Ex-COO da Xbox quebra silêncio sobre saída e veterana de 29 anos chama liderança de ‘circo’

A crise nos bastidores da Xbox ganhou mais um capítulo nesta semana. Helen Chiang, que ocupou o cargo de Chief Operating Officer (COO) da divisão de games da Microsoft por apenas três meses, publicou uma carta pública esclarecendo os motivos de sua saída abrupta. E a reação de quem passou quase três décadas dentro da empresa não foi nada boa para a atual gestão.
3
meses no cargo de COO da Xbox
Fonte: Helen Chiang
Shannon Loftis, veterana de 29 anos da Microsoft que já havia criticado a nova liderança publicamente, comentou a carta de Chiang e foi direta: chamou a administração atual de “clownshow”, um circo, na tradução livre.
O que Helen Chiang disse sobre a saída da Xbox
Na carta intitulada “Clarity is Kindness”, Chiang rebateu os boatos que circularam após sua saída. Ela afirmou que não foi demitida por violação de política, não vazou informações confidenciais para a imprensa, não saiu para entrar em outra empresa e não se envolveu em “discriminação, assédio, insider trading, desvio de recursos ou qualquer atividade fraudulenta”.
“Houve especulação sobre minha saída abrupta da Microsoft, incluindo alegações de que fui ‘demitida por violação de política’. Isso não é preciso”, escreveu a ex-executiva. “O silêncio não deve ser confundido com concordância.”
Chiang também deixou claro que não pediu para ser promovida a COO. “Não busquei ativamente cargos maiores. Fui promovida em julho porque a empresa acreditava que eu era necessária onde poderia ter o maior impacto”, afirmou.
O trecho mais preocupante, no entanto, veio na sequência. “Acredito em justiça, responsabilidade e em nos atermos aos padrões que esperamos dos outros. Esses padrões só significam algo quando são aplicados de forma consistente. Tenho sérias preocupações sobre como foram aplicados no meu caso”, disse Chiang, sem dar detalhes.
“É um circo lá dentro”: a reação de Shannon Loftis
Quem conhece a Microsoft há décadas não poupou a atual gestão. Shannon Loftis, que passou 29 anos na empresa, comentou a carta de Chiang e questionou a condução do caso pela liderança atual.
“O ‘vazamento’ em si (de informação falsa, com qual propósito? “Vamos todos especular quem tomou aquela decisão) mostra a perda de caráter moral e ‘clareza’ na liderança da Xbox”, escreveu Loftis. “Uma liderança de verdade teria perseguido implacavelmente o ‘vazador’ e tomado as medidas cabíveis, porque ‘assuntos confidenciais de pessoal’ são, na verdade, base para processos por difamação.”
Ela arrematou: “É um circo lá dentro e me sinto péssima por qualquer um que ainda precise lidar com isso.”
O quadro geral: o que está pegando na Xbox
A saída de Chiang é apenas o sintoma mais recente de uma turbulência que começou com a transição de comando na Xbox. Phil Spencer deixou o comando da Xbox e Asha Sharma assumiu a liderança. Desde então, a nova gestão implementou demissões em massa, fechou estúdios, vendeu outros e promoveu cortes significativos, inclusive na id Software.
No fim de outubro, o diretor de South of Midnight, David Sears, admitiu em entrevista que não teria financiado o próprio jogo se estivesse no lugar dos executivos da Xbox, declaração que o TecStudio publicou e que escancara o clima de incerteza criativo na empresa.
E o cenário pode piorar. Mais demissões estão no horizonte como parte do “reset” promovido por Sharma, tudo num momento em que a Microsoft se prepara para lançar o Xbox Project Helix, um console de próxima geração que, segundo analistas, chegaria com um preço alto mesmo sem toda a confusão nos bastidores.
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Fonte: Wccftech
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