Airbus A330 ganha película de pele de tubarão e faz 1º voo com 1% de economia de combustível
O primeiro Airbus A330 com revestimento AeroSHARK começou a voar. A técnica imita a pele de tubarão e economiza 1% de combustível. Saiba como funciona.

A aviação comercial deu um passo rumo a voos mais econômicos com a estreia do primeiro Airbus A330 equipado com AeroSHARK, a película que imita a pele de tubarão. A aeronave, operada pela Discover Airlines, entrou em serviço no dia 15 de outubro com um voo para a Flórida. O revestimento reduz o arrasto aerodinâmico e corta o consumo de combustível em cerca de 1%.
A tecnologia não é nova no grupo Lufthansa: ela já equipa 23 aeronaves Boeing 777 de companhias como SWISS, Austrian Airlines e Lufthansa Cargo. Mas esta é a primeira vez que um Airbus entra em operação comercial com a modificação, um marco que pode abrir caminho para centenas de aviões no mundo.
Como a pele de tubarão ajuda o avião a gastar menos combustível?
O AeroSHARK é uma película adesiva transparente desenvolvida pela Lufthansa Technik em parceria com a Surventis (ex-BASF Coatings). A superfície tem ranhuras microscópicas de 50 micrômetros de altura, alinhadas com o fluxo de ar. Elas imitam a estrutura da pele de tubarão e reduzem o atrito entre o avião e o ar. Com menos arrasto, os motores precisam de menos empuxo, o que gera economia de combustível. O melhor: a modificação não exige troca de motores nem grandes alterações estruturais. A película é aplicada em seções da fuselagem e nas naceles dos motores.

Entenda
Como funciona o AeroSHARK?
É uma película adesiva que imita a pele de tubarão, aplicada em aviões para reduzir o consumo de combustível.
- A película tem ranhuras microscópicas de 50 micrômetros alinhadas com o fluxo de ar.
- Essas ranhuras imitam a estrutura da pele de tubarão, reduzindo o atrito com o ar.
- Com menos arrasto, os motores precisam de menos empuxo, economizando combustível.
- A modificação não exige troca de motores nem grandes alterações estruturais.
- No primeiro Airbus A330, a economia foi de cerca de 1% por voo.
Na prática: Voos mais econômicos e menos poluentes, sem mudanças perceptíveis para quem viaja.
Primeiro Airbus A330 certificado para voo comercial
O A330 da Discover Airlines, registrado D-AIKP, passou pela modificação no Aeroporto de Dresden em agosto, seguido de semanas de testes. De acordo com a companhia, os voos de prova confirmaram que a tecnologia pode ser usada com segurança na operação rotineira. O diretor de operações da Discover, Sascha Unterbarnscheidt, celebrou o marco: “Pela primeira vez, um Airbus com modificação AeroSHARK está operando em serviço regular programado.”

Economia de 1%: pouco por voo, muito no fim do ano
Pode parecer pouco, mas 1% de economia por voo representa uma redução significativa no acumulado. Na frota do grupo Lufthansa, as 23 aeronaves já equipadas economizam mais de 20 toneladas de querosene por dia, evitando a emissão de cerca de 64 toneladas de CO₂. Em um ano, seriam mais de 7.300 toneladas de combustível e 23 mil toneladas de CO₂ a menos na atmosfera.
1%
economia de combustível por voo
Fonte: Discover Airlines
Certificação do A330 pode ampliar adoção da tecnologia
A Lufthansa Technik está na fase final de certificação suplementar junto à Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) para os modelos A330-200 e A330-300. Estima-se que cerca de mil aviões desse tipo estejam em operação no mundo, o que torna o mercado potencial enorme. A iniciativa chega num momento em que a Airbus projeta crescimento no mercado de cargueiros: leia mais sobre as previsões da Airbus para o setor.
O que vem por aí para o AeroSHARK?
Lufthansa Technik e Airbus estudam ampliar a área coberta pela película para as asas e os estabilizadores. Se aprovado, o ganho de eficiência pode chegar a mais de 2% em voos de longa distância. Ainda são necessários mais testes e aprovações regulatórias, mas o caminho está aberto.
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Enquanto a tecnologia não chega a todos os voos, a economia de 1% já mostra que a inspiração na natureza pode aliviar o bolso das companhias e o impacto ambiental. Para quem viaja, a diferença não se sente na poltrona, mas no futuro da aviação.
Fonte: Aerospace Global News
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