Microsoft Edge vai seguir Chrome e dificultar a vida de quem usa bloqueadores de anúncios: entenda
O Edge vai desativar extensões MV2 como uBlock Origin ao adotar o Manifest V3. Entenda o que muda para quem usa bloqueadores de anúncios no navegador.

A Microsoft confirmou que o Edge vai seguir o caminho aberto pelo Google Chrome e abandonar o suporte ao Manifest V2, o padrão técnico que sustenta os bloqueadores de anúncios mais populares do mercado. A mudança, que a empresa já tinha sinalizado antes, começa a se concretizar em 2026 e coloca em xeque extensões como o uBlock Origin na versão clássica, o Adblock Plus e outros adblockers que dependem da API webRequest para funcionar.
Na prática, quem usa o Edge para navegar sem anúncios vai precisar ou migrar para extensões compatíveis com o Manifest V3 ou aceitar que a proteção que tinha antes vai diminuir. O novo padrão impõe limites mais rígidos sobre o que uma extensão pode bloquear, e a indústria de publicidade digital não esconde que sai ganhando com isso.
O que é o Manifest V3 e por que ele muda tudo
Manifest V2 e Manifest V3 são versões do conjunto de regras que define o que extensões de navegador podem ou não fazer. O V2 permite que bloqueadores interceptem e cancelem requisições de rede em tempo real, o que é exatamente o que torna ferramentas como o uBlock Origin tão eficientes contra anúncios, rastreadores e scripts maliciosos.
O Manifest V3, padrão desenvolvido pelo Google e adotado como referência para o ecossistema Chromium, substitui essa capacidade por um sistema de listas de regras declarativas com limite de entradas. Em vez de o bloqueador decidir na hora o que barrar, ele precisa registrar as regras com antecedência, dentro de um teto fixo. O resultado é uma proteção menos granular e menos adaptável a novas ameaças.
A Microsoft não desenvolveu o Edge do zero: o navegador é construído sobre o Chromium, o mesmo motor de código aberto que serve de base para o Chrome. Isso significa que, quando o Google define uma mudança estrutural na plataforma, a Microsoft tende a seguir, sob risco de manter sozinha uma arquitetura que o restante do ecossistema já abandonou.
O que acontece com os bloqueadores de anúncios no Edge
Extensões que já têm versões compatíveis com o MV3 continuam funcionando, mas com capacidade reduzida em relação ao que entregavam antes. O uBlock Origin, por exemplo, lançou o uBlock Origin Lite como versão adaptada ao novo padrão. O próprio desenvolvedor da extensão, Raymond Hill, foi público ao dizer que a versão Lite oferece proteção inferior à original.
Extensões que não fizerem a transição para o MV3 serão desativadas pelo Edge assim que a Microsoft encerrar o suporte ao MV2. A empresa ainda não divulgou uma data definitiva para o corte, mas o cronograma do Google, que já começou a desativar o MV2 para usuários comuns do Chrome, serve de referência para o que está por vir no Edge.
Por que a Microsoft segue o Google nessa decisão
A decisão da Microsoft não é independente: ela é estrutural. Como o Edge roda sobre o Chromium, manter o suporte ao MV2 por tempo indefinido exigiria que a empresa bifurcasse o código do navegador e sustentasse sozinha uma camada de compatibilidade que o Google já descartou. O custo de engenharia para isso seria alto, e o benefício competitivo, discutível.
Há também um componente de negócio. A Microsoft opera o Bing Ads e tem receita publicitária própria. Bloqueadores de anúncios mais fracos significam mais impressões entregues, o que favorece qualquer empresa que vende espaço publicitário digital, incluindo a própria Microsoft.
O que o usuário brasileiro pode fazer agora
Quem usa o Edge e não quer abrir mão de um bloqueador funcional tem algumas saídas. A primeira é migrar para o Firefox, que anunciou que vai manter suporte ao MV2 por prazo indeterminado e tem implementação própria das APIs de extensão, independente do Chromium. A segunda é adotar o uBlock Origin Lite ou outra extensão já adaptada ao MV3, aceitando a proteção reduzida. A terceira é usar um bloqueador no nível de rede, como o Pi-hole ou o AdGuard Home, que age antes de o tráfego chegar ao navegador e não depende de extensão nenhuma.
O que não dá mais para contar é que o Edge vai continuar funcionando como antes para quem depende de extensões MV2. A mudança está confirmada e o caminho de volta não existe.
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Com o Edge alinhado ao Chrome nessa transição, o mercado de extensões de navegador entra numa fase de adaptação forçada. Quem sai na frente é quem já começou a avaliar as alternativas antes de o corte chegar.
Fonte: TudoCelular
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