The New York Times processa Brave por usar conteúdo sem autorização para treinar IA

A guerra entre o jornalismo tradicional e as empresas de inteligência artificial ganhou mais um capítulo de peso. O The New York Times, junto com os jornais New York Daily News, Chicago Tribune e Orlando Sentinel, entrou com um processo contra a Brave Software, a empresa por trás do navegador Brave. A acusação é dupla e atinge dois pontos sensíveis do negócio de notícias: o uso de conteúdo protegido para treinar modelos de IA e a quebra de paywalls.
A informação foi divulgada pela Reuters neste domingo (2). O processo, protocolado nos Estados Unidos, alega que a Brave não só raspou os sites dos jornais sem autorização como também lucrou com isso, vendendo o acesso ao conteúdo para empresas de inteligência artificial.
A acusação de scraping e venda de conteúdo para IA
De acordo com a queixa obtida pela Reuters, a Brave Software teria monetizado o “Brave Index”, um índice próprio de sites raspados da web, oferecendo a empresas de IA acesso pago a “conteúdo online em tempo real”. Esse material, segundo o processo, foi usado para treinar modelos de linguagem e também para alimentar respostas a consultas de usuários em tempo real.
O documento cita nominalmente algumas das empresas de IA que teriam recebido esse conteúdo: Anthropic, Perplexity, Mistral, xAI e Cohere. A acusação é direta: a Brave teria fornecido “conteúdo protegido por direitos autorais roubado” para essas companhias.
O texto da queixa afirma que a Brave “nunca pediu permissão dos editores para acessar seus sites, muito menos para copiar o material e fornecê-lo a usuários ou outras empresas de IA”. Diz ainda que a empresa “nunca compensou os editores pelo uso, cópia e distribuição não autorizada de seu conteúdo protegido”.
O bloqueador de paywall que virou problema
O segundo front da briga é o recurso de “bloqueador de paywall” do navegador Brave. O processo alega que a empresa promove essa funcionalidade como capaz de contornar os muros de pagamento de “centenas dos maiores editores” do mundo. Para os jornais, isso não passa de incentivo à pirataria de conteúdo jornalístico.
Perguntas frequentes
O que a Brave é acusada de fazer?
O processo alega que a Brave raspou sites de notícias sem autorização, vendeu esse conteúdo para empresas de IA treinarem seus modelos e ainda permite que usuários do navegador burlem paywalls.
Quais empresas de IA receberam dados da Brave?
O processo cita Anthropic, Perplexity, Mistral, xAI e Cohere como empresas que supostamente tiveram acesso pago ao índice da Brave.
A Brave respondeu às acusações?
Até a publicação desta matéria, a Brave não respondeu aos pedidos de comentário. A empresa foi procurada pelo The Verge.
O que diz a Perplexity sobre o processo?
Jesse Dwyer, diretor de comunicação da Perplexity, disse que o NYT 'está pagando demais por seus advogados e de menos por seus jornalistas' e que os jornalistas do jornal 'poderiam ter identificado facilmente a desinformação neste processo'.
Do lado do New York Times, o tom é de esgotamento. “Embora acreditemos no uso ético e responsável do desenvolvimento de IA, a Brave desrespeitou a lei de direitos autorais estabelecida e ignorou repetidos pedidos do The Times para interromper sua conduta infratora”, disse Graham James, porta-voz do NYT, em comunicado. “Entramos com este processo para responsabilizar a Brave por roubar nosso conteúdo para alimentar seus próprios produtos e fornecê-lo a algumas das empresas de IA generativa mais proeminentes e bem financiadas do mundo.”
A resposta da Perplexity e o silêncio dos outros
Procuradas pelo The Verge, a Brave, a Anthropic, a Mistral, a xAI e a Cohere não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Quem se manifestou foi a Perplexity, uma das empresas de IA citadas no processo.
Jesse Dwyer, diretor de comunicação da Perplexity, não poupou críticas. “O New York Times está pagando demais por seus advogados e de menos por seus jornalistas. (Quem poderia ter identificado facilmente a desinformação neste processo.)”, disse Dwyer em comunicado ao The Verge, uma referência direta à alegação de que a Brave não teria autorização para compartilhar o conteúdo dos jornais.
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O caso coloca mais pressão sobre o modelo de negócios de navegadores que funcionam como agregadores de conteúdo e, ao mesmo tempo, reforça a tensão entre o jornalismo tradicional e as empresas de IA que dependem de dados frescos da web para treinar seus modelos. Por enquanto, a Brave não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
Fonte: The Verge
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