SpaceX negocia acesso a 80 mil torres para virar operadora de celular
SpaceX quer acessar 80 mil torres de celular nos EUA para competir com Verizon, T-Mobile e AT&T. Saiba como a Starlink Mobile pode virar uma grande operadora.

A SpaceX deu mais um passo na direção de se tornar uma operadora de celular tradicional. A empresa de Elon Musk está em negociações para acessar pelo menos 80 mil torres de celular nos Estados Unidos, segundo reportagem da Bloomberg. O movimento colocaria a Starlink Mobile frente a frente com Verizon, T-Mobile e AT&T — e não de brincadeira.
Resumo
- Spacex negocia acesso a 80 mil torres nos EUA para se tornar operadora de celular.
- A empresa combinará torres com satélites direct-to-cell para criar rede híbrida.
- A Starlink Mobile pode competir com Verizon, T-Mobile e AT&T no mercado americano.
- O movimento nos EUA pode servir de laboratório para expansão global da Starlink Mobile.
As conversas envolvem a Crown Castle Inc., uma das maiores proprietárias de torres do país. Quando questionado sobre uma possível parceria com SpaceX, Amazon ou outros serviços de satélite, o CEO da Crown Castle, Chris Hillabrant, disse em teleconferência de resultados na quarta-feira (22): “Acho que não quero entrar em detalhes específicos de clientes, mas podem assumir que estamos conversando com todas as partes.” O acesso a 80 mil torres daria à SpaceX metade das 158,5 mil torres hoje em operação nos EUA, conforme reportagem da Reuters.
Torres mais satélites: a receita da SpaceX para ser uma grande operadora
O plano não depende só das torres. A SpaceX quer combinar essa infraestrutura terrestre com sua constelação de satélites com capacidade de conexão direta ao celular (direct-to-cell). No início de outubro, a empresa recebeu aprovação da FCC para lançar 15 mil satélites V2 Starlink Mobile atualizados e também comprou um portfólio de licenças de espectro de baixa frequência. A companhia afirmou que esses passos “pavimentam o caminho” para a Starlink Mobile se tornar uma operadora “grande” nos EUA.
US$ 17 bilhões (cerca d…
Valor pago pela SpaceX por licenças de espectro de 2 GHz
Fonte: EchoStar
Para reforçar o espectro, a SpaceX adquiriu no ano passado licenças de 2 GHz da EchoStar por US$ 17 bilhões (cerca de R$ 85,7 bilhões). Na prática, a empresa está montando uma rede híbrida: onde as torres não alcançam, os satélites entram em cena, e vice-versa. É uma aposta que pode redefinir a concorrência num mercado dominado há décadas pelas três grandes.
A movimentação da SpaceX não é isolada. O caixa reforçado dá à SpaceX tranquilidade financeira para investir na infraestrutura de telecom — um jogo que exige bilhões em torres, espectro e satélites.
O que essa briga significa para o consumidor americano (e para o brasileiro)
Se o plano sair do papel, o mercado americano de telefonia móvel pode ganhar um quarto player com uma proposta diferente: cobertura via satélite em áreas remotas combinada com a capilaridade das torres urbanas. A competição adicional tende a pressionar preços e melhorar serviços, mas a implementação é complexa. Para o Brasil, onde a Starlink já opera internet residencial, o movimento americano pode servir de laboratório para uma eventual expansão da Starlink Mobile para outros países. Ainda não há qualquer anúncio oficial para o mercado brasileiro, mas a arquitetura técnica da rede é global por natureza.
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O salto da SpaceX para se tornar operadora não é trivial. Envolve acordos com donos de torres, aprovações regulatórias e a operação de uma frota de satélites que ainda está sendo construída. Mas com US$ 17 bilhões (cerca de R$ 85,7 bilhões) em espectro, 80 mil torres na mira e 15 mil satélites a caminho, a empresa de Elon Musk está montando o tabuleiro para uma das maiores reviravoltas na telefonia móvel dos últimos anos.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 22/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,04). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: The Verge
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