Samsung compra fatia em fabricante de telas para conter custo de TVs e celulares

A Samsung Electronics resolveu atacar um dos maiores apertos que as suas linhas de TVs e celulares de entrada enfrentam: o custo dos painéis de tela. A empresa vai pagar 1,27 trilhão de wons (cerca de R$ 5,1 bilhões) (cerca de US$ 892 milhões (cerca de R$ 4,8 bilhões)) para comprar a participação de 10,16% que a sua afiliada Samsung Display tem na chinesa CSOT, uma das maiores fabricantes de painéis LCD do mundo.
US$ 892 milhões
Preço pago pela fatia de 10,16% na CSOT
Fonte: Documento regulatório da Samsung Electronics
O negócio foi revelado em um documento regulatório coreano nesta sexta-feira (30). Com a fatia nas mãos, a Samsung Electronics quer garantir acesso a painéis em condições melhores num momento em que os componentes estão pesando cada vez mais no bolso, tanto deles quanto de quem compra.
Samsung Display vende fatia que ganhou na fábrica de Suzhou
A CSOT não é uma novata na vida da Samsung. A fabricante chinesa entrou na jogada em 2020, quando a Samsung Display vendeu a sua fábrica de LCD em Suzhou, na China. Na época, a CSOT ficou com a planta industrial e, como parte do acordo, a Samsung Display recebeu ações da empresa, 848,9 bilhões de wons (cerca de R$ 3,4 bilhões) em participação.
Agora, ao vender de volta essa fatia para a Samsung Electronics por 1,27 trilhão de wons (cerca de R$ 5,1 bilhões), a Samsung Display realiza um ganho de cerca de 45% sobre o valor pago em 2020. O movimento faz sentido para a unidade de displays: ela já saiu do mercado de LCD e hoje foca em painéis de alto valor, como os OLED dobráveis que abastecem a linha Galaxy Z Fold e, segundo a TrendForce, o novo MacBook Pro da Apple. Segurar ações de uma fabricante de LCD simplesmente não faz mais parte do jogo dela.
Uma participação para segurar os preços de TVs e Galaxy A
Para a Samsung Electronics, a história é outra. A empresa vende milhões de produtos que ainda usam painéis LCD: TVs de todas as faixas de preço, monitores, eletrodomésticos e, principalmente, os celulares da linha Galaxy A, que lideram as vendas no Brasil e em mercados emergentes.
Ter uma participação acionária num dos maiores fornecedores globais de LCD pode dar poder de barganha na hora de negociar contratos e volumes. Na prática, isso significa que a Samsung consegue proteger as margens de produtos que não podem subir de preço sem perder competitividade.
E a hora não poderia ser mais estratégica. O timing é interessante porque a Samsung acaba de registrar receita e lucro operacional recordes no terceiro trimestre de 2026, como mostrou o TecStudio nesta semana. Mas quem puxou esse resultado foi a divisão de semicondutores, impulsionada pela demanda por chips de IA. O resto da empresa não está nadando em dinheiro.
A divisão mobile, por exemplo, registrou prejuízo apesar do aumento de receita, justamente por causa do encarecimento de componentes como processadores e painéis. No mesmo dia, a Samsung alertou que a falta de DRAM pode pressionar ainda mais os preços de celulares e PCs em 2027.
A jogada com a CSOT não resolve todos os problemas de custo, mas ataca um dos maiores vilões das linhas de entrada: o display. Quanto poder de negociação a participação de 10,16% vai dar de fato, porém, só o tempo e os balanços do ano que vem vão mostrar.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 29/10/2026 (₩ 100 = R$ 0,40; US$ 1 = R$ 5,37). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
📲 Para não perder nenhum movimento dessa briga por componentes e displays, segue o Canal do TS no WhatsApp.
Fonte: SammyGuru
Escrito por






