Windows 11 roda só na NPU, sem GPU, mas a 2 frames por segundo

Dá para rodar o Windows 11 inteiro num processador neural (NPU) sem encostar na placa de vídeo? Um grupo de desenvolvedores open-source respondeu que sim. Mas a resposta vem com uma ressalva gigante: a área de trabalho roda a 2 ou 3 quadros por segundo, basicamente uma apresentação de PowerPoint com janelas.
O projeto, chamado simplesmente de “npu driver”, foi liberado no GitHub pelo grupo labscommunity sob licença Apache 2.0. O driver escreve do zero a comunicação entre o sistema operacional e o hardware de inteligência artificial do processador, fazendo a NPU assumir a composição e a exibição da interface gráfica.
Como um chip de IA virou placa de vídeo
NPUs são circuitos especializados em multiplicação de matrizes, o pão com manteiga de tarefas de inteligência artificial. Renderizar uma interface gráfica, com janelas que se movem, ícones que redesenham e texto que atualiza, não está no currículo delas. Para contornar isso, os desenvolvedores escreveram um driver que desvia o pipeline gráfico padrão do Windows e entrega o trabalho braçal de composição para o processador neural.
O resultado é que a NPU, projetada para cargas leves e contínuas de IA, passa a se virar com a área de trabalho inteira. O sistema entende que está lidando com um adaptador de vídeo que não é nem integrado nem dedicado, mas sim o chip de IA do processador. E, contra todas as expectativas, a tela aparece.
Panther Lake no volante, 2 FPS no painel
Os testes foram rodados em hardware dos futuros processadores Intel Panther Lake, que ainda não chegaram ao mercado. Com a NPU trabalhando, o medidor de utilização neural ficou em cerca de 52% só para empurrar os poucos quadros que o sistema consegue gerar.
2-3
FPS do Windows 11 rodando só na NPU
Fonte: labscommunity

Nas medições, o desempenho ficou entre 2 e 3 Hz, com alguns momentos em que a taxa despencou para 0,6 FPS. Quem já tentou jogar alguma coisa a menos de 30 FPS sabe o nível de sofrimento visual. Quem já tentou interagir com janelas, explorador de arquivos e barra de tarefas nessa velocidade sabe como a experiência é impraticável. O sistema fica praticamente inoperável para uso do dia a dia.
Ainda assim, os desenvolvedores consideram o feito um avanço técnico relevante. “Não se pode subestender o feito de fazer a área de trabalho ser exibida de forma limpa sem uma GPU”, relata o grupo. O fato de o sistema não travar ou colapsar sob a carga já é uma vitória da engenharia envolvida.
Fail-safe e a meta dos 30 quadros
Para evitar que o Windows simplesmente congele quando a NPU não dá conta, o driver tem um mecanismo de segurança integrado. Se o sistema detectar uma falha no software ou se o usuário pedir, ele devolve automaticamente a renderização para a GPU integrada ou dedicada do computador. Ou seja, o Windows não fica refém do experimento.

O grupo não quer parar na prova de conceito. A meta declarada para versões futuras rodando em Panther Lake é de 30 Hz, o mínimo considerado aceitável para uma interface fluida. Se os desenvolvedores vão chegar lá ou se o projeto vai acabar virando uma nota de rodapé na história dos drivers, só o trabalho nos repositórios vai dizer.
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O driver está disponível no GitHub sob licença Apache 2.0 para quem quiser testar ou contribuir. É software experimental, então não espere plugar e usar sem sustos. A recomendação dos próprios desenvolvedores é que a ferramenta serve como base para pesquisa, não para substituir sua placa de vídeo no dia a dia.
Fonte: Wccftech
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