Instagram testa vídeos longos, mas não tem plano para pagar criadores
Com o teste de vídeos de até 90 minutos (Features), o Instagram enfrenta pressão dos criadores: não há plano de monetização como o do YouTube.

O Instagram quer disputar o território dos vídeos longos com o YouTube, mas ainda não decidiu se vai pagar os criadores por isso, e a pressão já começou.
Resumo
- Instagram testa Features, vídeos de até 90 minutos na horizontal, nos EUA e no Brasil
- Criadores reclamam que não há plano de monetização como o do YouTube
- Adam Mosseri diz que estuda opções, mas vê anúncios no meio dos vídeos como 'problemáticos'
- Meta já teve sistema de divisão de receita no Facebook, mas o aposentou em 2024
- Formato está em teste com um grupo pequeno de criadores, sem previsão de lançamento geral
Na segunda-feira, Adam Mosseri, chefe do Instagram, anunciou os testes do Features, formato que permite vídeos de até 90 minutos na horizontal, bem diferente dos Reels de 20 segundos que viraram marca da casa. O TecStudio já mostrou como funciona. Mas o que Mosseri não anunciou foi um plano de monetização, e os criadores não deixaram passar batido.
Criadores reclamam que estão trabalhando de graça
Logo após o anúncio, Threads e Reddit encheram de posts de criadores insatisfeitos. O problema é um só: o YouTube divide receita de anúncios com quem produz vídeos longos; o Instagram, por enquanto, não divide nada.
“Vocês sabem como isso funciona, sabem como funcionam os anúncios e sabem que criadores de conteúdo longo precisam da receita de anúncios para sobreviver”, escreveu o criador Sidneyraz (nome real Sidney Raskind) no Threads. “Mas pedem que todo mundo envie conteúdo longo de graça só para estar na plataforma. Isso é insano.”
O criador de tecnologia M. M. Brandon Lee também foi para o Threads: “Por que eu postaria meu conteúdo longo lá? Qual o benefício? Não consigo nem colocar links no meu conteúdo para ganhar comissão de afiliados a menos que eu pague para postar um número limitado de links. Não recebo receita de anúncios. Vocês querem mais, mas não dão mais.”
O Features está sendo testado por um grupo pequeno de criadores nos Estados Unidos e no Brasil. Os vídeos podem ter até 90 minutos, são na horizontal e focam em conteúdo para a tela grande, uma tentativa do Instagram de competir com o YouTube também na TV.
O que Mosseri disse (e o que não disse)
Mosseri respondeu às críticas em uma postagem no Threads ontem. “Entendemos que a economia é fundamental e estamos explorando múltiplas opções para ajudar criadores de conteúdo longo a serem pagos”, escreveu.
Em um podcast com Samir Chaudry e Colin Rosenblum, ele foi mais direto sobre os motivos pelos quais o Instagram não adota o modelo do YouTube. Disse que introduzir anúncios antes ou no meio dos vídeos (pre-roll e mid-roll) “seria problemático do ponto de vista da experiência do usuário”. E que escalar o pequeno programa de pagamento baseado em desempenho que já existe não faz sentido, porque a Meta gasta mais com ele do que recupera.
“Existem três formas de ser pago em um nível alto: você pode ser pago diretamente pela plataforma, pode ser pago por um fã e pode ser pago por uma marca”, disse Mosseri no podcast. “Hoje, no Instagram, a forma principal é ser pago por marcas. Algumas pessoas são pagas por fãs. Criadores não produzem muito mais quando são pagos, em comparação com o que já produzem.”
Essa última afirmação gerou ainda mais revolta entre criadores, que a veem como uma desvalorização do trabalho de quem produz conteúdo longo.
O dilema do alcance contra o dinheiro
Na prática, o que o Instagram oferece hoje é o alcance. Postar um vídeo no Features pode render milhões de visualizações, e a Meta pode usar esse conteúdo para treinar seus modelos de inteligência artificial, como informam os termos de uso. O YouTube também treina IA com vídeos, mas pelo menos paga os criadores por eles.
A Meta já teve um modelo de divisão de receita de anúncios para vídeos longos no Facebook, mas aposentou o sistema em 2024, quando migrou para um modelo baseado em desempenho. Desde então, criadores que produziam conteúdo longo no Facebook relatam queda nos ganhos.
O Instagram tem ferramentas limitadas de monetização para Reels, mas elas não pagam diretamente por visualização como o YouTube faz. Para criadores que vivem de vídeo longo, a equação é simples: por que produzir conteúdo de 90 minutos se o dinheiro só aparece no YouTube?
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Mosseri prometeu que “múltiplas opções” estão sendo estudadas, mas não deu prazos nem detalhes. Enquanto isso, o Features segue em teste com um grupo reduzido de criadores nos dois países, e sem data para chegar a todos os usuários.
Perguntas frequentes
O que é o Features do Instagram?
É um formato de vídeo longo (até 90 minutos) na horizontal, diferente dos Reels curtos. O foco é conteúdo paisagem para telas grandes.
O Instagram vai pagar criadores pelos vídeos longos?
Ainda não. Adam Mosseri diz que a plataforma estuda opções, mas não há plano concreto. Criadores podem ganhar com marcas e fãs, mas não com divisão de receita de anúncios como no YouTube.
Quem pode usar o Features?
Por enquanto, apenas um grupo pequeno de criadores nos Estados Unidos e no Brasil está testando o formato.
O Instagram pode usar meus vídeos para treinar IA?
Sim, de acordo com os termos de uso da Meta, o conteúdo postado pode ser usado para treinar modelos de inteligência artificial.
Fonte: The Verge
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