Samsung alerta que falta de memória vai durar até 2028 e celular vai ficar mais caro

Se você está esperando os preços de celular e notebook baixarem para trocar de aparelho, pode ir desmarcando essa data na agenda. A Samsung avisou que a escassez de memória que encareceu os últimos lançamentos não vai passar cedo: a oferta de DRAM e NAND deve continuar apertada até 2028. E isso significa que o bolso do consumidor vai continuar sentindo.
O alerta veio durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2026, segundo o Android Headlines. E não é um lamento de coitado: a própria Samsung está nadando de braçada nessa onda. A empresa registrou receita recorde de 195,3 trilhões de won (cerca de R$ 776 bilhões) (cerca de US$ 146,3 bilhões (cerca de R$ 782 bilhões)) e se tornou a primeira empresa de tecnologia do mundo a ultrapassar 100 trilhões de won (cerca de R$ 398 bilhões) em lucro operacional. Quase tudo puxado pelo negócio de chips, que faturou 147,1 trilhões de won (cerca de R$ 585 bilhões) graças à demanda por memória para IA.
IA desviou a produção e sobrou menos memória para todo mundo
O motor da escassez é a inteligência artificial. As fabricantes de memória estão migrando cada vez mais linhas de produção da DRAM convencional para HBM (high-bandwidth memory), o tipo usado nos data centers que rodam IA. O problema é que os chips HBM são maiores e mais complexos de fabricar, o que reduz a capacidade total disponível no mercado.
O executivo Jaejune Kim, que comanda vendas e marketing de memória na Samsung, explicou que essa migração “age como uma restrição física na oferta”. Por isso, mesmo com mais investimento em novas fábricas, a empresa não espera um aumento significativo no volume de memória que consegue produzir.
A Samsung já vendeu toda a sua capacidade de produção de HBM4 para 2027 e planeja começar a fabricação em massa da próxima geração, a HBM4E, no primeiro semestre de 2027.
Dez grandes clientes já levaram 70% da produção
Outro fator que aperta o cerco: a Samsung fechou acordos de longo prazo com dez grandes clientes. Juntos, eles vão consumir de 60% a 70% de toda a capacidade de produção da empresa. E não são só gigantes de nuvem. A lista agora inclui empresas de celular, automotivo e redes de telecomunicações. O resultado é que sobra menos memória para quem não está nesse seleto grupo.
A rival SK Hynix já tinha soltado um alerta parecido, dizendo que a escassez pode durar até 2030.
Celular mais caro e o dilema da própria Samsung
Para quem compra, a conta chega na hora de fechar a compra. Já vimos exemplos neste ano: o iPhone 18 Pro chegou mais caro, e o Galaxy S27 deve vir com preço maior em 2027, com saltos ainda mais expressivos nas versões de maior armazenamento. Analistas também esperam que o OLED MacBook Pro da Apple sofra um reajuste forte, em parte por causa dos custos de memória.
A situação é delicada até dentro de casa. Enquanto a divisão de chips da Samsung fatura alto com a demanda aquecida, a divisão de celulares paga mais caro pela memória que compra da própria irmã. Isso ajuda a explicar por que a Samsung está apostando mais no processador Exynos 2700 para tentar segurar os custos dos seus próprios celulares.
Se você está pensando em trocar de aparelho, a dica que fica é: agora pode ser melhor do que ano que vem. Os flagships atuais já estão aparecendo com descontos de olho na Black Friday, então vale ficar de olho.
📲 Essa história ainda tem capítulo pela frente. Para não perder nenhum desdobramento, entra no Canal do TS no WhatsApp.
A Samsung não deu uma previsão clara de quando o mercado de DRAM pode se normalizar depois de 2028. Por ora, a mensagem para o consumidor é uma só: prepare o bolso.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 28/10/2026 (₩ 100 = R$ 0,40; US$ 1 = R$ 5,34). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
147,1 trilhões de won
em vendas de chips da Samsung no 3º tri de 2026, puxadas por IA
Fonte: Samsung, em teleconferência de Q3 2026
Fonte: Android Headlines
Escrito por






