iFixit dá ao iPhone Duo a maior nota de reparo entre dobráveis, mas tela interna preocupa
iFixit desmonta o iPhone Duo e dá nota 5/10: a maior já registrada entre dobráveis. Bateria e layout agradam, mas trocar a tela interna custa US$ 999 e é um…

O iPhone Duo acabou de passar pelo ritual de desmonte completo do iFixit, e o veredito é o melhor já dado a um dobrável. O problema é que a concorrência não vinha deixando a barra muito alta.
Resumo
- iFixit deu nota 5/10 ao iPhone Duo, a maior já registrada entre dobráveis
- Bateria tem adesivo elétrico que simplifica a remoção, melhor do que qualquer concorrente
- Placa lógica de camada única facilita acesso a câmeras e carregamento
- Trocar a tela interna custa US$ 999 (cerca de R$ 5.033) fora da garantia, quase metade do aparelho
- CT scan aponta possível causa para trincas na dobra: barra central da dobradiça

O site de reparos deu ao primeiro dobrável da Apple uma nota provisória de 5 em 10, a maior entre todos os modelos de tela flexível que já passaram por suas mãos. Mas, como a própria equipe admite, “isso não quer dizer muita coisa”. E a explicação está na peça mais cara e mais frágil do aparelho.
A maior nota entre os dobráveis (e o que ela esconde)
O 5/10 do iPhone Duo supera todos os concorrentes que o iFixit já testou, mas a pontuação ainda é provisória. O motivo é simples: peças de reposição ainda não estão disponíveis no mercado. A expectativa é que elas cheguem em breve pelo programa de autorreparo da Apple, que já publicou o manual de serviço do aparelho.
Vale lembrar que a nota reflete o esforço de quem tenta consertar o próprio celular, não a qualidade do produto. E nesse recorte, o Duo acerta em várias frentes, mas tropeça feio onde mais importa para um dobrável: na tela que dobra.
O que a Apple acertou no design de reparo
Várias boas decisões vieram dos iPhones convencionais. As duas baterias do Duo usam o adesivo de liberação elétrica da Apple: basta aplicar corrente nos contatos para o adesivo soltar, sem precisar forçar ou usar solvente que pode furar a célula. O iFixit classificou como a melhor experiência de remoção de bateria que já viu num dobrável.

As células têm 7,5 Wh e 11,6 Wh, totalizando 19,1 Wh, e vêm envoltas em blindagens metálicas que dão uma camada extra de segurança caso a liberação elétrica falhe.
O layout interno também chamou atenção pela simplicidade. A placa lógica é de camada única, diferente do design empilhado que a Apple usa desde o iPhone 8. Câmeras e componentes de carregamento são acessíveis com pouca desmontagem extra. O display externo saiu inteiro durante o teardown, incluindo o quadro de plástico que costuma dar trabalho. O acabamento ao redor da tela interna também saiu sem quebrar, ao contrário do que o iFixit viu no Galaxy Z Fold8, onde o material se esfarelou.
Não é perfeito, porém. Ainda há componentes enterrados sob cabos flexíveis, e a equipe precisou de cinco tipos diferentes de chave de fenda para concluir a desmontagem.
A tela interna: reparo caro e delicado
Se a parte externa é razoável, a interna é outro filme. Para chegar ao display que dobra, é preciso enfrentar adesivo, contornar a dobradiça e trabalhar com ferramentas especiais. O iFixit foi direto: “odiou o reparo da tela interna”, descrevendo o processo como delicado e cheio de detalhes.

O custo reflete essa complexidade. Fora da garantia, trocar a tela interna do iPhone Duo custa US$ 999 (cerca de R$ 5.033) nos Estados Unidos, quase metade do preço de um aparelho novo. No Canadá, o valor sobe para US$ 1.499 (cerca de R$ 7.552) (dólares canadenses).
Há um alívio parcial para quem só lida com arranhões. A Apple oferece a troca da camada de cobertura da tela interna, que tem o acabamento nano-texture, por US$ 49 (cerca de R$ 247) sem AppleCare+ ou US$ 19 (cerca de R$ 95,72) com o plano. O problema é que o serviço ainda exige ferramentas especializadas e alinhamento preciso, então não é algo para fazer em casa.
Um indício sobre as telas que trincam
O teardown também investigou os relatos de donos que viram trincas e linhas brilhantes surgirem na dobra, às vezes em horas de uso. Usando tomografia computadorizada e um modelo 3D da dobradiça, o iFixit descobriu que os danos se concentram num ponto específico: onde o cabo do display passa pelo centro da dobradiça, num local onde várias bordas se encontram.
Uma simulação apontou uma possível explicação. Se a barra central de suporte da dobradiça não recuar o suficiente quando o telefone fecha, a tela curvada encosta nela e cria um ponto de tensão perto da região onde as trincas aparecem. O iFixit apresentou essa hipótese como uma possibilidade, não como causa confirmada.
O problema de poeira também apareceu. Depois de abrir e fechar o Duo dentro de um saco com pó fluorescente, a equipe viu que a maior parte ficou retida nas barreiras adesivas ao redor dos componentes eletrônicos, mas o suficiente chegou à dobradiça para deixar o som “crocante”. O resultado ecoa o teste de durabilidade que quebrou a tela do Duo no fim de semana e a descoberta de um elo frágil na dobradiça feita por um YouTuber nos últimos dias.
No fim das contas, o iFixit disse que a Apple foi bem para uma primeira tentativa, mas que ainda recomendaria um celular convencional para quem prioriza reparabilidade. O conselho final para quem já comprou o Duo? “Mime essa tela.”
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 23/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,04). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
5/10
Nota de reparabilidade do iPhone Duo no iFixit
Fonte: iFixit
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Fonte: iPhone in Canada
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