Após criticar touch no Windows, Apple pode lançar MacBook com tela touch; ex-chefe da Microsoft reage
Após 14 anos criticando telas touch em laptops, Apple pode lançar MacBook Pro com touchscreen. Steven Sinofsky provoca: 'e aí, ainda acham que touch não presta?'

Quatorze anos depois de Steve Jobs dizer que tela touch em laptop faz “o braço cair”, a Apple está prestes a apresentar um MacBook Pro com touchscreen. O anúncio deve acontecer no evento “Pro and Tell” no dia 28 de outubro, segundo o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg. Quem não deixou passar a ironia foi Steven Sinofsky, o ex-chefe do Windows que comandou o Windows 8, o sistema que levou a culpa por ter ousado colocar touch em PCs.
Resumo
- Apple pode lançar MacBook Pro com tela touch em evento no dia 28 de outubro.
- Ex-chefe do Windows critica ironia após anos de críticas ao touch em PCs.
- Steve Jobs disse em 2010 que tela touch em laptop fazia o braço cair.
- Windows 8 foi criticado por touch, mas problema real era o Menu Iniciar.
Sinofsky usou o convite do evento da Apple no X para cutucar. “Devo desenterrar todas as manchetes que criticaram o touch no Windows? Todas que disseram que ninguém sabe usar? Que touch não pertence a um computador de verdade?”, escreveu. A provocação reabre uma ferida de 14 anos, quando a Microsoft foi ridicularizada por adotar telas sensíveis ao toque em notebooks com o Windows 8, enquanto a Apple agora caminha na mesma direção, como se fosse uma novidade.
A ironia da história: de ‘braço cai’ a ‘inovação’
Em 2010, no evento “Back to the Mac”, Steve Jobs explicou por que os Macs não teriam telas touch. “Fizemos toneladas de testes com usuários e descobrimos que não funciona. Superfícies touch não devem ser verticais”, disse. “Depois de um tempo, seu braço começa a cansar e, após um período prolongado, parece que vai cair.” A frase virou mantra contra telas touch em notebooks.

Em 2012, Tim Cook comparou o Windows 8 a “misturar uma torradeira com uma geladeira”, dizendo que a convergência não agradaria o usuário. Em 2014, Craig Federighi reforçou: “É óbvio e fácil colocar uma tela touch num hardware, mas isso é uma boa experiência? Acreditamos que não.”

A própria HP, que já vendia PCs com touch na época, respondeu na hora. Ken Bosley, executivo da empresa, lembrou que o touch nunca foi pensado como único meio de entrada — o teclado e o mouse continuam ali, e os notebooks híbridos viram tablets quando necessário. O argumento de Jobs, dizia ele, ignorava o uso complementar da tela.
A verdadeira bronca não foi o touch, foi o Menu Iniciar
Sinofsky, em seu post, foi além: ele sugere que a rejeição ao Windows 8 não era sobre touch, mas sobre a substituição do Menu Iniciar por uma tela cheia de blocos. “Apple não tem esse problema porque o macOS não tem Menu Iniciar para quebrar”, ironizou. O Spotlight, busca do sistema, permite achar apps digitando — exatamente o que a tela Iniciar do Windows 8 fazia, mas por toque.
O que é Spotlight? Ferramenta de busca do macOS que localiza arquivos, aplicativos e informações no sistema.
A Microsoft ouviu as críticas e trouxe o Menu Iniciar de volta no Windows 10. Mesmo assim, a fama de que “touch não presta em PC” grudou no Windows 8. Hoje, notebooks com tela touch são comuns — dos conversíveis Lenovo Yoga aos desktops tudo-em-um da Dell — e o Surface Pro é a referência de tablet que substitui laptop.
O que muda com um MacBook touch
Se a Apple confirmar o touchscreen, será o fim de uma era de negação. Os novos MacBook Pros devem vir com painéis OLED e o chip M-series, que promete desempenho gráfico de sobra para criadores de conteúdo. Na prática, o usuário poderá interagir com gestos, desenhar com caneta e usar apps de forma mais fluida — algo que o ecossistema Windows oferece há mais de uma década.
A Apple ainda não confirmou nada, mas Gurman aposta no anúncio para 28 de outubro. Se acontecer, será a maior virada na linha Mac desde a transição para processadores próprios. E Sinofsky, do outro lado, já deixou o recado: “Esperem anos de manchetes dizendo que a Apple inventou o touch em laptops.”
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A Apple está prestes a mostrar que, 14 anos depois, o touch em laptop não é heresia — e que até Jobs pode ser superado pelos fatos. Resta saber se o público vai abraçar a novidade ou se a hipocrisia vai render mais memes.
Fonte: Windows Latest
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