Alemanha alerta que iPhones de parlamentares podem ter sido invadidos por spyware

O governo alemão está alertando que parlamentares e figuras públicas podem ter tido os iPhones invadidos por spyware. O aviso oficial veio dias depois de a Apple começar a enviar notificações de ameaça para as potenciais vítimas.
O escritório federal de segurança cibernética da Alemanha, conhecido como BSI, disse em uma nota durante o fim de semana que tomou conhecimento de que membros do Bundestag (o parlamento alemão) e outras pessoas notáveis receberam alertas da Apple informando que podem ter sido alvo de ataques cibernéticos.
O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, afirmou ao Financial Times que o governo “leva o incidente e o alerta muito a sério”, mas não disse quem exatamente no governo federal foi alvo, nem se o chanceler Friedrich Merz está entre os notificados.
O que são as notificações de ameaça da Apple
A Apple envia periodicamente os chamados threat notifications (notificações de ameaça) para pessoas que a empresa acredita terem sido alvo de spyware. Esses programas maliciosos são capazes de roubar mensagens, dados de localização e outras informações sigilosas do celular.
Perguntas frequentes
O que fazer se receber uma notificação de ameaça da Apple?
O BSI, órgão de segurança cibernética da Alemanha, orienta que quem receber o alerta deve assumir que o dispositivo pode estar comprometido e tomar medidas de segurança, como contatar autoridades.
A Apple diz se meu iPhone foi de fato invadido?
Não. A Apple não confirma se o aparelho foi comprometido nem atribui o ataque a um governo específico. O alerta é um aviso de que a pessoa pode ter sido alvo de spyware.
Quem está por trás desses ataques?
Ainda não se sabe quem orquestrou esta rodada de ataques. Os alertas foram enviados para usuários em 99 países. Governos costumam comprar spyware de empresas privadas como o NSO Group, criador do Pegasus.
O perigo é que esse tipo de spyware costuma usar os chamados zero-click exploits, ou seja, invade o aparelho sem que a vítima precise clicar em um link ou abrir um arquivo. A invasão acontece de forma praticamente invisível.
Um ponto importante: a Apple não atribui os ataques a governos específicos nem diz se o telefone de alguém foi de fato comprometido. Por isso, o BSI orientou que qualquer pessoa que receber uma notificação de ameaça da Apple “deve assumir que seu dispositivo pode estar comprometido”.
Alvos fora da Alemanha e o alcance global
Os alertas da Apple não se limitaram à Alemanha. Radwan Mortada, um cineasta libanês, disse em uma publicação no X que recebeu uma nova notificação de ameaça. Segundo ele, a Apple detectou “outro ataque contra seu dispositivo”, Mortada já havia sido alvo de spyware em 2021.
De acordo com o aviso recebido por Mortada, a Apple informou que esta remessa de notificações foi enviada para usuários em 99 países.
Não está claro ainda quem está por trás desta rodada de ataques, nem qual governo pode ter orquestrado as invasões.
O mercado bilionário do spyware
O episódio joga luz novamente sobre o mercado nebuloso por trás dos ataques contra membros da sociedade civil. Governos raramente constroem essas ferramentas de espionagem do zero. Em vez disso, compram de fornecedores privados, os chamados “fabricantes de spyware mercenário”.
O nome mais conhecido desse setor é o NSO Group, de Israel, que vende o controverso Pegasus, um spyware que já foi usado para invadir celulares de jornalistas, advogados e ativistas ao redor do mundo. A própria agência federal de investigação criminal da Alemanha, a BKA, comprou acesso ao Pegasus em 2019, segundo reportagens da época. O co-criador do Pegasus, Shalev Hulio, defende hoje que governos criem a própria IA em vez de depender de terceiros.
Fonte: TechCrunch
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