Apple armazena dados do iCloud em servidores do governo chinês, mas briga com a UE por Siri AI
Apple armazena dados do iCloud em servidores do governo chinês, mas briga com a UE por causa da Siri AI. Entenda a hipocrisia da empresa e o impasse com a Comissão Europeia.

A Apple sempre gostou de se apresentar como a grande defensora da privacidade dos usuários. Mas, na prática, a história é cheia de curvas e concessões que derrubam qualquer discurso de moral superior.
Na segunda-feira, durante a WWDC 2026, a empresa soltou uma bomba: a Siri com IA não vai chegar na União Europeia e na China no iOS e iPadOS. Só vai funcionar em Macs e no Apple Vision Pro, porque essas plataformas não caem sob a regulação do Digital Markets Act (DMA) europeu.
O que a Comissão Europeia diz sobre a Siri AI
Para a Apple, a culpa é toda da Comissão Europeia. Mas a Comissão pensa diferente. Em uma coletiva de imprensa, o porta-voz do órgão foi direto: “a decisão de não permitir a Siri AI na UE é exclusivamente da Apple, e só da Apple”. E completou: nada no DMA “impede a Apple de lançar novos produtos na UE”.
O problema, na visão da Comissão, é que a Apple não quer abrir o mercado para concorrentes. Segundo o porta-voz, a empresa não pode “escolher quais ferramentas de IA os cidadãos da UE podem usar ou não”.
A Apple alega que não consegue atender às exigências de interoperabilidade de agentes de IA sem violar a privacidade. A empresa diz que construiu uma arquitetura que impede até o Google de bisbilhotar as inferências de IA dentro do Google Cloud.
Enquanto isso, na China: iCloud em servidores do governo
O mais curioso é que, na China, a Apple não teve esse tipo de preocupação. Desde 2018, os dados do iCloud de usuários chineses são armazenados em servidores de propriedade do governo, com chaves de criptografia guardadas localmente. Na prática, isso dá ao governo chinês acesso teórico a qualquer pedaço de dado armazenado.
“Na China, eles silenciosamente moveram dados do iCloud (fotos, mensagens etc.) para servidores estatais, armazenaram chaves localmente e deram acesso a entidades ligadas ao governo”, resumiu o analista Daebak 앤디 em uma postagem no X (antigo Twitter).
A Apple não explica como vai lidar com a Siri AI na China. Por enquanto, diz que o combo de Private Cloud Compute com “NVIDIA Confidential Computing” é essencial para sua política de privacidade. Mas, na prática, a empresa já mostrou que, quando o governo chinês aperta, ela cede.
O impasse com a UE e o que pode acontecer
A UE quer uma Siri com múltiplos agentes de IA, onde o usuário escolhe qual assistente prefere usar. A Apple resiste, alegando riscos de privacidade. A briga não tem solução rápida: estamos falando de meses ou anos até um acordo.
Enquanto isso, a Apple faz pose de defensora da privacidade na Europa, mas cede a todas as exigências do governo chinês. A hipocrisia não poderia ser mais evidente.
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No fim das contas, a aposta é que a Apple vai criar um novo fluxo de autenticação para a UE, onde os usuários autorizam explicitamente agentes de terceiros a acessar seus dados, algo parecido com o que já acontece com permissões de notificações ou localização. Até lá, o discurso de privacidade da Apple continua sendo mais marketing do que realidade.
Fonte: Wccftech
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