Microsoft diz que 8 GB de RAM no Windows 11 em 2026 equivale a 16 GB de 2021

A Microsoft resolveu entrar numa briga que parecia perdida: convencer o usuário de que 8 GB de RAM dá conta do recado no Windows 11 de 2026. E, para isso, está comparando o desempenho de máquinas novas com 8 GB ao de PCs de 2021 que tinham o dobro de memória.

Num post publicado em 3 de novembro, a empresa afirma que um laptop com Windows 11 e 8 GB de RAM em 2026 tem desempenho parecido com o de um modelo de 16 GB de 2021 em tarefas do dia a dia e até em cargas de trabalho mais pesadas, como edição de vídeo em 4K e tarefas de IA. A declaração vem acompanhada de um levantamento encomendado pela Microsoft a terceiros, mas também de um ano inteiro de trabalho para fazer o Windows 11 engolir menos memória.
Dell XPS 13 de 2026 com 8 GB passa o de 2021 para trás
O centro do teste da Microsoft é o Dell XPS 13 com 8 GB de RAM. Segundo a empresa, a máquina de 2026 teve desempenho equivalente ao de um PC com 16 GB comprado cinco anos atrás em cenários que incluem navegação na web, tarefas de IA como desfoque de fundo e detecção facial, e exportação de vídeo em 4K.
94%
Ganho de desempenho multi-core do Dell XPS 13 2026 com 8 GB ante modelo de 2021 com 8 GB
Fonte: Microsoft

Quando a comparação é entre dois PCs com a mesma quantidade de RAM, a diferença fica ainda mais escancarada. O Dell XPS 13 de 2026 com 8 GB entregou desempenho multi-core até 94% maior que um modelo de 2021 também com 8 GB. O salto, claro, não vem só do Windows: o processador mais novo, a memória mais rápida e o armazenamento mais veloz fazem a parte deles.
A própria Microsoft admite, nas notas de rodapé do blog, que os resultados refletem os dispositivos testados e não representam todos os PCs com 8 GB. Também diz que “a memória ainda importa para cargas de trabalho mais pesadas e com muitas multitarefas” e que “o PC completo, não só a capacidade de memória, molda a experiência”.
Como o Windows 11 26H2 aprendeu a gastar menos
Se o chip novo responde por metade da história, a outra metade é o trabalho que a Microsoft fez no Windows 11 26H2. O chefão do Windows, Pavan Davuluri, explicou as mudanças: o sistema já comprimia memória há anos, mas agora a Microsoft ajustou quando e quanto comprimir, além de reduzir a frequência com que dados são jogados no armazenamento mais lento. O resultado é que o Windows 11 consegue manter até 2 GB a mais de dados ativos na RAM.

Na prática, isso significa que aquela aba do Edge que você abriu e deixou lá tem menos chance de recarregar do zero. Como disse Davuluri, “o verdadeiro teste é se o seu PC continua responsivo”, o que também explica por que um uso alto de RAM indicado pelo sistema não é necessariamente um mau sinal.
A Microsoft também cortou gordura de partes específicas do sistema:
- Widgets só carrega quando aberto, economizando cerca de 200 MB;
- Edge agora põe abas inativas para dormir depois de 15 minutos (antes eram duas horas) e abre até 33% mais rápido;
- Teams liga o Efficiency Mode por padrão e inicia até 20% mais rápido;
- O crescimento de memória comprometida durante multitarefa caiu em até 900 MB entre Windows, Edge e Microsoft 365.
O resultado concreto: num teste feito pelo site Windows Latest, o consumo de RAM após a reinicialização de um laptop com 8 GB caiu de 5 GB para 3,3 GB depois da atualização para o 26H2. Num teste independente publicado pelo TecStudio, a atualização também se mostrou mais leve e mais rápida, mesmo em máquinas com 16 GB de RAM.
Oito gigas de volta ao jogo (e a conta que não fecha)
A virada de chão da Microsoft soa contraditória para quem acompanhou os últimos anos. A mesma empresa que passou os últimos anos dizendo para todo mundo comprar 16 GB de RAM agora está dizendo que 8 GB são suficientes. E está fazendo isso num momento em que os preços da memória continuam subindo, puxados pela demanda dos data centers de IA.
PCs com 8 GB estão voltando às prateleiras. O próprio Surface Laptop, que estreou a linha Copilot+ com 16 GB e Snapdragon X Plus por US$ 899 (cerca de R$ 4.946), agora tem uma versão de 8 GB por US$ 949,99 (cerca de R$ 5.226). Ou seja: paga-se mais por metade da memória. Enquanto isso, o Lenovo V15 Gen 6 aparece no site da Walmart por US$ 429 (cerca de R$ 2.360) com 8 GB de RAM, exatamente o tipo de máquina que a Microsoft quer ver rodando bem.
O movimento, no entanto, não é só político. A otimização que a Microsoft fez no Windows 11 beneficia todo mundo: cada megabyte economizado num PC de 8 GB também é economizado em máquinas de 16 GB ou 32 GB. E a empresa já avisou que tem mais lenha para queimar: WinUI 3 apps como File Explorer, Notepad e Paint estão sendo redesenhados para abrir mais rápido e usar menos memória, e o Windows 11 27H2 deve trazer mais avanços nessa direção.
📲 Quer acompanhar de perto as mudanças no Windows 11 e no mercado de PCs? Entre no Canal do TS no WhatsApp e receba os destaques sem ter que garimpar.
Resta saber se o usuário que pagou caro num PC com 16 GB vai engolir a ideia de que 8 GB são o novo normal. Para quem está comprando agora, porém, a Microsoft acaba de dar uma desculpa (e tanto) para não gastar mais com memória.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 06/11/2026 (US$ 1 = R$ 5,50). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: Windows Latest
Escrito por






