SuperMe levanta US$ 20 mi para criar rede de perfis de IA de especialistas reais

Pedir conselho de carreira para quem já passou pela mesma situação costuma depender de sorte: ter o contato certo, a hora certa e a disponibilidade da outra pessoa. Uma startup americana quer trocar essa equação por um grupo de chat com réplicas de inteligência artificial dos melhores especialistas de cada área. E conseguiu US$ 20 milhões (cerca de R$ 107 milhões) para provar que a ideia funciona.
A SuperMe, fundada em 2024, anunciou nesta quinta-feira (29) o levantamento da rodada liderada pela Forerunner (da investidora Kirsten Green), com participação da Greylock Partners. O dinheiro vai turbinar o crescimento da plataforma dos dois lados: atrair mais usuários com perguntas e convencer mais especialistas a ceder seu conhecimento para virar perfil de IA.
Como funciona a rede de perfis de IA da SuperMe
O conceito é simples na descrição, complexo na execução. A SuperMe constrói perfis de inteligência artificial a partir do conhecimento de seres humanos reais, founders, investidores, executivos com experiência em áreas de nicho. Quando um usuário faz uma pergunta, a plataforma identifica quais experts são mais adequados para respondê-la e cria um grupo de chat com as versões de IA daquelas pessoas.

Na prática, é possível pedir uma análise de pitch deck e perguntar quais partes da história são mais fracas e quais perguntas exigem mais preparo, e receber respostas dos perfis de IA de investidores conhecidos, como Mercedes Bent, Sarah Tavel e Josh Elman. O usuário também pode ir direto ao perfil de um especialista e fazer perguntas individuais.
Para alimentar esses perfis, a SuperMe vasculha fontes públicas como LinkedIn, YouTube, Substack e blogs. Também se conecta a aplicativos que o especialista autorizar, Google Drive, Notion, Gmail e ferramentas de anotação de reuniões como a Granola. A empresa afirma que parte desses dados pode incluir informações pessoais e até segredos comerciais, mas garante que nada disso aparece nas respostas dadas pela IA.
O time por trás da startup e o plano de monetização
A SuperMe foi fundada por Casey Winters e Ludo Antonov, dois nomes com bagagem pesada em empresas de consumo. Winters passou por cargos executivos no Grubhub, Pinterest e Eventbrite, além de ter atuado como conselheiro do Airbnb e do Canva. Antonov foi head de engenharia em startups como Pinterest, Lyft e Whatnot. Os dois se conheceram quando Winters assessorava o Whatnot e, com a chegada do ChatGPT, decidiram que era hora de construir um negócio de rede usando IA.
“Existem redes ocultas no Silicon Valley de quem são as melhores pessoas para habilidades de nicho. Nossa ideia era: será que poderíamos tornar essa rede mais transparente e pegar todos os insights essenciais que estão na cabeça dessas pessoas e torná-los mais disponíveis?”, disse Winters ao TechCrunch.
A plataforma é gratuita por enquanto, mas tem planos de limitar o número de perguntas que cada usuário pode fazer. Depois desse limite, o usuário vai ter que pagar. A startup também estuda formas de dar incentivos para que os especialistas alimentem a plataforma com mais conhecimento.
A SuperMe tem cerca de 13 funcionários e está contratando. De um lado, para melhorar os modelos de IA de conversa e de casamento entre perguntas e especialistas. Do outro, para encontrar experts em áreas que a plataforma ainda não cobre.
Integração com chatbots e o momento da IA
A SuperMe também adota o protocolo MCP (Model Context Protocol), um padrão que permite que chatbots de IA se conectem a ferramentas e dados externos. Isso significa que o usuário pode fazer perguntas à rede de dentro de assistentes como Claude e ChatGPT, sem precisar entrar no site da plataforma.
O que é MCP (Model Context Protocol)? Padrão que permite que chatbots de inteligência artificial se conectem a ferramentas e fontes de dados externos, ampliando o que a IA consegue acessar para responder perguntas.
Kirsten Green, da Forerunner, disse que a SuperMe está bem posicionada para construir uma plataforma em que a IA colabora com humanos. “Acho que é uma das razões pelas quais isso é muito oportuno, e é bom ter algo assim se estabelecendo quando estamos relativamente no começo dessa jornada. Porque vai ter tantas lições para aprender, e elas precisam ser compartilhadas para que as pessoas possam avançar de forma produtiva”, afirmou ao TechCrunch.
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A SuperMe ainda não divulgou quando vai começar a cobrar dos usuários nem quais serão os valores. Por ora, a plataforma continua de graça, enquanto tenta convencer mais especialistas a emprestar seu conhecimento para virar pixel.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 28/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,34). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: TechCrunch
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