Amazon decepciona no balanço do terceiro trimestre, mas AWS dispara 39% com força da IA

A Amazon divulgou na quinta-feira (29) os resultados do terceiro trimestre de 2026 e entregou uma daquelas notícias que o mercado não gosta de ler. A receita total e o lucro por ação ficaram abaixo das projeções dos analistas. Mas, como acontece com frequência, o braço de nuvem da empresa, a Amazon Web Services (AWS), veio para salvar a foto.
A AWS cresceu 39% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado e superou as expectativas de receita, um sinal claro de que a corrida da inteligência artificial continua turbinando o setor de cloud computing. Só que o lado oposto da moeda é igualmente pesado: os investimentos maciços em IA estão queimando caixa num ritmo que assustou investidores.
A receita e o lucro que ficaram no tinteiro
No trimestre encerrado em setembro, a Amazon registrou uma receita líquida de US$ 201,9 bilhões (cerca de R$ 1,1 trilhão), um crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2025. O número, porém, ficou abaixo dos US$ 202,2 bilhões (cerca de R$ 1,1 trilhão) que o mercado esperava, segundo dados da FactSet.
O lucro por ação diluído foi de US$ 1,89 (cerca de R$ 10,16), também abaixo da projeção de US$ 1,97 (cerca de R$ 10,59) dos analistas. O tombo não é dramático, mas para uma empresa do porte da Amazon, todo deslize mexe com as expectativas.
AWS cresce 39% e bate expectativas com US$ 45,98 bilhões
O grande destaque positivo do balanço veio da nuvem. A AWS registrou uma receita de US$ 45,98 bilhões (cerca de R$ 247 bilhões) no trimestre, acima dos US$ 45,29 bilhões (cerca de R$ 243 bilhões) projetados. O lucro operacional do segmento atingiu US$ 17,8 bilhões (cerca de R$ 95,7 bilhões), contra US$ 11,4 bilhões (cerca de R$ 61,3 bilhões) no terceiro trimestre de 2025, um crescimento expressivo.
US$ 42,4 bilhões
fluxo de caixa livre negativo da Amazon (12 meses)
Fonte: Amazon
O número reforça a posição da AWS como a maior e mais lucrativa operação de nuvem do mundo, num momento em que empresas de todos os portes correm para contratar capacidade de processamento para rodar modelos de inteligência artificial. A unidade da Amazon mantém a liderança em receita absoluta no setor de nuvem, segundo os dados do balanço.
O custo da corrida da IA: US$ 42,4 bilhões negativos no caixa
Aí vem o dado que fez o mercado franzir a testa. O fluxo de caixa livre da Amazon nos 12 meses encerrados em setembro ficou negativo em US$ 42,4 bilhões (cerca de R$ 228 bilhões). Para efeito de comparação, nos 12 meses anteriores (até setembro de 2025), o número era positivo em US$ 14,8 bilhões (cerca de R$ 79,5 bilhões). A diferença é brutal e tem nome e sobrenome: investimento em inteligência artificial.
A Amazon informou que os gastos foram puxados principalmente pelos aportes em infraestrutura de IA, data centers, chips especializados e servidores. A empresa reiterou que ainda espera encerrar o ano fiscal de 2026 com cerca de US$ 220 bilhões (cerca de R$ 1,2 trilhão) em despesas de capital.
Para dar uma dimensão do que isso significa: no quarto trimestre, a Amazon projeta uma receita entre US$ 240 bilhões (cerca de R$ 1,3 trilhão) e US$ 247 bilhões (cerca de R$ 1,3 trilhão), e a temporada de compras de fim de ano é tradicionalmente o período mais forte do varejo. Ou seja, a empresa deve gastar quase o mesmo valor em Capex ao longo do ano inteiro que pretende faturar no último trimestre sozinho. É um nível de aposta em IA que poucas empresas no mundo têm estrutura para fazer.
📲 O mercado vai continuar de olho nos próximos balanços para ver se esse investimento pesado começa a dar retorno. Para não perder nenhum desdobramento dessa história, entra no Canal do TS no WhatsApp.
A pergunta que fica para os próximos trimestres é se a Amazon consegue transformar essa enxurrada de gastos em receita de IA antes que o caixa aperte ainda mais. Por enquanto, a AWS continua sendo o motor que sustenta a confiança do mercado, e o crescimento de 39% mostra que a máquina ainda tem fôlego.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 29/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,37). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
Fonte: TechCrunch
Escrito por






