Ford produz 5 mil peças fundidas para picape elétrica que custará US$ 28 mil
Ford já produziu mais de 5.000 "unicastings" de alumínio para a picape Fathom, que chega em 2027 por US$ 28.350. As peças substituem 146 componentes.

A Ford já ultrapassou a marca de 5.000 peças fundidas de alumínio para o Fathom, sua picape elétrica média que chega em 2027. Cada unidade do veículo leva duas delas, uma na dianteira e outra na traseira, e juntas elas substituem 146 componentes individuais que antes precisavam ser soldados ou parafusados.
Resumo
- Ford já produziu mais de 5.000 peças fundidas de alumínio para a picape Fathom
- Cada picape terá duas peças (dianteira e traseira) que substituem 146 componentes individuais
- O Fathom chega em 2027 com preço inicial de US$ 28.350 (cerca de R$ 151.236), abaixo de qualquer Tesla
- Processo segue a técnica que a Tesla popularizou com o Giga Press em 2020
- Ford também está redesenho a linha de montagem em Louisville para ser até 40% mais rápida

O número é o sinal mais claro de que a Ford está de vez na técnica que a Tesla popularizou seis anos atrás com o Giga Press. A diferença é que a picape da Ford deve custar US$ 28.350 (cerca de R$ 151.236), valor que fica abaixo de qualquer Tesla à venda hoje.
Como a Ford fabrica as peças fundidas do Fathom
A informação veio de Vladimir Bogachuk, engenheiro-chefe de arquitetura avançada de estrutura veicular da Ford, em um post no blog oficial da empresa (From the Road). As peças são produzidas no Shelbyville Technical Center, no Kentucky, e enviadas para a Louisville Assembly Plant, onde passam por testes e montagem de protótipos.

O processo começa com lingotes de alumínio derretidos a cerca de 700°C. O metal líquido é injetado em moldes que formam a estrutura dianteira ou traseira. Um robô retira a peça ainda quente e a leva para um tanque de têmpera. Depois vem a usinagem e uma bateria de inspeções: raio-X industrial para detectar poros e vazios, medições dimensionais em sala climatizada, escaneamento óptico de superfície e testes de tração e química em amostras no laboratório.
Cada lote só é liberado para a linha de montagem depois que todas as peças passam por essa checagem. A Ford diz que também está trabalhando em reduzir o tempo de ciclo do processo e em projetar as peças para “reparabilidade modular”, um ponto crítico nesse tipo de fabricação.
O ponto fraco da gigacasting
A reparabilidade é justamente o maior motivo pelo qual várias montadoras ainda hesitam em adotar peças fundidas de grande porte. Quando uma estrutura é uma peça única e sofre um dano em uma colisão moderada, o conserto pode inviabilizar o veículo. O executivo da Lucid Cory Steuben já disse que preocupações com seguros levaram a empresa a descartar a gigacasting completamente.

A Tesla começou em 2020 com uma prensa IDRA Giga Press de cerca de 6.000 toneladas de força em Fremont, na Califórnia. A máquina fundia a parte traseira do Model Y em uma única peça, substituindo 70 componentes. Na época, Elon Musk disse que a mudança eliminou a necessidade de cerca de 300 robôs na linha.
A Tesla tentou ir além, adicionando a peça dianteira e conectando as duas com um pack de bateria estrutural. Mas, em 2024, a Reuters reportou que a empresa recuou do plano de fundir quase todo o assoalho em uma peça só, e teria até abandonado a peça fundida dianteira em parte da produção do Model Y.
Quem está dentro e quem está fora da corrida
Desde a primeira Giga Press, um número crescente de fabricantes comprou ou encomendou prensas gigantes. A Volvo começou a produzir o EX60 neste ano com uma única megafundição traseira e encomendou duas prensas IDRA de 9.000 toneladas para a nova fábrica na Eslováquia, segundo a Ford. A Xiaomi usa prensas de 9.100 toneladas que combinam 72 componentes em uma peça. A Xpeng funde a dianteira e a traseira do G6, unindo mais de 300 peças. A Honda está instalando seis prensas de 6.100 toneladas em Ohio para componentes de elétricos. A Toyota já mostrou seu próprio processo de gigacasting, e o grupo Aisin planeja investir US$ 3,4 bilhões (cerca de R$ 18,1 bilhões) em três anos.
Do outro lado, a Stellantis disse que não vai investir em gigacasting. BMW e Mercedes-Benz mantiveram prensas menores para partes da carroceria. A Hyundai empurrou seu plano “Hypercasting” dois anos para frente.
A fábrica que vai montar a picape
As peças fundidas são só uma peça de uma reestruturação maior na planta de Louisville, no Kentucky, onde a Ford está dividindo a linha de montagem em três braços (dianteira, traseira e o pack de bateria com o assoalho interno) que se encontram no final. A empresa diz que isso pode ser até 40% mais rápido do que a montagem atual, ou cerca de 15% líquido depois que parte da economia for reinvestida em automação e integração vertical. A lógica é muito próxima do processo “unboxed” que a Tesla vem desenvolvendo.
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Com o Fathom, a Ford aposta que a combinação de peças fundidas com uma linha de montagem repensada vai permitir o preço de US$ 28.350 (cerca de R$ 151.236). A um custo abaixo de qualquer Tesla hoje, a picape média pode ser o teste decisivo de se a gigacasting entrega o que promete quando o alvo não é um carro premium, mas um elétrico de entrada.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 27/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,33). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
5.000+
Unicastings de alumínio produzidos pela Ford
Fonte: Ford
Fonte: Electrek
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