Hackers invadem geladeiras de supermercado na Europa e estragam alimentos em dezenas de lojas

Uma nova onda de ataques cibernéticos transformou freezers de supermercado em armadilhas para os próprios donos na Europa. Hackers invadiram os sistemas de refrigeração de dezenas de lojas em pelo menos quatro países e alteraram a temperatura dos equipamentos, fazendo com que alimentos perecíveis estragassem e fossem descartados.
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países europeus afetados pelos hacks em refrigeradores
Fonte: TechCrunch
As redes Ahold Delhaize e Colruyt confirmaram os ataques nas últimas horas, segundo a agência Reuters. Uma empresa belga que opera os sistemas da Delhaize afirmou que os hackers mudaram as configurações para o modo degelo.
As lojas afetadas registraram perdas pesadas de alimentos e foram forçadas a jogar fora produtos que descongelaram ou se tornaram impróprios para consumo. Os ataques atingiram dezenas de lojas na Bélgica, Irlanda, Luxemburgo e Suécia.
Segunda onda de ataques a freezers inteligentes
Este é o segundo episódio do tipo em menos de dois meses. Em outubro, uma onda anterior de ataques a refrigeradores de supermercado atingiu a França, estragando alimentos em centenas de lojas ao elevar deliberadamente a temperatura das unidades.
Pesquisadores de segurança apontaram que os equipamentos vulneráveis são refrigeradores conectados à internet fabricados pela empresa dinamarquesa Danfoss, que parou de fornecer atualizações de segurança para os aparelhos. Em agosto, a empresa de segurança Claroty já havia alertado que essas unidades de refrigeração corriam risco de invasão remota e pane.
O problema, segundo especialistas, é que geladeiras e freezers inteligentes como os da Danfoss dependem de atualizações periódicas de firmware para corrigir brechas de segurança. Quando o fabricante interrompe o suporte, os equipamentos ficam expostos a ataques que podem ser explorados por qualquer hacker com conhecimento técnico.
O estrago real de um ataque digital
Os freezers hackeados mostram como ataques cibernéticos podem ter efeitos concretos no mundo físico, incluindo na cadeia de abastecimento de alimentos, muitas vezes como resultado de práticas de segurança negligenciadas.
Em 2025, um ataque cibernético ao gigante de distribuição de alimentos UNFI já havia provocado escassez de produtos e prateleiras vazias em supermercados dos Estados Unidos. O caso mostrou que o elo mais fraço nem sempre está no caixa ou no site da loja, mas em sistemas pouco visíveis como câmaras frigoríficas e centrais de refrigeração.
O problema também chamou a atenção de autoridades de segurança nacional. O Departamento de Defesa dos EUA investiga se freezers em bases militares foram hackeados por hackers apoiados pelo Irã, de acordo com a apuração. O mesmo grupo já foi responsabilizado por ataques cibernéticos contra sistemas de abastecimento de água nos Estados Unidos no início de 2026.
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Até o momento, nem a Danfoss nem as redes afetadas informaram se há previsão de correção para a vulnerabilidade dos refrigeradores ou se as lojas atingidas já retomaram a operação normal. O caso acende um alerta para supermercados ao redor do mundo que usam equipamentos conectados sem suporte de segurança ativo.
Fonte: TechCrunch
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