Empresa demite funcionários e manda destruir 100 Macbooks M4 com 48GB de RAM em meio à crise de memórias
Empresa destrói mais de 100 MacBook Pro M4 com 48 GB de RAM ao fechar escritório, em vez de doá-los a funcionários demitidos. Entenda o caso.

No meio de uma crise global de memória RAM que está fazendo empresas e consumidores repensarem cada decisão de hardware, uma companhia de tecnologia resolveu ir na contramão: está destruindo mais de 100 unidades do MacBook Pro equipadas com 48 GB de memória unificada e chip Apple M4. A informação veio a público por um ex-funcionário da empresa, que relatou o caso no Reddit e acendeu o debate sobre desperdício corporativo de equipamentos de alto valor.
O relato é do usuário “ExtensionPut2939“, que afirma que a firma está fechando um escritório em um país não identificado após a última rodada de demissões. Em vez de repassar as máquinas aos funcionários dispensados ou doá-las, a empresa optou por destruir o lote inteiro. Nenhuma justificativa de segurança foi apresentada que não pudesse ser resolvida com um simples apagamento seguro dos SSDs, segundo o próprio ex-funcionário.
MacBooks M4 com 48 GB jogados fora quando valem mais de R$ 15 mil
O que torna o caso ainda mais difícil de engolir é o perfil das máquinas envolvidas. Não são computadores velhos chegando ao fim da vida útil: são MacBook Pro com o chip M4, lançado pela Apple em 2024, e com uma configuração de memória que hoje pesa no bolso de qualquer um. No Brasil, num cenário em que até o próximo iPhone deve chegar com centenas de dólares a mais, a situação se torna ainda mais revoltante.
Um dos comentaristas do post no Reddit levantou a hipótese de que a destruição serve como baixa contábil, registrando as máquinas como perda para fins fiscais junto com as demissões. Se for esse o caso, a lógica financeira da empresa pode fazer sentido no papel, mas passa longe de qualquer critério de responsabilidade com o meio ambiente ou com os próprios trabalhadores que perderam o emprego.
A crise de DRAM torna o desperdício ainda mais absurdo
O contexto agrava tudo. A corrida das empresas de inteligência artificial por memória DRAM está pressionando o mercado global, encarecendo componentes e tornando qualquer hardware com boa quantidade de RAM um bem cada vez mais escasso e caro, tanto que, em resposta à escassez, a Microsoft confirmou otimizações para o Windows 11 rodar bem com apenas 8 GB. Nesse cenário, destruir mais de 100 máquinas com 48 GB de memória unificada cada uma é o tipo de decisão que vai na contramão do que especialistas em sustentabilidade e gestão de TI recomendam: preservar, reutilizar e, quando não for mais possível, reciclar de forma responsável.
A Apple, por sua vez, anunciou recentemente reajustes de preço em vários modelos de Mac, o que torna a decisão de destruir equipamentos funcionais ainda mais difícil de justificar do ponto de vista prático. Qualquer um dos funcionários demitidos teria nas mãos uma ferramenta de trabalho de alto desempenho, capaz de rodar cargas pesadas de desenvolvimento, edição de vídeo ou até modelos de IA locais.
Doação seria a saída mais óbvia, e ninguém tomou
O ex-funcionário deixou claro que a alternativa era simples: apagar os dados com segurança e entregar as máquinas aos demitidos ou doá-las para instituições. Não havia risco de segurança que justificasse a destruição física. Na prática, a empresa abriu mão de uma decisão que custaria pouco operacionalmente e geraria um impacto real na vida de quem acabou de perder o emprego.
O episódio levanta uma questão que vai além desse caso específico: enquanto o mercado de hardware aperta e os preços sobem, a responsabilidade sobre o ciclo de vida dos equipamentos corporativos precisa entrar de vez na agenda das empresas. Guardar, reformatar e redistribuir é mais trabalhoso do que destruir, mas é o mínimo que se espera de quem tem mais de 100 MacBook Pro sobrando.
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Com a crise de memória RAM sem previsão de arrefecimento e os preços de Macs em alta, episódios como esse devem continuar gerando pressão pública sobre empresas que ainda tratam hardware de ponta como descartável. O próximo passo, para quem acompanha o setor, é ver se casos assim vão impulsionar políticas internas mais rígidas de reaproveitamento, ou se o argumento do benefício fiscal vai continuar vencendo.
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