Microsoft oferece buyout para 60 mil funcionários e prepara base para era da IA

Pela primeira vez em sua história recente, a Microsoft está oferecendo planos de demissão voluntária em uma escala que chama a atenção. Cerca de 60.000 funcionários nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Índia receberam a proposta nos últimos dias. A jogada não tem mistério: a empresa quer cortar custos de pessoal para continuar despejando dinheiro em inteligência artificial.
60.000
Funcionários que receberam oferta de buyout voluntário
Fonte: The Verge
O movimento é o maior do tipo já feito pela companhia. Até então, o mais próximo disso havia sido uma oferta de aposentadoria para cerca de 9 mil funcionários no começo do ano, que teve uma taxa de adesão superior a 30%. Agora, a Microsoft amplia o alcance da oferta para perto de um quarto de toda a sua força de trabalho global.
Menos gente, mais caro por cabeça
Quem acompanha as declarações de Satya Nadella nos últimos anos não se surpreendeu. O CEO da Microsoft já tinha deixado claro o rumo. “Nossos custos totais com pessoas vão cair, nosso custo por cabeça vai subir e meu GPU por pesquisador vai aumentar”, disse Nadella em um podcast há quase dois anos, ao ser questionado sobre o impacto da IA no tamanho da empresa.
A frase traduz a equação que a Microsoft está pondo em prática: menos funcionários, mas mais bem pagos e munidos de ferramentas de IA. Enquanto isso, a companhia sustenta investimentos bilionários em data centers e infraestrutura, o acordo com a OpenAI, por exemplo, gerou US$ 10 bilhões em receita em um único trimestre.
Os cortes, aliás, deixaram de ser anuais e passaram a acontecer a cada poucos meses. Em julho, a Microsoft demitiu 4% do quadro de funcionários. Meses antes, 4.800 pessoas perderam o emprego, com impacto maior nas equipes de Xbox e vendas corporativas.
O tamanho da reestruturação
Pela primeira vez em dez anos, o número total de funcionários da Microsoft caiu na comparação anual. A empresa fechou o ano fiscal em 30 de junho com cerca de 223 mil pessoas, 5 mil a menos que os 228 mil funcionários de 2025. A oferta atual pode acelerar essa redução.
Perguntas frequentes
Quem pode aceitar o buyout da Microsoft?
Cerca de 60 mil funcionários nos EUA, Reino Unido, Canadá e Índia receberam a oferta, que equivale a aproximadamente um quarto do quadro total da empresa.
Até quando os funcionários têm para decidir?
Os elegíveis têm até dezembro de 2026 para responder à oferta, segundo fontes ouvidas pelo The Verge.
O buyout é igual a uma demissão comum?
Praticamente sim. Inclui pagamento por tempo de casa, aceleração de stock options, plano de saúde subsidiado por alguns meses e serviços de recolocação.
Segundo fontes familiarizadas com o processo, os termos do buyout são praticamente os mesmos de uma demissão comum na Microsoft: pagamento em dinheiro baseado no tempo de casa, aceleração de vesting de ações, alguns meses de plano de saúde subsidiado e serviços de recolocação. Os funcionários elegíveis têm até dezembro para decidir. Se apenas 5% aceitarem, a empresa perde mais 3 mil pessoas.
E pode não parar por aí. Há rumores de novas demissões em novembro e janeiro, e o número de adesões ao buyout deve influenciar o tamanho da próxima leva de cortes.
“A Microsoft precisa de menos gente”
Dentro e fora da empresa, há quem veja a reestruturação como necessária. Merrill Fernando, ex-gerente de produto da Microsoft Entra, não esconde a opinião. “Já estive lá dentro. Vi como as coisas são construídas. Muitos grupos pequenos. Camadas sobre camadas. Silos por toda parte”, disse Fernando ao The Verge.
Ele descreve uma Microsoft onde cada organização tinha prioridades e tomadores de decisão próprios, dificultando qualquer ação coletiva. A imagem lembra o meme em que cada divisão da Microsoft aponta armas umas para as outras, competindo em vez de colaborar. O próprio Nadella já reconheceu, em podcast no ano passado, que as tensões entre divisões são reais. “Coesão social não é o objetivo. Vencer no mercado é o objetivo”, afirmou.
O desafio agora é outro: Nadella consegue remodelar a Microsoft para a era da IA sem desfazer a transformação cultural que marcou sua gestão? Uma empresa que se reestruturou em torno da empatia agora pede que seus funcionários encarem um futuro onde muitos de seus empregos podem se tornar desnecessários. A forma como ele conduzir essa transição vai definir tanto seu legado quanto o crescimento que entregou na última década.
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Fonte: The Verge
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