Airbus descarta oferecer duas opções de motor no sucessor do A320neo e explica os motivos técnicos
Airbus descarta dois motores no sucessor do A320neo. CEO diz que asas precisam ser diferentes para RISE Open Fan e motor convencional. Veja o que muda para as companhias aéreas.

A Airbus praticamente descartou a possibilidade de oferecer dois tipos diferentes de motor no sucessor do A320neo, um com o inovador conceito RISE Open Fan e outro convencional. O motivo, segundo o CEO da divisão comercial, Lars Wagner, é a incompatibilidade entre as asas necessárias para cada configuração. A declaração foi dada a jornalistas em Toulouse no dia 14 de outubro e publicada pelo Leeham News and Analysis.
Resumo
- Airbus descarta oferecer dois motores no sucessor do A320neo por incompatibilidade técnica.
- O motor RISE Open Fan exige asa diferente de um turbofan convencional dutado.
- Companhias aéreas perderão escolha entre fornecedores se a Airbus optar por motor único.
- A Airbus prioriza simplicidade de engenharia sobre a tradição de oferecer opções de motor.
Atualmente, a família A320neo conta com duas opções de motor: o CFM Leap 1-A e o Pratt & Whitney GTF. Essa flexibilidade é valorizada pelas companhias aéreas. No entanto, o próximo projeto da Airbus, que deve substituir o A320neo, enfrenta um desafio inédito: o motor RISE Open Fan da CFM é um design de rotor aberto, que exige uma asa diferente da necessária para um turbofan convencional dutado. Integrar os dois em uma mesma asa seria, nas palavras de Wagner, “um arrasto e um efeito negativo”.
Motor aberto contra motor fechado: por que as asas precisam ser diferentes
O RISE Open Fan promete um salto significativo de eficiência, mas sua hélice externa de grande diâmetro precisa de espaço livre, o que força a asa a ser desenhada de forma específica. Já um motor dutado tradicional tem requisitos aerodinâmicos distintos. Wagner deixou claro que “as tecnologias de rotor aberto e dutado são diferentes” e que colocá-las em uma asa similar comprometeria o desempenho de ambas.
Entenda
O que é o motor RISE Open Fan?
É um novo tipo de motor de avião com hélices expostas, que promete ser mais eficiente que os motores convencionais fechados.
- Suas hélices são grandes e ficam do lado de fora, sem uma carenagem ao redor.
- Isso reduz o consumo de combustível, mas exige uma asa especialmente projetada.
- O design aberto precisa de mais espaço livre para funcionar corretamente.
- Por isso, não pode ser combinado com motores tradicionais na mesma asa.
Na prática: Para o passageiro, isso pode significar voos mais econômicos, mas menos opções de motor nas futuras aeronaves.
A Airbus estuda seriamente o projeto RISE, mas, como nenhum outro fabricante de motores desenvolve uma configuração de rotor aberto para aeronaves de corredor único, a empresa teria que optar por um fornecedor exclusivo ou criar duas asas distintas — uma opção que Wagner classificou como “provavelmente não” viável, por sua complexidade e custo.
O que está em jogo para as companhias aéreas
Se a Airbus seguir com um motor único, as companhias aéreas perderão a possibilidade de escolha entre fornecedores, algo que historicamente ajuda a controlar preços e manutenção. Para o mercado brasileiro, que opera centenas de aeronaves da família A320neo (a LATAM e a Gol são grandes operadoras), a decisão terá impacto direto nas futuras renovações de frota. Embora ainda não haja uma definição, o sinal da Airbus sugere que a simplicidade da engenharia pode falar mais alto do que a tradição de oferecer opções.
Enquanto isso, a Airbus avança em outras tecnologias complementares. A Discover Airlines já colocou em voo o primeiro Airbus com a tecnologia AeroSHARK, que imita a pele de tubarão para reduzir arrasto — mais um exemplo de como a fabricante europeia busca ganhos de eficiência por diferentes frentes.
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O futuro do sucessor do A320neo ainda está em aberto, mas a fala de Lars Wagner sinaliza que a Airbus está disposta a abrir mão da flexibilidade de motores em nome de um projeto mais limpo e eficiente. Para as companhias aéreas, isso significa que a próxima geração de aeronaves de corredor único pode chegar com menos opções, mas com mais ousadia tecnológica.
Fonte: Leeham News
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