Intel e AMD podem colaborar, diz CEO da Intel em conversa com Lisa Su
CEO da Intel, Lip-Bu Tan, diz que conversou com Lisa Su, da AMD, sobre cooperação. Ele também atualizou o cronograma do processo 14A com PDK 0.9 a caminho.

Rivais históricas no mercado de processadores, Intel e AMD podem estar mais próximas do que nunca. Em um fireside chat realizado no evento da CASPA (Chinese American Semiconductor Professional Association) no dia 24 de outubro, o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, revelou que conversou com Lisa Su, CEO da AMD, sobre possíveis áreas de cooperação entre as duas empresas.
Resumo
- CEO da Intel, Lip-Bu Tan, revelou conversa com Lisa Su, da AMD, sobre cooperação.
- Processo 14A da Intel tem PDK 0.5 disponível e 0.9 a caminho.
- KeyBanc aponta contratos com Broadcom, Google, Microsoft, NVIDIA e Apple.
- Tan disse que cliente esperou 6 meses para listar 15 falhas da Intel.
A declaração pegou o mercado de surpresa. Tan não deu detalhes sobre o teor da conversa nem sobre que tipo de colaboração estaria em jogo, mas o simples fato de os chefes das duas maiores fabricantes de chips x86 estarem discutindo parceria já é um movimento e tanto para um setor marcado por décadas de rivalidade.
O que Lip-Bu Tan disse sobre a conversa com a AMD
No evento, Tan afirmou que está “muito determinado” a recuperar a liderança no mercado de CPUs. E, dentro dessa estratégia, parece que conversar com a concorrente entrou no radar. “Intel é tão orgulhosa que nunca quis modificar algo para atender à necessidade do cliente”, reconheceu Tan, sinalizando uma mudança de postura em relação à gestão anterior.
Segundo o executivo, a Intel está “dobrando e triplicando” os esforços em silício customizado, especialmente na linha Xeon. A abertura para cooperação com a AMD, ainda que vaga, entra nesse contexto de uma Intel mais disposta a se adaptar, e a ouvir.
Processo 14A avança com PDK 0.9 a caminho
Outra novidade de peso que saiu do fireside chat foi a atualização sobre o processo de fabricação 14A, a próxima geração da Intel após o 18A. Tan revelou que o PDK (Process Design Kit) 0.5 já está disponível e que o 0.9 está a caminho.
O que é PDK? Process Design Kit: conjunto de arquivos, dados, regras e modelos que uma foundry fornece para engenheiros projetarem circuitos integrados em um processo de fabricação específico.
“Para o 18A, estamos em produção em volume. O 14A está chegando muito forte. Já temos o PDK 0.5, fiquem ligados, vamos ter o PDK 0.9 e, no início do ano que vem, o PDK 1.0 para produção em volume”, disse Tan.
Na prática, isso significa que o processo 14A está se aproximando da fase de risk production, quando clientes começam a produzir os primeiros lotes de teste. O PDK 0.9 é liberado exatamente quando o nó está pronto para tape-out e produção de risco, um marco importante para quem planeja usar a foundry da Intel.
Tan também afirmou que “múltiplos clientes” querem escalar seus negócios com a Intel, o que reforça o discurso de que a foundry da empresa está ganhando tração.
Clientes de peso na foundry da Intel
Segundo relatório do banco KeyBanc divulgado recentemente e repercutido pelo Wccftech, a Intel já teria garantido contratos para fabricar switches de rede para a Broadcom e CPUs de servidor para o Google. A lista inclui também CPUs de servidor para a Microsoft e GPUs para a NVIDIA.
Além disso, o KeyBanc afirma que a Intel teria fechado um contrato com a Apple para múltiplas gerações e séries dos chips M-series e A-series, e, ao contrário do que circulava no rumor mill, esse contrato seria no processo 14A, não no 18A-P. É importante notar, porém, que essa informação do banco foi recebida com ceticismo por especialistas do setor.
Outros nomes como Anthropic, Amazon e SpaceX/Tesla Terafab seguem avaliando os processos 18A-P e 14A da Intel, segundo o KeyBanc, com tendência a favorecer o 14A.
A história do cliente que esperou 6 meses por Tan
Durante a conversa, Tan contou um episódio que ilustra bem a mudança de cultura que tenta implementar na Intel. Um cliente esperou de 6 a 8 meses pela chegada de Tan à presidência da empresa e, quando ele assumiu, listou 15 áreas em que a Intel estava falhando.
Segundo Tan, a liderança anterior da empresa não ouvia os clientes, e, em alguns casos, chegava a dar lições neles. O novo CEO disse que tratou de cada uma das queixas uma a uma. O resultado? O cliente declarou que iria “fundo” com ele, porque confiava na nova gestão.
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Por ora, a Intel de Lip-Bu Tan parece determinada a mudar a relação com clientes e concorrentes. Se isso vai se traduzir em acordos concretos com a AMD e em domínio de mercado, só o próximo capítulo dirá, mas o tom do novo CEO é bem diferente do que se via até ano passado.
Fonte: Wccftech
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