelo pod e pela operação. Energia e internet são cobradas à parte.

Desafios de escala e a sombra da Arrival

Reinventar um processo industrial não é simples, e há exemplos recentes de quem quebrou a cara tentando. A startup de veículos elétricos Arrival, que já valeu mais de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 69,9 bilhões), não conseguiu produzir em escala competitiva e fracassou. Radulescu diz que a Runware está desenhada para não repetir o mesmo erro.

“Nossa estrutura de custos é muito diferente”, afirmou. “Temos custos com pessoal e materiais, mas nossa equipe de fábrica é eficiente em relação ao valor de implantar poder computacional para IA.” Radulescu disse ainda que a empresa contratou um gerente de fábrica com larga experiência na indústria automotiva para tocar a operação, e que usa componentes padronizados e amplamente disponíveis para manter os custos baixos.

A Runware já levantou mais de US$ 60 milhões (cerca de R$ 322 milhões) até hoje, sendo US$ 50 milhões (cerca de R$ 269 milhões) em uma Série A fechada em dezembro de 2025. Agora planeja abrir uma Série B, mas por enquanto toca a fábrica com o que tem. A empresa afirma já ter recebido US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões) em compromissos de interesse pelos pods Sonic desde que começou a oferecê-los a clientes externos há um mês, o que representa mais de 20 megawatts de capacidade.

Energia, água e a briga com os hyperscalers

Data centers, especialmente os de IA, estão na mira de críticas pelo alto consumo de energia e impacto na rede elétrica. Radulescu disse que os pods da Runware pedem apenas duas coisas: energia e conexão com a internet. O sistema usa resfriamento líquido em circuito fechado, com radiadores a ar para dissipar calor, então não precisa de água.

Os locais escolhidos para instalação, segundo ele, já costumam ter energia disponível, o que evita sobrecarregar a rede. “Estamos trabalhando com fornecedores de energia em uma lista de possíveis sites que soma 397 megawatts, com potencial de expansão para 1,2 gigawatt”, disse. Os pods também funcionam “completamente silenciosos até 30°C”, afirmou, e a empresa usa fontes renováveis sempre que possível. A meta é que as renováveis se tornem a principal fonte de energia.

📲 Essa corrida por infraestrutura de IA está longe de terminar. Para não perder os próximos capítulos, entra no Canal do TS no WhatsApp.

A Runware planeja colocar a nova fábrica em operação no início de 2027, e depois expandir para os Estados Unidos e outras regiões. Para Radulescu, os sistemas modulares são o futuro e vão se tornar “o padrão para grandes implantações de IA”. A ideia, segundo ele, é que um cliente possa planejar um data center hyperscale inteiro a partir de pods fabricados em série e tê-lo funcionando “em meses, em vez de anos”.

Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 29/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,37). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.

Fonte: TechCrunch

- Publicidade -
Conta da redação do TecStudio. Assina as notícias produzidas com auxílio de um ou mais autores.