Fábrica de peças do iPhone na Índia enfrenta nova investigação por contaminação
Fábrica da Tata Electronics, fornecedora da Apple, enfrenta nova investigação de saúde na Índia por suposta contaminação da água. Agricultores relatam problemas de pele.

A Tata Electronics, fornecedora da Apple na Índia, não conseguiu enterrar de vez a polêmica ambiental que ronda sua fábrica de peças para iPhone em Hosur. Apesar de a empresa ter dito que amostras de água coletadas dentro da unidade não indicavam contaminação, autoridades de saúde locais abriram uma nova investigação depois de reclamações de agricultores da região.
O caso coloca novamente os holofotes sobre as condições de produção dos componentes da Apple fora da China e acende um alerta sobre os impactos ambientais da cadeia de suprimentos da gigante de Cupertino.
O que diz a nova investigação
De acordo com a agência Reuters, que teve acesso a documentos oficiais, a investigação corre em sigilo desde o fim de maio. O foco é saber se o líquido descartado pela fábrica contaminou as terras e os poços de agricultores vizinhos. Alguns deles relataram problemas de pele que, segundo eles, teriam relação com a poluição.
Um laudo de uma inspeção sanitária, datado de 27 de maio, descreve que a descarga da Tata Electronics causou “forte odor” e deixou a água “imprópria para consumo animal”. O documento, assinado por Anish Parvin, médico do governo no vilarejo de Ullugurukkai, onde a fábrica está instalada, foi enviado ao Instituto de Controle de Vetores e Zoonoses de Hosur.
No texto, Parvin afirma que a “água residual liberada pela Tata Electronics se acumulou em terras agrícolas próximas e está contaminando a água limpa presente nos poços da região”. O relatório também menciona que “há relatos de pessoas com problemas de pele relacionados a essa contaminação”.
A Reuters também obteve um relatório de laboratório que mostra que duas amostras de água coletadas em fazendas próximas testaram positivo para E. coli, uma bactéria encontrada em esgoto que indica contaminação fecal do abastecimento de água.
O histórico do caso
No mês passado, a Tata já havia recebido uma advertência do Conselho de Controle de Poluição de Tamil Nadu, que ameaçou fechar a unidade depois de apontar que a água residuária da fábrica contaminava o lençol freático das fazendas vizinhas. Na terça-feira, a Tata afirmou que o órgão regulador havia arquivado o caso, depois que a empresa apresentou sua defesa e resolveu os pontos levantados na notificação.
Mas a nova investigação da saúde pública mostra que o assunto está longe de ser encerrado. A situação escalou para um tenso confronto: um membro do grupo de agricultores entrou na propriedade da Tata para fotografar uma lagoa que, segundo eles, continha água residuária. Um segurança da fábrica sacou uma arma de fogo de dentro de um veículo.
A Reuters também publicou a foto de um agricultor segurando um punhado de água turva e esverdeada coletada de seu campo, perto da fábrica. Nem a Apple nem a Tata responderam aos pedidos de comentário sobre a nova investigação.
O que isso significa para o iPhone
A fábrica de Hosur produz componentes importantes para o iPhone, como tampas traseiras e outras peças. A Apple vem há anos tentando diversificar sua produção para fora da China, e a Índia é um dos pilares dessa estratégia. Um escândalo ambiental desse porte pode atrasar os planos da empresa e manchar sua imagem de responsabilidade socioambiental.
Para o consumidor brasileiro, o impacto mais imediato é nenhum: a produção de iPhones na Índia não afeta diretamente o mercado nacional, que continua recebendo aparelhos montados na China e, cada vez mais, no Brasil. Mas a notícia serve como um lembrete de que a cadeia de suprimentos da Apple, por mais polida que pareça, ainda enfrenta problemas graves fora dos holofotes.
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A investigação ainda está em andamento, e a expectativa é que novos desdobramentos surjam nas próximas semanas. O desfecho pode definir não só o futuro da fábrica na Índia, mas também a credibilidade da Apple em um dos seus mercados mais estratégicos para produção.
Fonte: 9to5Mac
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