NVIDIA GeForce 8800 GTX faz 20 anos: a placa que inventou o CUDA ganha demo no Steam

Há vinte anos, a NVIDIA lançou uma placa de vídeo que não se contentou em rodar jogos bem: ela mudou o rumo da computação inteira. A GeForce 8800 GTX, que chegou ao mercado em 8 de novembro de 2006, foi a primeira GPU com suporte a CUDA, a arquitetura que mais tarde viraria o motor dos data centers de inteligência artificial.
128
núcleos CUDA da GeForce 8800 GTX
Fonte: NVIDIA

Para comemorar o aniversário, a NVIDIA liberou nesta quinta-feira (5) um demo interativo no Steam chamado “GeForce 8800 GTX, 20 Years of a Legend”. A experiência, criada pelo artista Dylan Browne com a Unreal Engine, leva o jogador de volta a 2006 num quarto de época, completo com Windows Vista, um monitor de tubo e uma caixa da placa para desembalar, mas turbinado com as tecnologias mais recentes da empresa, como Path Tracing, DLSS 4.5 e Multi Frame Generation.
O que tornou a GeForce 8800 GTX especial
Antes dela, NVIDIA e AMD dividiam o mercado de GPUs de olho no olho. A G80, chip de 90 nm com 681 milhões de transistores, mudou o jogo. Eram 128 núcleos unificados, os primeiros compatíveis com CUDA, rodando a 576 MHz, com 768 MB de memória GDDR3 num barramento de 384 bits, o que entregava 86,4 GB/s de largura de banda. Tudo isso consumindo 155 W, alimentados por dois conectores de 6 pinos.
| Especificação | NVIDIA GeForce 8800 GTX |
|---|---|
| Lançamento | Novembro de 2006 |
| Arquitetura | Tesla / G80 (90 nm) |
| Núcleos CUDA | 128 |
| Clock | 576 MHz |
| VRAM | 768 MB GDDR3 (384 bits) |
| Largura de banda | 86,4 GB/s |
| TDP | 155 W |
| Preço (lançamento, EUA) | US$ 599 (cerca de R$ 3.281) |
O preço de lançamento nos Estados Unidos foi de US$ 599 (cerca de R$ 3.281). Não era barato, mas a placa se pagava no desempenho: era uma das poucas capazes de rodar Crysis, BioShock e Company of Heroes em taxas de quadros jogáveis sem abrir mão da qualidade gráfica. O suporte a DirectX 10 e OpenGL 3.3 a manteve relevante por anos, e até hoje aparece em montagens retro.
O legado do CUDA e o salto para a inteligência artificial
O grande feito da 8800 GTX não foi apenas roda jogos pesados. Foi apresentar ao mundo o CUDA (Compute Unified Device Architecture), uma plataforma de computação paralela que transformou as GPUs em máquinas de propósito geral. O que antes servia só para renderizar polígonos passou a ser usado em simulações científicas, processamento de dados e, eventualmente, no treinamento de modelos de IA.
O salto em duas décadas é de outro planeta. A GeForce 8800 GTX entregava 0,345 TFLOPS de potência em precisão simples (FP32). A GeForce RTX 5090, lançada no começo de 2025, chega a 104,8 TFLOPS, 304 vezes mais. A memória pulou de 768 MB para 32 GB de GDDR7, e o número de núcleos CUDA saltou de 128 para 21.760. A placa de 2006 não tinha Ray Tracing nem hardware dedicado de IA; a atual tem 170 núcleos de RT de quarta geração e 680 Tensor Cores de quinta.
O demo de aniversário: nostalgia com tecnologia de ponta
O demo no Steam não é um jogo, mas uma experiência interativa. O jogador entra num quarto dos anos 2000 e pode desembalar a placa, inspecionar os componentes, ligar o PC e encontrar ovos de páscoa espalhados pelo cenário. Entre eles: pôsteres clássicos das tech demos da NVIDIA (Froggy, Cascades, Adrianne), GPUs históricas como a TNT2 e a GeForce 6800 Ultra, a placa-mãe nForce 680i e o som icônico de inicialização do Windows Vista.

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Tudo isso renderizado com o que há de mais moderno em gráficos hoje, Path Tracing, DLSS 4.5 com Ray Reconstruction e RTX Mega Geometry. A ideia, segundo a NVIDIA, é mostrar o quanto a indústria avançou desde 2006.
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A placa que inventou o CUDA completa 20 anos num momento em que os preços das GPUs sobem e o acesso a hardware novo se torna mais difícil. O demo no Steam é um lembrete de onde a computação gráfica chegou, e do caminho que uma placa de 128 núcleos, 768 MB e US$ 599 (cerca de R$ 3.281) abriu para a inteligência artificial que hoje roda nos mesmos chips que saíram daquela arquitetura.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 04/11/2026 (US$ 1 = R$ 5,48). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: Wccftech
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