Redmi revela que custo de memória subiu 5,5 vezes e impacto já aparece no K100

O custo de fabricar um celular nunca foi só sobre o processador, e a Redmi está lembrando isso da pior forma possível. O gerente de produto Hu Xinxin revelou que os gastos com memória e armazenamento dispararam 5,5 vezes nos últimos doze meses, e o reflexo dessa conta já aparece no Redmi K100, lançado nesta semana.
5,5
aumento do custo de memória em um ano
Fonte: Redmi (Hu Xinxin)
Segundo Hu, os preços dos módulos de memória chegaram a um ponto crítico. Dados de terceiros citados por ele mostram que um módulo de 12 GB com 256 GB de armazenamento já custa perto de 2.000 yuans (cerca de R$ 1.603) (cerca de US$ 275 (cerca de R$ 1.469)) para as fabricantes. O número ajuda a entender por que até marcas conhecidas por entregar muito por pouco estão tendo que fazer escolhas dolorosas.
Custo de memória 5,5 vezes maior: o preço que o Redmi K100 paga
O Redmi K100 foi lançado nesta semana na China com o Snapdragon 8 Elite, tela de 165 Hz e bateria recorde de 10.000 mAh. A receita de topo de linha com preço agressivo continua lá, mas o custo dos componentes forçou a Redmi a pisar no freio.
O modelo de 12 GB + 256 GB sai por 3.499 yuans (cerca de R$ 2.804) (cerca de US$ 480 (cerca de R$ 2.564)) no preço cheio. Durante o festival Double 11, o valor cai para 2.999 yuans (cerca de R$ 2.403) (~US$ 411 (cerca de R$ 2.196)) com desconto promocional, e com subsídios adicionais chega a 2.549 yuans (cerca de R$ 2.043) (~US$ 349 (cerca de R$ 1.864)). As versões mais parrudas sobem ainda mais: a de 16 GB + 512 GB custa 4.499 yuans (cerca de R$ 3.605) (~US$ 620 (cerca de R$ 3.312)), e com descontos do Double 11 vai a 3.399 yuans (cerca de R$ 2.724) (~US$ 468 (cerca de R$ 2.500)).
Na prática, o que se vê é uma marca conhecida por estourar a bolha do custo-benefício tendo que recorrer a promoções agressivas logo no lançamento para não assustar o consumidor. O K100 é vendido apenas na China e não tem previsão de sair para o mercado global.
Indústria inteira sente o baque
O problema não é só da Redmi. A alta nos componentes de memória está forçando uma reorganização em várias fabricantes. Fontes do setor indicam que linhas inteiras de celulares e tablets podem ser descontinuadas por causa da margem cada vez mais apertada.

A Meizu, por exemplo, anunciou em fevereiro uma mudança estratégica que suspendeu o desenvolvimento de hardware próprio para o mercado doméstico chinês. Já a OPPO reorganizou suas submarcas em julho: a realme vai focar no mercado internacional e suspendeu atualizações na China, enquanto a OnePlus pausou novos lançamentos na Europa e na América do Norte, mantendo apenas Índia e China ativos.
Para quem acompanha o mercado de celulares, o recado é claro: o smartphone topo de linha com preço agressivo está cada vez mais difícil de sustentar, e os próximos meses devem trazer menos lançamentos e intervalos maiores entre eles.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 28/10/2026 (yuan 1 = R$ 0,80; US$ 1 = R$ 5,34). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
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Fonte: XiaomiTime
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