Google confirma piora no buscador na Europa após pressão da UE: entenda

O Google admitiu que vai piorar a experiência de busca para os usuários europeus. A empresa foi obrigada a reformular os resultados de pesquisa no continente para se adequar ao Digital Markets Act (DMA), a lei de mercados digitais da União Europeia. A mudança, segundo a Reuters, representa a maior redução na qualidade do serviço nos 29 anos de história do buscador.

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Na prática, a alteração mexe na forma como hotéis, voos e restaurantes aparecem nas pesquisas. O Google diz que a medida beneficia grandes intermediários como Booking.com e Expedia, mas prejudica pequenos negócios e o consumidor final, que perde informações como preços em tempo real.

O que muda nos resultados do Google na Europa

O cerne da mudança está na forma como o Google organiza os chamados resultados de busca vertical, aqueles que mostram opções de hotéis, voos e restaurantes. Em vez de exibir uma lista rica com preços e links diretos, o buscador vai priorizar plataformas de comparação e reserva, os chamados VSS (vertical search services).

O novo formato coloca um serviço especializado no topo, seguido por dois outros com menos informações. Abaixo, aparece uma seção separada para hotéis, companhias aéreas ou restaurantes, mas sem os preços em tempo real que o Google oferecia até então.

Para o usuário europeu, isso significa mais cliques para encontrar a mesma informação e menos transparência sobre valores. Para pequenos hotéis e restaurantes, a visibilidade cai drasticamente, já que eles perdem espaço para os grandes agregadores.

Por que o Google está fazendo isso

A pressão veio da Comissão Europeia, que multou o Google em €460 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) e deu 60 dias para a empresa cumprir o DMA. A lei, em vigor desde 2023, foi desenhada para tornar os mercados digitais mais justos e contestáveis, mas o Google argumenta que o efeito prático é o oposto.

Em comunicado, a empresa afirmou que as mudanças podem beneficiar mais os grandes intermediários do que os pequenos negócios que a regulação supostamente protege. Hotéis e restaurantes individuais, por exemplo, podem perder clientes diretos porque seus sites, telefones e endereços aparecerão com menos destaque.

E no Brasil? O que muda para o usuário brasileiro

Por enquanto, nada. As alterações valem exclusivamente para a União Europeia, que tem mais de 450 milhões de habitantes. O Google deixou claro que os usuários nos Estados Unidos não serão afetados, e o mesmo vale para o Brasil.

No entanto, a discussão sobre regulação de buscadores e plataformas digitais também avança por aqui. O PL 2768/2022, que trata da regulação de plataformas digitais no Brasil, tramita no Congresso e pode trazer impactos semelhantes no futuro. Por enquanto, o brasileiro continua vendo os resultados do Google como sempre viu.

O que ainda está em aberto

A grande questão é se a mudança na Europa vai virar um precedente para outros países. O Google já enfrenta investigações antitruste em várias jurisdições, e a solução encontrada para a UE pode servir de modelo, ou de alerta, para reguladores ao redor do mundo.

Outro ponto é a reação dos usuários europeus. Se a queda na qualidade for perceptível e gerar reclamações em massa, o Google pode ser forçado a buscar um meio-termo. A empresa tem 60 dias para implementar as mudanças, contados a partir da multa de agosto de 2026.

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O Google escolheu cumprir a regra, mas deixou claro que não concorda com ela. Resta saber se o consumidor europeu vai sentir a diferença no dia a dia, e se o resto do mundo vai seguir o mesmo caminho.

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Felipe Victor
Felipe Victorhttps://www.tecstudio.com.br
Engenheiro de Computação pela Universidade Federal de Ouro Preto. Desenvolvedor de Software, mas nas horas vagas, escrevo sobre ciência e tecnologia. Apaixonado por inovação e todas as suas atribuições ao conhecimento e ao desenvolvimento humano.
Felipe Victor
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