United Airlines diz que jato supersônico Boom Overture não vai estrear em 2029

O sonho de ver um jato supersônico comercial de volta aos céus até 2029 pode ter que esperar mais. O CEO da United Airlines, Scott Kirby, afirmou que o Boom Overture, o avião supersônico da Boom Supersonic, não vai cumprir a meta de entrar em serviço naquele ano. A declaração foi dada no podcast Office Hours: Business Edition, publicado em 28 de outubro.
2029
Ano em que o Boom Overture deveria entrar em serviço segundo o plano original, e não vai
Fonte: Scott Kirby, CEO da United Airlines, no podcast Office Hour…
Kirby foi direto no podcast: “Não vai acontecer em 2029. Vai levar mais tempo”, afirmou o executivo, que comanda a empresa com a maior encomenda do Overture entre as companhias aéreas.
United coloca dúvida no calendário do Overture
Kirby disse que a United pode se tornar a primeira a operar o Overture se o programa der certo, mas alertou que ainda há obstáculos significativos e o sucesso está longe de ser garantido. Ele elogiou o fundador da Boom, Blake Scholl, e citou a expansão da empresa para turbinas que geram eletricidade para data centers, um negócio paralelo que pode ajudar a financiar parte do desenvolvimento.
O acordo entre United e Boom foi anunciado em junho de 2021. A companhia aérea se comprometeu a comprar 15 aeronaves Overture, com opção para mais 35, mas a compra depende de o avião cumprir os requisitos de segurança, operação e sustentabilidade da United. Na época, o plano era apresentar o protótipo em 2025, fazer o primeiro voo em 2026 e iniciar o serviço de passageiros em 2029.
Como anda o desenvolvimento do Overture
O Overture foi projetado para voar a Mach 1,7, com alcance de 4.250 milhas náuticas e capacidade para 60 a 80 passageiros. A Boom divulga uma carteira de 130 pedidos e pré-pedidos, vindos de United, American Airlines e Japan Airlines. A fabricante planeja produzir o avião em Greensboro, na Carolina do Norte.
Em outubro de 2026, a Boom concluiu o primeiro protótipo do núcleo de sua turbina, batizado de Sprint Core. A montagem reúne compressor, câmara de combustão e turbina de alta pressão, com a primeira ignição esperada ainda em novembro de 2026 no centro de testes da empresa no Colorado. O protótipo carrega mais de 1.000 sensores para monitorar o comportamento durante os ensaios.
O motor que também serve data centers
O Sprint Core alimentará dois projetos. Um deles é o Symphony, motor desenvolvido para o Overture. O outro é o Superpower, uma turbina a gás natural de 42 megawatts voltada para data centers de inteligência artificial, um mercado em explosão nos Estados Unidos.
A Boom também inaugurou um campus de fabricação de turbinas de cerca de 200 mil pés quadrados em Centennial, no Colorado, com investimento previsto de US$ 150 milhões (cerca de R$ 813 milhões). A empresa quer começar a entregar o Superpower em meados de 2027, chegando a 50 turbinas por ano em 2029. A ideia é que a experiência operacional e os dados de confiabilidade do Superpower ajudem a informar o desenvolvimento do Symphony, já que a turbina estacionária entra em serviço antes do motor aeronáutico.
O que falta para os voos supersônicos voltarem
O esforço da Boom acontece mais de duas décadas após o último voo comercial do Concorde, em outubro de 2003. Outra tentativa de ressuscitar a aviação supersônica, a Aerion, interrompeu seu programa de jato executivo AS2 em 2021 por falta de investimento.
Do lado regulatório, a FAA (agência de aviação dos EUA) propôs substituir a restrição histórica a voos supersônicos civis sobre terra por um padrão operacional baseado em ruído. A agência pretende finalizar suas regras de operação e ruído supersônico até meados de 2027, mas isso ainda não elimina a necessidade de certificar o Overture e seus motores do zero.
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Com a declaração do CEO da United, o calendário do Overture ganha um banho de água fria. A Boom corre para ajustar o cronograma e mostrar a investidores e clientes que o sonho supersônico comercial ainda está de pé, mesmo que demore um pouco mais para decolar.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 30/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,42). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: AeroTime
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