Ex-criador do Pegasus agora pede que governos criem a própria IA
Shalev Hulio, co-criador do spyware Pegasus, agora comanda a startup Dream e defende que governos criem sua própria inteligência artificial em vez de depender de…

O homem que ajudou a criar um dos softwares de espionagem mais temidos do planeta agora tem um novo discurso. Shalev Hulio, co-criador do Pegasus, quer que governos do mundo inteiro parem de terceirizar a segurança nacional para as big techs americanas e construam a própria inteligência artificial.
Resumo
- Shalev Hulio, co-criador do Pegasus, agora comanda a startup de IA Dream
- Ele defende que governos criem sistemas próprios de IA em vez de depender de big techs americanas
- A Dream já recebeu US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões) em investimentos e vale US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões)
- Mais de 12 países usam o software de segurança da empresa
- Críticos apontam a ironia de um ex-criador de spyware alertar sobre riscos digitais
Hulio hoje comanda a Dream, uma startup de defesa cibernética com IA. E a recomendação dele é direta: confiar em gigantes de tecnologia estrangeiras com dados sigilosos de segurança nacional é um risco que nenhum país deveria correr.
De criador de spyware a conselheiro de segurança cibernética
Shalev Hulio ganhou (e perdeu) notoriedade mundial como um dos criadores do Pegasus, o spyware que invadia milhares de celulares ao explorar uma falha de um clique no WhatsApp. O software foi usado por governos para vigiar jornalistas, ativistas e opositores políticos, o que rendeu à NSO Group, empresa por trás da ferramenta, uma enxurrada de críticas e sanções.
Depois de deixar a NSO Group, Hulio se uniu em 2022 ao ex-chanceler austríaco Sebastian Kurz para fundar a Dream. A startup de cibersegurança com IA afirma ter detectado recentemente um ataque cibernético automatizado de IA contra agências governamentais em Taiwan, e foi esse tipo de ameaça que ajudou a turbinar os negócios.
Investidores já colocaram US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões) na Dream, que alcançou valuation de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) no começo deste ano. Mais de 12 países, entre Europa, Ásia e Oriente Médio, usam o software de segurança da empresa para trabalho de defesa.
O que é IA soberana e por que Hulio defende o modelo
Em entrevista ao Financial Times, Hulio argumentou que cada país precisa de controle total sobre sua própria infraestrutura digital. Depender de plataformas de tecnologia americanas deixa sistemas de defesa nacionais vulneráveis se um provedor decidir cortar o acesso da noite para o dia.
Em vez de comprar modelos comerciais pesados, ele recomenda que os governos construam ferramentas de segurança específicas, feitas sob medida, que rodam localmente em apenas 1, 2 ou 3 GPUs. Treinar modelos enxutos com dados privados mantém os logs de inteligência dentro das fronteiras do país.
O debate sobre “IA soberana”, sistemas de inteligência artificial sob controle total de cada governo, vem ganhando força entre líderes mundiais preocupados com a dependência de laboratórios de tecnologia estrangeiros. A lógica é que, ao rodar servidores locais, agências governamentais evitam o risco de cortes repentinos de serviço durante conflitos geopolíticos.
A ironia que ninguém ignora
É difícil falar dessa história sem encarar a contradição. O mesmo cara que ajudou a criar uma ferramenta que violava a privacidade de milhares de pessoas agora dá entrevistas alertando sobre os riscos de confiar dados sensíveis a empresas estrangeiras. Críticos de privacidade apontam a ironia: um ex-chefe de spyware dando lições sobre confiança digital.
Apesar do ceticismo, a demanda por ferramentas de segurança com controle local está crescendo entre departamentos de defesa ao redor do mundo. O desafio, segundo analistas, será equilibrar a independência digital contra os custos altos de hardware, especialmente para nações menores que precisam decidir onde investir em IA.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 27/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,33). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
US$ 400 milhões
Investimento captado pela Dream
Fonte: Startup Dream
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Fonte: Android Headlines
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