Apple alerta que custo de memória e Siri AI vão apertar margem no fim de ano

A Apple até bateu recorde de receita no trimestre, mas o custo para chegar lá está pesando. Em teleconferência com investidores nesta segunda-feira (2), a empresa revelou que a margem bruta caiu para 47,9% no Q4 2026 e que o trimestre de festas vai apertar ainda mais.
47,9%
Margem bruta da Apple no Q4 2026, queda de 2,2 p.p. na comparação trimestral
Fonte: Apple
O CFO Kevan Parekh foi direto: a previsão para o Q1 2027 é de margem bruta entre 45% e 46%. Os culpados são dois: o disparada no custo das memórias e a conta da Siri AI, que a Apple está expandindo para mais dispositivos.
Margem caiu mesmo com receita recorde de US$ 114,5 bilhões
A margem bruta da companhia fechou o Q4 2026 em 47,9%, uma queda de 2,2 pontos percentuais na comparação com o trimestre anterior. O tombo foi ainda maior na margem dos produtos: 37,2%, contra 40,1% no trimestre de junho. O alívio veio de devoluções de tarifas alfandegárias, que deram um empurrão de cerca de 1 ponto percentual no trimestre.
Sem esse efeito, explicou Parekh, a queda sequencial teria sido de aproximadamente 1 ponto percentual tanto na margem total quanto na de produtos. O motivo principal: o custo mais alto das memórias.
“Vimos um desempenho forte em várias categorias de serviços, com recordes históricos em vídeo, serviços em nuvem, serviços de pagamento e publicidade”, afirmou o CFO. A receita total do trimestre foi de US$ 114,5 bilhões (cerca de R$ 621 bilhões), novo recorde para o período de setembro.
Siri AI pesa no caixa de duas maneiras
Perguntado sobre o efeito da inteligência artificial da Apple nas contas, Parekh explicou que a Siri AI aperta as margens por dois lados.
O primeiro é direto: rodar o serviço exige mais infraestrutura de nuvem, o que aumenta os custos operacionais. O segundo é contábil, mas igualmente relevante. A Apple precisa reconhecer parte da receita dos dispositivos que vêm com Siri AI ao longo da vida útil do aparelho, em vez de contabilizar tudo de uma vez na venda.
A prática não é nova, segundo o CFO. A empresa já faz o mesmo com serviços como Maps, Siri (a versão clássica) e iCloud, que vêm embutidos nos dispositivos. A diferença agora é o peso extra que a versão com IA generativa adiciona à equação.
CEO chama alta de custo de memória de “sem precedentes”
O CEO John Ternus usou uma palavra forte para descrever o momento dos componentes de memória: “sem precedentes”. E o pior, segundo ele, é que a Apple espera que o custo de compra continue subindo depois do trimestre de dezembro.
A empresa já reagiu. Ternus disse que os recentes aumentos de preço nas linhas Mac, iPad e iPhone ajudam a compensar parte do aperto. A Apple também conta com estoques comprados antes da alta e com economia em outros componentes não relacionados a memória para segurar a barra.
O problema, admitiu o CEO, é que o colchão dos estoques mais baratos vai diminuir com o tempo. A Apple não disse se planeja novos reajustes para compensar a diferença.
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A Apple divulga o resultado do Q1 2027 (o trimestre de festas do fim de ano) no fim de janeiro. Até lá, o mercado vai ficar de olho no tamanho do estrago que a combinação de memória cara e inteligência artificial vai fazer nas margens da companhia.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 30/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,42). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: 9to5Mac
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