SanDisk já vendeu 2/3 do estoque de 2028 para IA e celular fica com as sobras

Quem torcia para o preço dos celulares dar uma trégua nos próximos anos pode tirar o cavalo da chuva. A SanDisk soltou um dado de parar o coração de qualquer fabricante de smartphones: cerca de dois terços de todo o armazenamento flash que ela vai produzir no ano fiscal de 2028 já está vendido, e a maior parte foi parar nas mãos das gigantes de inteligência artificial.
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Do estoque de armazenamento flash da SanDisk para o ano fiscal de 2028 já vendido
Fonte: SanDisk (teleconferência de resultados, outubro de 2026)
A revelação veio na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, na noite de quinta-feira passada. A SanDisk não apenas confirmou que os contratos de longo prazo com data centers engoliram a oferta, como indicou que a demanda por armazenamento vai crescer mais que o dobro da velocidade da produção no ano que vem. Na prática, quem fabrica celular vai ter que se virar com o que sobrar. E o consumidor paga a conta.
Números de outro patamar: US$ 11 bilhões no trimestre
Para ter ideia do tamanho do tsunami, a SanDisk reportou US$ 11,03 bilhões (cerca de R$ 59,3 bilhões) em receita no trimestre encerrado em setembro, um salto de 378% na comparação com o mesmo período de 2025. Desse bolo, US$ 4,80 bilhões (cerca de R$ 25,8 bilhões) vieram exclusivamente de data centers, com alta de 61% em apenas três meses. O apetite por armazenamento para treinar e rodar modelos de IA não dá sinal de desaceleração.
“Cerca de 50% dos nossos bits estão sob NBM para 2027 e cerca de 2/3 para 2028”, disse Luis Visoso, CFO da SanDisk, durante a ligação com analistas. O ano fiscal de 2028 da empresa cobre de meados de 2027 a meados de 2028, ou seja, estamos falando de um horizonte de menos de um ano para daqui a pouco.
NBM: o contrato que engoliu o estoque
Assim como acontece com a memória RAM, a SanDisk vende a maior parte de seus chips de armazenagem por meio de contratos plurianuais chamados NBMs (negotiated business models). Neles, o cliente se compromete a comprar um volume fixo de chips com anos de antecedência, e, no cenário atual, quem tem data center de IA na ponta da caneta leva vantagem.
O CEO David Goeckeler completou o diagnóstico: alguns clientes “subestimaram a quantidade de NAND de que precisam para rodar sua infraestrutura” e há “múltiplos clientes voltando para uma segunda rodada” de negociações. O executivo também afirmou que o pipeline de NBMs “excede nossa oferta até o fim da década”. Traduzindo: a fila de compradores é maior que a capacidade de produção, e isso não muda tão cedo.
O reflexo direto no preço dos celulares
O mercado de smartphones já sentiu o baque, e a SanDisk confirmou que o movimento não é pontual. Visoso disse que a empresa espera que os preços do armazenamento “continuem aumentando moderadamente ao longo do ano”.
Os sinais já estavam na mesa: os preços da DRAM móvel praticamente dobraram em 2026, a Samsung reajustou os preços do Galaxy Z Fold 7 e do Galaxy Z Flip 7 no meio do ciclo de vendas, e o modelo de 1 TB do Galaxy S26 Ultra bateu recordes de preço. Com a SanDisk segurando a oferta para atender contratos de data center, a tendência é que as fabricantes de celulares paguem mais caro pelo armazenamento que conseguirem comprar, e repassem o custo para quem está na ponta.
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A SanDisk não deu previsão de quando a oferta pode se equilibrar com a demanda. Com contratos amarrados até 2028 e clientes disputando a segunda rodada de negociações, o consumidor que esperava uma queda nos preços dos smartphones com mais armazenamento vai ter que segurar a ansiedade por um bom tempo.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 29/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,37). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: Android Headlines
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