Tesla confirma fim do Cybertruck com vendas a 12% do planejado

A Tesla confirmou que o Cybertruck vai sair de linha. O anúncio veio do próprio Elon Musk nesta sexta-feira (6), e os números mostram que a picape elétrica mais polarizante da história da empresa nunca chegou perto do volume que a fábrica foi projetada para entregar. A Tesla já tinha dito que ia desacelerar a produção, mas a realidade dos números explica por que o fim é mais do que uma questão de espaço na linha de montagem.
12%
das 250 mil unidades anuais planejadas que o Cybertruck vende
Fonte: Electrek com dados da Tesla
Segundo Musk, a produção do Cybertruck na Gigafactory Texas vai ser “reduzida gradualmente” por volta de meados de 2027, cerca de três anos e meio depois das primeiras entregas. O motivo oficial é abrir espaço para o Cybercab. Mas os dados da própria Tesla e de consultorias pintam um quadro bem diferente.
Vendendo a um décimo do que a fábrica entrega
A Tesla nunca separou as entregas do Cybertruck no balanço. Ele fica na mesma linha de “Other Models” (Outros Modelos), junto com o Model S, o Model X e o Semi. Mas o número desse balde conta a história sozinho: a Tesla entregou 8.295 unidades de “Outros Modelos” no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 48% na comparação anual e o pior resultado desde o segundo trimestre de 2021.
Considerando que a produção do Model S e do Model X foi encerrada em abril, a estimativa do Electrek é que de 7 mil a 8 mil dessas unidades eram Cybertrucks. Isso dá um ritmo de cerca de 30 mil picapes por ano.
O problema é que a Tesla projetou a linha do Cybertruck para 250 mil unidades anuais. O último relatório da empresa ainda lista mais de 125 mil unidades de capacidade instalada. Ou seja, o Cybertruck vende a aproximadamente 12% do plano original, e usa só um quarto do que a fábrica é capaz de produzir.
Os números dos EUA, levantados pela Cox Automotive, são ainda mais secos: a consultoria estima 3.519 vendas do Cybertruck no primeiro trimestre de 2026 e 3.744 no segundo. No terceiro trimestre de 2024, quando a novidade ainda empolgava, foram 14.416.
O argumento do espaço que não cola
A justificativa de que o Cybertruck precisa sair para dar lugar ao Cybercab parece mais narrativa do que necessidade real. A Gigafactory Texas tem mais de 10 milhões de metros quadrados de piso fabril, segundo a própria Tesla, e a linha do Cybertruck já opera com boa parte da capacidade ociosa. O Cybercab, por sua vez, tinha 463 unidades registradas no Texas até o fim de outubro e ganhou uma linha de montagem separada com o processo “unboxed” da Tesla.
O que pesa de verdade é o custo de manter viva uma picape com carroceria de aço inoxidável, peças fundidas exclusivas e uma cadeia de suprimentos própria para apenas 30 mil unidades por ano. O Electrek estima que a Tesla tenha perdido alguns bilhões de dólares no experimento Cybertruck, considerando pesquisa, desenvolvimento, a pressão sobre fornecedores para produzir 250 mil peças por ano e a própria linha de montagem.
A Tesla ainda tentou salvar as vendas. Lançou uma versão mais barata com tração traseira em 2025 e a tirou do mercado meses depois. Depois trouxe um acabamento dual-motor mais em conta neste ano. E então subiu os preços em US$ 5 mil (cerca de R$ 27.311) em agosto. A versão dual-motor hoje parte de US$ 74.990 (cerca de R$ 409.603). Nada disso mudou o rumo.
Há outro dado incômodo: a S&P Global Mobility mostrou que a SpaceX comprou 1.279 Cybertrucks no quarto trimestre de 2025, e as empresas de Musk levaram 1.339 unidades no total, cerca de 19% dos registros nos EUA naquele período. Sem a auto-negociação de Musk, diz o Electrek, o Cybertruck já estaria morto.
O que acontece com quem já tem um
Musk não disse quanto tempo a Tesla vai manter o estoque à venda depois do fim da produção, nem deu detalhes sobre peças e assistência técnica para os donos atuais. O Cybertruck também tem uma barreira adicional: não pode ser vendido na Europa nem na maior parte dos mercados com volante à direita. A Tesla cancelou o lançamento para a Austrália e a Nova Zelândia há duas semanas.
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Para quem já dirige um Cybertruck, a pergunta que fica é por quanto tempo a Tesla vai manter o suporte a uma picape que nunca emplacou. O anúncio do fim da produção vem na mesma toada do que a empresa fez com o Model S e o Model X ao encerrá-los para abrir espaço em Fremont para o robô Optimus: uma despedida embalada como estratégia de futuro.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 05/11/2026 (US$ 1 = R$ 5,46). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: Electrek
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