Airbus prevê crescimento de 46% na frota de cargueiros até 2045: conversões lideram com 1.700 aeronaves
Airbus projeta que a frota de cargueiros crescerá 46% até 2045, com 2.670 novas aeronaves, sendo 1.700 conversões. América Latina demandará 165 cargueiros. Veja os detalhes.

A Airbus divulgou nesta quinta-feira (22) a edição 2026 do seu Cargo Global Market Forecast, durante o Cargo Facts Symposium, com uma projeção ambiciosa: a frota mundial de cargueiros dedicados vai crescer 46% nos próximos 20 anos, passando de 2.360 aeronaves em 2026 para 3.460 em 2045.
Resumo
- A frota mundial de cargueiros crescerá 46% até 2045, com 2.670 aeronaves necessárias.
- A maioria dos cargueiros virá de conversões de passageiros, totalizando 1.700 aeronaves.
- Ásia-Pacífico e América do Norte liderarão a demanda, com 925 e 850 cargueiros, respectivamente.
- O tráfego global de carga aérea crescerá 3,2% ao ano, impulsionado por e-commerce e alta tecnologia.
Segundo a previsão, serão necessárias 2.670 aeronaves nesse período – 1.140 de corredor único, 860 widebodies de médio porte e 670 widebodies grandes. Dessas, 970 serão novas de fábrica, enquanto 1.700 virão de conversões de passageiros para cargueiro, um movimento que reflete a maturidade das plataformas existentes e a busca por economia.
Por que tantas conversões?
A Airbus aposta que a maioria dos cargueiros do futuro não sairá da linha de montagem como tal, mas será adaptada a partir de aeronaves de passageiros usadas. As famílias A320, A321 e A330 têm programas de conversão maduros, e operadores podem renovar a frota com custo menor do que comprar um avião novo. Nos próximos 20 anos, a empresa projeta a aposentadoria de muitos cargueiros antigos, que darão lugar a modelos mais eficientes, como o A350F e as próprias conversões.
46%
crescimento da frota de cargueiros até 2045
Fonte: Airbus
Para ajudar os operadores a reduzir o consumo de combustível e as emissões, a Airbus também testa inovações como o AeroSHARK, uma espécie de pele de tubarão aplicada na fuselagem, que já entrou em serviço com a Discover Airlines.
O peso econômico da carga aérea
Embora o transporte aéreo represente menos de 1% do volume global de carga, ele carrega mais de 30% do valor total – um indicador de que produtos de alto valor agregado, como eletrônicos, medicamentos e peças de reposição, dependem da aviação para chegar rápido ao consumidor. Nos últimos três anos, o valor de computadores e bens de alta tecnologia transportados por via aérea dobrou, respondendo por 15% da carga aérea em 2026.
O crescimento do comércio eletrônico e o uso da carga aérea como alternativa ao transporte marítimo para certas mercadorias também estão impulsionando a demanda. A Airbus projeta que o tráfego global de carga aérea crescerá 3,2% ao ano nas próximas duas décadas, acompanhando o comércio mundial, que deve expandir a uma taxa anual de 2,9%.
Rotas e regiões: Ásia-Pacífico lidera, América Latina aparece
A Ásia-Pacífico continuará sendo a região com maior tráfego internacional de carga aérea. As rotas para a América do Norte representam o maior mercado e devem crescer 3,8% ao ano, seguidas pelas rotas para a Europa. A Airbus afirma que o A350F é a aeronave ideal para atender essas rotas com eficiência.
No total, a América do Norte e a Ásia-Pacífico vão demandar 925 e 850 cargueiros, respectivamente – juntas, cerca de dois terços do total projetado de 2.670 aeronaves. A Europa e a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) precisarão de 515 aeronaves, enquanto a América Latina demandará 165, o Oriente Médio 125 e a África 90.
Para o Brasil, esses números são relevantes: o país é um dos maiores mercados de carga aérea da América Latina, especialmente para o agronegócio, eletrônicos e e-commerce. A chegada de cargueiros mais modernos, como o A350F e as conversões de A330, pode baratear e agilizar a logística de importação e exportação.
A Airbus reforça que a frota de cargueiros está envelhecendo e que a substituição por modelos mais eficientes é urgente para reduzir emissões. A previsão é de que, até 2045, a maioria dos cargueiros atuais dê lugar a aeronaves com motores mais modernos e tecnologias de redução de arrasto.
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Com 2.670 aeronaves a serem incorporadas, o futuro da carga aérea passa por mais conversões, mais eficiência e mais rotas conectando a Ásia às Américas. A Airbus já tem o A350F como peça-chave para atender a demanda, e o Brasil, como um dos polos logísticos da América Latina, deve sentir o impacto positivo dessa renovação de frota.
Fonte: AviTrader
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