Microsoft fatura US$ 92,3 bilhões com nuvem disparando, mas PC e Xbox amargam queda
Microsoft reporta US$ 92,3 bilhões em receita no 1º tri fiscal de 2027. Azure sobe 48%, mas Windows OEM cai 22% e Xbox hardware recua 14%.

A Microsoft soltou os resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, e a história é a de sempre: a nuvem carrega o piano enquanto hardware e Xbox enfrentam um ano espinhoso. A receita total foi de US$ 92,3 bilhões (cerca de R$ 493 bilhões), alta de 19% na comparação anual, com lucro líquido de US$ 33,6 bilhões (cerca de R$ 179 bilhões), 32% a mais que no mesmo período do ano passado.
Resumo
- Receita de US$ 92,3 bilhões (cerca de R$ 493 bilhões) no 1º tri fiscal de 2027, alta de 19%
- Lucro líquido de US$ 33,6 bilhões (cerca de R$ 179 bilhões), 32% acima do ano passado
- Azure dispara 48% e Microsoft Cloud chega a US$ 63,9 bilhões (cerca de R$ 341 bilhões)
- Windows OEM e dispositivos caem 22% com crise de componentes
- Xbox hardware recua 14%; Game Pass cai 2% sem atualização de assinantes
Mas o detalhe que mais chama a atenção não está só nos números. A Microsoft resolveu reorganizar a forma como apresenta os negócios. Pela primeira vez, os antigos segmentos, Productivity and Business Processes, Intelligent Cloud e More Personal Computing, deram lugar a apenas dois: Agents and Infra e Devices and Consumer.
O que mudou na estrutura de reporte da Microsoft
Agents and Infra é o gigante da casa hoje. Reúne Azure, Microsoft 365 comercial e consumidor, produtos de servidor e a aposta da empresa em agentes de IA. O segmento responde por 83% da receita total: US$ 76,8 bilhões (cerca de R$ 410 bilhões), com crescimento de 25% ano a ano.
A mudança também traz uma transparência maior no Azure. Agora a Microsoft divulga a receita da plataforma de nuvem a cada trimestre, e o número é de respeito. O Azure gerou US$ 33,17 bilhões (cerca de R$ 177 bilhões) no trimestre, salto de 48% sobre o mesmo período de 2025.
Do outro lado, Devices and Consumer encolheu. O segmento, que abriga Windows, Xbox, Surface e os negócios de busca e publicidade, responde por apenas 17% da receita (US$ 15,5 bilhões (cerca de R$ 82,8 bilhões)) e caiu na comparação anual, de acordo com o balanço divulgado pela Microsoft.
A nuvem como motor: Microsoft Cloud passa dos US$ 63 bilhões
O grande motor continua sendo o conjunto de serviços de nuvem da empresa. A Microsoft Cloud, que engloba Azure e Microsoft 365 comercial, entregou US$ 63,9 bilhões (cerca de R$ 341 bilhões) em receita no trimestre, quase 70% do faturamento total da companhia. O crescimento foi de 30% na comparação anual, puxado pelo Azure.
O Microsoft 365 comercial também se saiu bem, com crescimento de 18%, turbinado pelo aumento da receita por usuário e pela venda de planos premium como o Microsoft 365 Copilot, E5 e E7. Já o Microsoft 365 para consumidores cresceu 17%, com alta de 7% na base de assinantes.
RAMageddon e o tombo do Windows OEM
O cenário no mercado de computadores é bem menos animador. A receita de Windows OEM e dispositivos despencou 22% na comparação anual. A Microsoft atribui a queda a três fatores: o benefício do fim do suporte ao Windows 10 no ano passado (que inflou a base de comparação), a redução de estoques por parte dos fabricantes e um mercado mais fraco por causa da crise de componentes apelidada de RAMageddon.

A crise global de chips de memória elevou os preços dos componentes e encareceu os dispositivos, o que derrubou o mercado de PCs em 20% no trimestre, segundo a própria Microsoft. A empresa lançou recentemente o Surface Laptop Ultra e renovou as linhas Surface Pro 12 e Surface Laptop 8 com processadores Intel e Qualcomm, mas os preços mais altos, também reflexo da crise de componentes, dificultam o crescimento.
Xbox em compasso de espera: hardware cai, Game Pass recua e demissões continuam
O lado Xbox do balanço também não traz boas notícias. A receita de hardware caiu 14% na comparação anual. O conteúdo e serviços do Xbox, que incluem o Game Pass, recuaram 2%. E a Microsoft continua sem atualizar o número de assinantes do serviço: o último dado divulgado foi de 34 milhões, há mais de dois anos.
O primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 foi marcado por uma verdadeira “reinicialização” no Xbox, com milhares de demissões e a cisão de estúdios. Em outubro, a Microsoft ofereceu buyout voluntário para boa parte dos funcionários, como noticiou o TecStudio. E os cortes podem não ter acabado: circulam rumores de novas levas em novembro e janeiro.
Em um memorando interno no início do ano, a CEO do Xbox, Asha Sharma, afirmou que a meta é “devolver o Xbox ao crescimento de jogadores e receita” até o fim do ano fiscal de 2027 (junho do ano que vem). A visão de longo prazo, segundo Sharma, é que até 2030 o Xbox esteja “na metade do caminho para a meta de jogadores diários, com crescimento sustentado de dois dígitos em jogadores e engajamento e margens líderes no setor”.
📲 Essa história ainda tem capítulo pela frente, principalmente com o Xbox se reestruturando. Para não perder nenhum desdobramento, entra no Canal do TS no WhatsApp.
O console Xbox Series X25, que celebra 25 anos da marca, chega às lojas no mês que vem. Resta saber se ele conseguirá dar o fôlego que o hardware da Microsoft precisa em meio a uma fase de cortes e redefinição de prioridades dentro da empresa.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 28/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,34). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
48%
Crescimento do Azure no trimestre
Fonte: Microsoft
Fonte: The Verge
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