Boeing reduz prejuízo a US$ 116 mi e certifica últimos 737 MAX no 3º tri
Boeing divulga resultados do 3º tri de 2026: receita sobe 4% para US$ 24,2 bi, prejuízo encolhe para US$ 116 mi e backlog bate recorde de US$ 745 bi.

A Boeing divulgou nesta terça-feira (27) os resultados do terceiro trimestre de 2026 com um número que resume bem o momento da fabricante: o prejuízo líquido de US$ 116 milhões (cerca de R$ 638 milhões) é uma fração dos US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 29,2 bilhões) perdidos no mesmo período do ano passado. A receita subiu 4%, para US$ 24,2 bilhões (cerca de R$ 133 bilhões), e a empresa acumulou um backlog recorde de US$ 745 bilhões (cerca de R$ 4,1 trilhões).
Resumo
- Prejuízo líquido de US$ 116 milhões (cerca de R$ 638 milhões), contra US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 29,2 bilhões) um ano antes
- Receita subiu 4%, para US$ 24,2 bilhões (cerca de R$ 133 bilhões)
- FAA certificou os modelos 737-7 e 737-10, os últimos da linha 737 MAX
- Backlog total bateu recorde de US$ 745 bilhões (cerca de R$ 4,1 trilhões)
- Marinha dos EUA selecionou Boeing para o caça F/A-XX
O desempenho veio impulsionado pelas divisões de defesa e serviços, enquanto a unidade de aviação comercial ainda opera no vermelho. O trimestre também marcou a certificação, pela agência reguladora dos EUA (FAA), dos dois últimos modelos da família 737 MAX que ainda não tinham aprovação: o 737-7 e o 737-10.
Prejuízo encolhe com ajuda de defesa e serviços
A receita de US$ 24,2 bilhões (cerca de R$ 133 bilhões) veio principalmente do crescimento da divisão de defesa (alta de 15%, para US$ 7,9 bilhões (cerca de R$ 43,5 bilhões)) e dos serviços globais (alta de 4%, para US$ 5,6 bilhões (cerca de R$ 30,8 bilhões)). O lucro operacional da Defense, Space & Security mais que quadruplicou, chegando a US$ 492 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões), número que inclui um ganho de US$ 252 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) com a venda do laboratório HRL Laboratories.
Já a Boeing Global Services manteve a posição de unidade mais lucrativa da companhia, com margem operacional de 18,3%. O segmento fechou o trimestre com uma carteira de US$ 33 bilhões (cerca de R$ 182 bilhões) (cerca de R$ 182 bilhões) em pedidos, que inclui um novo contrato com o US Army para manutenção da frota de helicópteros AH-64 Apache, segundo a Boeing.
O fluxo de caixa operacional ficou em US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,3 bilhões), e o fluxo de caixa livre, em US$ 0,5 bilhão (cerca de R$ 2,8 bilhões). A empresa terminou o trimestre com US$ 20,7 bilhões (cerca de R$ 114 bilhões) em caixa e investimentos, enquanto a dívida permaneceu em US$ 45,9 bilhões (cerca de R$ 252 bilhões). O resultado de caixa veio mesmo após o pagamento de cerca de US$ 0,7 bilhão (cerca de R$ 3,9 bilhões) referentes ao acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, conforme a empresa informou.
737-7 e 737-10: certificação sai, mas aviação comercial segue no vermelho
O maior marco comercial do trimestre foi a certificação dos dois modelos que faltavam da família 737 MAX. O 737-7 recebeu a certificação de tipo alterada da FAA ainda durante o trimestre, e o 737-10 veio em outubro de 2026. Com isso, toda a linha 737 MAX está oficialmente aprovada para operar.
A Boeing entregou 161 aeronaves comerciais no trimestre, uma a mais que no mesmo período de 2025. Desse total, 124 foram 737. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, são 475 aeronaves entregues.
Apesar do avanço, a unidade Commercial Airplanes continua perdendo dinheiro. O prejuízo operacional foi de US$ 697 milhões (cerca de R$ 3,8 bilhões) sobre uma receita de US$ 10,7 bilhões (cerca de R$ 58,9 bilhões). A empresa atribuiu o resultado a uma combinação menos favorável de modelos entregues, custos mais altos projetados para ajustes futuros de produção e pressão na cadeia de suprimentos.
Do lado da produção, o programa 737 trabalha para chegar a um ritmo estável de 47 aeronaves por mês. O 787 se mantém em oito por mês, e o 777X segue em voos de teste para certificação, com a primeira entrega ainda prevista para 2027.
Pedidos fortes e F/A-XX turbinam a carteira da Boeing
Os pedidos comerciais continuaram aquecidos. A Boeing registrou 300 pedidos líquidos no trimestre, com destaque para Turkish Airlines, Ethiopian Airlines e Lufthansa. A carteira comercial soma mais de 6.300 aeronaves, avaliadas em US$ 612 bilhões (cerca de R$ 3,4 trilhões), um recorde para a divisão.
Na defesa, o contrato de maior impacto foi a seleção, pela US Navy, da Boeing para projetar, construir e entregar o caça de sexta geração F/A-XX. O valor ainda não entrou no backlog porque a avaliação final da seleção não foi concluída, mas o acordo já é tratado internamente como um dos maiores da história da divisão.
A Boeing também recebeu um contrato de sete anos para expandir a produção do sistema de busca do míssil PAC-3. O backlog total da divisão de defesa chegou a US$ 101 bilhões (cerca de R$ 556 bilhões), outro recorde, com 23% dos pedidos vindos de fora dos Estados Unidos.
Com os dois últimos 737 MAX certificados, o 777X se aproximando da primeira entrega e uma carteira de pedidos histórica, a Boeing chega ao último trimestre de 2026 em ritmo melhor do que começou o ano. Mas o verdadeiro teste ainda está na frente: fazer a divisão comercial voltar a dar lucro.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 26/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,50). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
US$ 745 bilhões
Backlog recorde da Boeing
Fonte: Boeing
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Fonte: AeroTime
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