Microsoft remove ferramenta que transferia arquivos entre computadores com Windows 11 pela rede local

Se você montou um PC novo nos últimos meses e esperava transferir seus arquivos do computador velho pela rede local, esquece. A Microsoft matou o PC-to-PC Migration do Windows 11, a ferramenta que fazia exatamente isso: conectar dois computadores por Wi-Fi ou cabo de rede e passar pastas inteiras de um para o outro sem depender de nuvem, pendrive ou disco externo.
5
GB gratuitos no OneDrive para transferir arquivos de um PC para outro
Fonte: Microsoft

A remoção começou em setembro com a atualização opcional do Windows 11 e chegou a todo mundo no Patch Tuesday de 13 de outubro (KB5127648). Quem ainda não atualizou pode até ver a opção no setup inicial do PC novo. Quem já roda o pacote de outubro, não vê mais.
Agora o caminho que a Microsoft oferece é outro: o Windows Backup, que sincroniza suas pastas com o OneDrive e restaura os dados na máquina nova pela sua conta Microsoft. O problema? A conta gratuita do OneDrive tem só 5GB de armazenamento. E a própria Microsoft já mostrava uma captura de tela da ferramenta antiga movendo 118GB de uma vez.
Como funcionava o PC-to-PC Migration e por que ele fazia falta
A ferramenta aparecia durante a configuração inicial (OOBE) do Windows 11. Você emparelhava os dois computadores usando o nome do PC antigo e um código de uso único que aparecia na tela do novo, escolhia as pastas e deixava a transferência rolar pela rede local. O computador velho podia rodar Windows 10 ou 11; o novo precisava do Windows 11 versão 2024 ou superior.


Não era perfeito. A Microsoft avisava que o recurso não levava aplicativos instalados, senhas salvas, arquivos do OneDrive, unidades criptografadas com BitLocker nem pastas do sistema como Program Files. Mas ele transferia arquivos de qualquer pasta ou unidade, inclusive a Downloads e pastas personalizadas fora do perfil do usuário. Era uma solução prática para quem trocava de computador e não queria depender de um serviço de nuvem.
118GB de arquivos contra 5GB no OneDrive
O Windows Backup, substituto indicado pela Microsoft, funciona de forma diferente. Ele faz backup de cinco pastas do sistema (Desktop, Documents, Pictures, Videos e Music) e sincroniza tudo com o OneDrive. Depois, na máquina nova, você restaura esses dados entrando com a mesma conta Microsoft.
118
GB que o PC-to-PC Migration conseguia transferir de uma só vez
Fonte: Microsoft

O problema está no limite. Uma conta gratuita do OneDrive oferece 5GB de armazenamento. Para qualquer volume acima disso, é preciso pagar. E, ironicamente, a própria Microsoft usava capturas de tela do PC-to-PC Migration mostrando a ferramenta transferindo 118GB de uma vez em uma única migração. Com 5GB, a conta gratuita não levaria nem o começo do que o PC-to-PC Migration movia de uma só vez.
Fora isso, o Windows Backup exige uma conta pessoal da Microsoft (contas corporativas ou de estudante não funcionam) e só cobre cinco pastas do sistema. Pastas como Downloads e qualquer diretório fora do perfil do usuário ficam de fora. Quem não quiser mandar arquivos pessoais para a nuvem ou tiver mais de 5GB de dados perdeu o único jeito guiado de fazer a transição.
Do lado positivo, o Windows Backup lembra itens que a ferramenta antiga ignorava: lista de aplicativos instalados, redes Wi-Fi salvas e senhas. Os apps, porém, precisam ser reinstalados a partir dos pins. A restauração pode ser feita em qualquer PC com a mesma conta.
Um ano de vida e um sumiço sem explicação
O PC-to-PC Migration teve uma existência curta. O TecStudio registrou os primeiros testes da Microsoft em maio de 2025, e a empresa confirmou o lançamento gradual em junho daquele ano. Em julho, já havia uma página de suporte explicando o funcionamento. Pouco mais de um ano depois, o recurso sumiu: primeiro das builds Release Preview em 10 de setembro, depois da atualização opcional e finalmente do Patch Tuesday de outubro.
A Microsoft não explicou por que tirou a ferramenta do ar. A página de suporte do PC-to-PC Migration agora diz apenas: “This feature is no longer available.”. Use Windows Backup and Restore instead.” Nas notas da atualização KB5124010, a empresa repete que a funcionalidade deixou de existir e recomenda o backup via nuvem.
A decisão se encaixa em um padrão que o TecStudio já apontou: a Microsoft promete escolha no Windows 11, mas tira opções uma a uma. A empresa eliminou a alternativa local e empurrou o usuário para o OneDrive, que para quem tem mais de 5GB de arquivos significa botar a mão no bolso.
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Se você ainda depende da migração local, ainda dá para copiar arquivos manualmente com um pendrive, um disco externo ou uma pasta compartilhada na rede. Mas o Windows não oferece mais um assistente para isso. Quem quiser o caminho guiado vai ter que passar pelo OneDrive e, muito provavelmente, pagar por mais espaço.
Fonte: Windows Latest
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