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Disputa com fornecedor paralisa produção do Boeing 777F há quase dois meses

A linha de produção do Boeing 777F está parada há quase dois meses por causa de uma disputa com a fornecedora Vaero.

Por Rockweew
4 min
SDU 08 2013 Boeing 737 Gol 6982
Foto: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A linha de montagem do Boeing 777 Freighter está parada há quase dois meses. O motivo não é falta de demanda nem problema técnico no projeto: é uma briga com um fornecedor americano que deixou de entregar uma peça-chave das asas, e o prejuízo, segundo a própria Boeing, já passa de US$ 6,5 milhões (cerca de R$ 32,7 milhões) por dia.

Resumo

  • A produção do Boeing 777F está parada há quase dois meses por uma disputa com o fornecedor Vaero.
  • A peça em falta é um kit de bordo de fuga fixo das asas, usado também no 767.
  • O prejuízo estimado pela Boeing é de US$ 6,5 milhões (cerca de R$ 32,7 milhões) por dia.
  • Clientes como FedEx (7), Saudia (4) e Emirates (3) estão na fila de 38 pedidos pendentes.
  • O sucessor 777-8F só deve ficar pronto por volta de 2029.
Qatar Cargo Boeing 777 freighter
Boeing 777F da Qatar Airways Cargo, um dos modelos de carga mais usados no longo curso Imagem: Aerospace Global News
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A paralisação foi revelada por três funcionários da Boeing à agência Reuters e confirmada pelo relatório da Aerospace Global News publicado no fim de outubro. O problema afeta diretamente a entrega de aeronaves para grandes operadores de carga como FedEx, Emirates e Saudia, que ainda aguardam 38 unidades do cargueiro na fila de pedidos.

A disputa que parou a linha do 777F

No centro da paralisação está uma peça chamada de kit de bordo de fuga fixo (fixed trailing-edge rib kit), usada nas asas do 777F e também do Boeing 767, incluindo a versão cargueira e o tanque KC-46 Pegasus. O único fornecedor do componente era a empresa Vaero, sediada na Flórida.

Em agosto, a Boeing entrou com uma queixa judicial alegando que a Vaero havia parado de entregar os kits. Sem eles, a fabricante não conseguia completar as seções das asas, o que travou a montagem na fábrica de Everett, em Washington. Um acordo foi firmado no fim de setembro, mas, segundo os funcionários ouvidos pela Reuters, a produção ainda não havia sido retomada até 23 de outubro.

Dois 777F parcialmente montados já foram removidos da linha por causa da falta de peças. Um deles era destinado à FedEx, que não respondeu aos pedidos de comentário.

Quem está na fila e pode atrasar

O livro de pedidos da Boeing no fim de setembro de 2026 listava 38 encomendas do 777F ainda não entregues. A lista de clientes inclui:

FedEx Boeing 777 freighter aircraft
FedEx é a cliente mais exposta à paralisação, com sete unidades do 777F ainda na fila de pedidos Imagem: Aerospace Global News
  • FedEx Express: 7 aeronaves pendentes
  • Saudia: 4 unidades
  • Emirates: 3 aeronaves (após pedido de 5 adicionais em outubro de 2024)
  • China Airlines: 2 unidades
  • China Southern Cargo: 2 aeronaves
  • Silk Way West Airlines: 2 unidades
  • Ethiopian Airlines Cargo: 2 aeronaves (pedido de setembro de 2026)

Outras 10 aeronaves aparecem atribuídas a clientes não identificados, enquanto 6 seguem ligadas à empresa russa Volga-Dnepr, cuja entrega é incerta. A Boeing não divulgou novas datas de entrega para os clientes afetados.

Apesar do transtorno, a fabricante conseguiu entregar 21 unidades do 777F ao longo de 2026 até outubro. A FedEx e a Air China Cargo receberam um exemplar cada em setembro, e a Air China Cargo pegou o 14º 777F da frota em 1º de outubro.

O 777-8F como solução de longo prazo

A Boeing já está de olho na próxima geração do cargueiro. O 777-8 Freighter, da família 777X, tem projeto de asa diferente e não é afetado pela disputa com a Vaero. O problema é que ele só deve entrar em serviço por volta de 2029. Até lá, o 777F atual segue sendo o cargueiro grande da casa.

MSC Air Cargo 777-8F
MSC Air Cargo foi um dos clientes que encomendaram o 777-8F, previsto para entrar em serviço em 2029 Imagem: Aerospace Global News

O 777-8F já atraiu pedidos da Qatar Airways Cargo (34 unidades, o maior cliente), Cargolux (10), Ethiopian Airlines (8), MSC Air Cargo (5), além de Korean Air e China Airlines. A Ethiopian se tornou a primeira companhia africana a encomendar o modelo.

A agência de aviação civil dos EUA, a FAA, também concedeu à Boeing uma brecha regulatória que permite que até 35 unidades adicionais do 777F atual recebam certificação de aeronavegabilidade entre 2028 e 2030, uma ponte para o 777-8F.

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Para a Boeing, a prioridade agora é recuperar o controle do fornecimento. A empresa já começou a trazer a produção do componente para dentro de casa, reduzindo a dependência de um único parceiro. Para FedEx, Emirates, Saudia e as demais operadoras na fila, cada dia parado empurra a entrega um pouco mais para frente, e, com o 777-8F ainda distante, o cargueiro atual continua sendo essencial para quem precisa de capacidade nova de carga no longo curso.

Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 23/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,04). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.

US$ 6,5 milhões

Prejuízo estimado por dia de paralisação

Fonte: Boeing

Fonte: Aerospace Global News

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Rockweew

Escrito por

Rockweew

Vivi a era Habbo, Orkut e afins... claramente a melhor fase pop da internet. Aqui tento noticiar o diverso mundo mobile, mas não se surpreenda se eu publicar algo sobre música, entretenimento e tecnologia em geral.