Apple e Samsung trabalham em novo vidro para dobráveis com centro mais fino

O maior problema dos celulares dobráveis hoje está na cara deles: a tela trinca com facilidade. Quem tem iPhone Duo sabe bem disso, e quem tem Galaxy Z Fold também. Agora, Apple e Samsung podem estar no caminho de uma solução em conjunto, ou pelo menos paralela.
O que é UTG? Ultra-Thin Glass, ou vidro ultrafino, o material usado como cobertura da tela em smartphones dobráveis para permitir a flexão sem perder a sensação de vidro.
Segundo o Apple World Today, que cita uma apuração do ZDNet, as duas empresas estão trabalhando com fornecedores em um novo design de vidro ultrafino (UTG) para telas dobráveis. A grande novidade é que, em vez de usar a mesma espessura no vidro inteiro, o plano é fazer um centro mais fino, só o suficiente para dobrar, e manter as bordas mais grossas, para aguentar o tranco.
A previsão de adoção, segundo o relato, é para 2028. Nem Apple nem Samsung confirmaram oficialmente os planos.
A fragilidade que une Apple e Samsung
Não é segredo que a durabilidade da tela é o ponto mais sensível dos dobráveis. O iPhone Duo, primeiro modelo da Apple no segmento, já deu dor de cabeça, e prejuízo, para revendedores na China justamente por causa de relatos de tela que trinca sozinha. O problema não é exclusivo da Apple: a Samsung também enfrenta desafios com o desgaste do vinco e a resistência a impactos nos seus Galaxy Z.
A raiz do problema é a engenharia do UTG (ultra-thin glass). Para um display dobrar, o vidro precisa ser fino o bastante para ceder sem partir. Mas, quanto mais fino, menos resistente a pancadas e pressão. O resultado é um equilíbrio delicado que nenhuma das duas empresas conseguiu resolver de vez até agora.
Centro de 40 mícrons, bordas de 100
O design em estudo ataca esse dilema exatamente onde ele dói. Em vez de usar uma chapa de UTG com espessura uniforme (como se faz hoje), a ideia é gravar seletivamente a região central, aquela por onde o vinco passa, deixando o resto do vidro mais encorpado.
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Espessura em mícrons da área de dobra do novo UTG
Fonte: ZDNet/Apple World Today
De acordo com a fonte, as empresas estão considerando uma espessura de aproximadamente 40 micrômetros (μm) na área de dobra e mais de 100μm nas seções que não dobram. Uma fonte do setor citada pelo ZDNet explicou que os 40μm refletem o limite técnico atual: um vidro significativamente mais grosso na dobra aumentaria o risco de trincar ao ser flexionado.
O resultado prático seria um vidro que mantém a maleabilidade onde precisa e ganha resistência onde pode, o melhor dos dois mundos, no papel.
O que está rolando hoje
Enquanto o novo design não sai do papel, os dobráveis de 2026 e 2027 continuam com UTG de espessura fixa. A TrendForce, consultoria citada na apuração, confirma que Apple e Samsung usam vidro uniforme na geração atual.
No caso do iPhone Duo, a tela conta com uma cobertura de UTG de 45μm. Já a Samsung adota espessuras diferentes conforme o formato: 45μm no Galaxy Z Fold8 Ultra (tipo livro), 60μm no Galaxy Z Fold8 (tipo passaporte) e 50μm no Galaxy Z Flip8 (tipo concha). A variação existe porque modelos maiores exigem um vinco mais aberto, que pede um vidro um pouco mais fino para dobrar sem stress.
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Se o novo UTG sair do papel em 2028 como sugerem os rumores, ainda faltam dois anos de aperfeiçoamento. Até lá, Apple e Samsung seguem tentando equilibrar o limite tênue entre um vidro que dobra e um vidro que dura entre um vidro que dobra e um vidro que dura.
Fonte: Apple World Today
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