Apple e Microsoft são obrigadas a grampear usuários na Rússia; entenda

A Apple e a Microsoft agora fazem parte do sistema de vigilância estatal da Rússia. As duas empresas foram incluídas em outubro no registro de “organizadores de disseminação de informações” do país, o que as obriga a armazenar mensagens, ligações e vídeos de usuários russos e entregar os dados às agências de segurança quando solicitado.
A informação foi publicada pela Bloomberg e republicada pelo 9to5Mac na noite desta quarta-feira. A inclusão no cadastro, mantido pela agência reguladora de comunicações russa, a Roskomnadzor, aconteceu no dia 2 de outubro.
O que a regra exige da Apple e da Microsoft
Empresas que entram na lista da Roskomnadzor precisam, pela lei russa, guardar por três anos o histórico de correspondência, mensagens de áudio e vídeo dos usuários locais. E mais: quando uma agência de segurança pedir, os dados têm de ser entregues. Informações sobre os próprios usuários e a transmissão das comunicações também precisam ficar armazenadas dentro da Rússia.
Perguntas frequentes
O que é o registro de "organizadores de disseminação de informações"?
É um cadastro mantido pela Roskomnadzor, a agência reguladora de comunicações da Rússia, que obriga empresas de tecnologia a armazenar e entregar comunicações de usuários locais a agências de segurança.
O que Apple e Microsoft precisam fazer?
Armazenar por três anos o histórico de mensagens, áudio e vídeo dos usuários russos, manter informações sobre eles dentro do país e entregar os dados a agências de segurança quando solicitado.
O que acontece se descumprirem?
Podem levar multas e, no limite, ter os serviços restritos ou bloqueados na Rússia.
Apple e Microsoft já se manifestaram?
Não. Nenhuma das duas comentou publicamente a inclusão no registro nem indicou se pretende cumprir as exigências.
Apple e Microsoft se juntam a um grupo que já inclui Google Meet, WhatsApp, Telegram, Snapchat, Cloudflare e Blizzard Entertainment. O Google, aliás, entrou no mesmo registro em janeiro deste ano. Quem descumpre as regras pode levar multa e, no limite, ter os serviços restritos ou bloqueados no país.
A relação complicada da Apple com a Rússia
A relação entre a Apple e o governo russo já estava longe de ser tranquila. Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, a empresa suspendeu a venda de produtos e limitou serviços como o Apple Pay no país. Mesmo assim, a Apple manteve a App Store funcionando na Rússia, o que virou uma fonte constante de atrito.
Em abril de 2026, usuários russos perderam a capacidade de fazer novas compras na loja ou renovar assinaturas sem ter saldo na conta Apple, por causa de restrições de pagamento impostas pelo governo. Em junho, o Kremlin exigiu explicações depois que a Apple removeu aplicativos da VK, empresa estatal russa, e também bancos ligados a instituições financeiras sancionadas. Já em agosto, o regulador antitruste russo abriu um processo formal contra a Apple por não instalar de fábrica o mensageiro estatal MAX e a loja de apps RuStore nos dispositivos vendidos no país.
Até agora, nem Apple nem Microsoft comentaram publicamente a inclusão no registro nem sinalizaram se pretendem cumprir as exigências.
📲 Essa história envolve privacidade, geopolítica e bilhões de usuários. Para não perder nenhum desdobramento, entra no Canal do TS no WhatsApp.
A decisão russa de incluir Apple e Microsoft no sistema de vigilância não é um movimento isolado. O país vem apertando o cerco contra serviços estrangeiros de mensagens nos últimos anos, com bloqueios totais ou parciais a WhatsApp, Telegram, Signal e até o FaceTime da Apple. Com as duas gigantes da tecnologia agora na lista, a pergunta que fica é se elas vão acatar a regra, ou enfrentar as consequências de ficar de fora.
Fonte: 9to5Mac
Escrito por






